Alerta da ONU/OPAS para risco da malária no Brasil

Malária matando jovens na Bahia

Gilson Dantas

Brasília

segunda-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Em notícia de poucos dias atrás – que não mereceu grande destaque na mídia -, já tivemos a segunda morte em decorrência de um surto de malária em cidade do sul da Bahia, a 290 km de Salvador. Uma vítima, mulher de 31 anos e a outra um homem de 33 anos, ambas confirmadas pela Secretaria de Saúde da Bahia. Na mesma cidade já são, ao todo, 23 pessoas contaminadas com a malária, com oito crianças internadas.

É mais uma dessas “doenças do mosquito” [no caso o Anopheles] que mostra que o governo não controla o vetor: como já foi mostrado em outra nota, sobre a febre amarela, temos um regime político que não está nem um pouco preocupado em controlar o mosquito, deixando os pobres urbanos e rurais à míngua.

A malária ataca principalmente na Amazônia, e a Organização Pan-Americana da Saúde [da ONU] alertou no último dia 2 sobre o aumento de casos de malária no Brasil. Foram mais de 150 mil casos notificados entre janeiro e novembro de 2017, um aumento em relação aos 117 mil casos reportados em 2016, quase todos na região amazônica. Na Venezuela o número de casos notificados já ultrapassa os 310 mil [2017]. Já é o segundo alerta da OPAS em um ano, chamando às autoridades para procurarem controlar a doença.

O problema da malária é que facilmente ela se desloca de um lado para outro, podendo promover surtos. “A malária é uma doença muito explosiva e que aumenta muito mais rápido do que as equipes locais conseguem se reorganizar”, declarou um membro do próprio Ministério da Saúde do nosso país, que fala em “descontinuidade das ações de controle” da malária.

Grave, a malária é transmitida pela picada do mosquito [o Anopheles que em alguns lugares é conhecido por “mosquito-prego”, “carapanã”, “muriçoca”, “sovela” e “bicuda”].e pode levar a infecção cerebral, insuficiência renal, meningite e morte.

O surto no interior da Bahia mostra seu caráter explosivo e não há a menor garantia de que não possa ocorrer o mesmo em outros locais. No caso da Bahia, contam que uma pessoa veio do Pará [zona da doença] para aquela cidade baiana [Wenceslau Guimarães] e lá chegando – graças à ação do mosquito local, passando adiante o protozoário para outras pessoas – tivemos a disseminação da doença, com dezenas de pessoas já reportadas [com duas mortes] na mesma cidade.

Decadência da saúde pública e do SUS no Brasil, incapacidade para controlar o mosquito [Aedes, Anopheles, todos eles], incapacidade de proteger os mais vulneráveis, os milhões de famílias em zonas de risco e com baixa resistência biológica por conta da má alimentação, desemprego, baixa renda, morando em zonas de risco, casas e regiões urbanas degradadas, esse é o cenário para que mais brasileiros continuem morrendo criminosamente, por pura falta de ação do Estado, o mesmo Estado que nos espolia com impostos e sustentando a exploração da nossa força de trabalho pela patronal em benefício dos mais ricos.

O perigo vai além: em setembro do ano passado foi denunciado [saiu na Veja, setembro/2017] o surgimento de uma forma de “supermalária”, onde um agente, o protozoário Plasmodium falciparum sofreu uma mutação e agora não mais responde ao tratamento vigente. Esse tipo de parasita modificado [Plasmodium] foi identificado em cinco países do Sudeste Asiático, onde se dissemina rapidamente; há uma preocupação dos estudiosos de que ele chegue à África, onde ocorrem 92% dos casos de malária do mundo. E de lá para cá seria um passo. E observe-se que estamos diante de uma malária novamente incurável.

Lembrando que, no mundo, são mais de duzentos milhões de infectados por ano [“um Brasil” por ano] de malária, e também que se trata de uma doença com potencial alto de disseminação; e que esses governos capitalistas não estão focando seriamente.

Há mais milionários que nunca [no Brasil também] e mais malária no mundo que nunca. É só juntar as pontas: o custo social da mera existência do capitalismo é cada dia mais alto e se traduz, no nosso cotidiano, em mortes estúpidas, criminosas, por conta de um parasita [um protozoário] que já deveria ter sido devolvido para o baú da história natural.

[As notícias são da Tribuna da Bahia e da Agencia EFE, de poucos dias atrás]




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