#30J

Mais uma vez: tem greve no meio do caminho

“Neste #30J diversas manifestações estão acontecendo em vários locais do País. Estudantes e Trabalhadores protestam contra os ataques do Governo Temer”.

Fernando Luchiari

Estudante do curso de História na Unicamp

sexta-feira 30 de junho| Edição do dia

Acordamos mais uma vez com notícias de mobilizações por todo o país. Mais um dia de Greve Geral se inicia. Mesmo com o “corpo mole” das centrais sindicais, paralisações por todo país, organizadas por trabalhadores e estudantes, estampam as capas dos noticiários do dia. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e em praticamente todas as capitais e em todos os estados do Brasil há manifestações contra o governo Temer e suas reformas.

A História não é feita de conciliações, e é muita ingenuidade pensar que é possível conquistar algo, fazendo acordos e concessões quando se vive em relações de desigualdade. Não há conquistas sem lutas.

Em 453 a.C, durante a República Romana, os trabalhadores, que na época eram chamados de plebeus (uma camada heterogênea formada por artesãos, camponeses e pequenos comerciantes) cruzaram os braços e negaram a continuar seus trabalhos, deixando a cidade a mercê, em protesto à grave crise econômica e política que existia naquele período, fazendo com que os donos das riquezas (patrícios) cedessem. O que foi, provavelmente, a primeira grande greve da História.

Em 1917, ainda durante a primeira Guerra Mundial, os trabalhadores brasileiros pararam a indústria e comércio do Brasil. Os operários brasileiros do início do século XX promoveram uma das maiores e mais abrangentes mobilizações da História do nosso país, conquistaram aumento imediato de salário e uma grande vitória: o reconhecimento do movimento operário como estância legítima. A partir daí, os patrões se viram obrigados a reconhecer a força da classe operária e a considerá-la de extrema importância para as decisões político econômica e socais do País.

No dia 28 de abril, mais uma vez, paralisações organizadas, em conjunto, pararam o país inteiro e isso, certamente, foi um ponto decisivo para maiores desestabilizações no Governo de Temer, as quais estamos presenciando. A História não se repete sempre e exatamente da mesma maneira, mas ensina! Temer, que representa os setores mais conservadores e reacionários da Sociedade Brasileira ataca direto e majoritariamente a classe trabalhadora com as reformas que visam sanar a crise do regime. Diante disso, não há outra saída, senão a auto-organização e a luta.

Ao longo de toda a História da humanidade, ao menos sobre o que se tem relatos, as partes menos favorecidas de uma sociedade, jamais conseguiram conquistar aquilo que almejavam e que - possivelmente- as trariam melhores condições de vida, apenas com acordos e diálogos com os mais poderosos. Em todos os momentos históricos houveram setores que, por serem os mais esquecidos e reprimidos resolveram se mobilizar e lutar por melhores qualidades de vida. Há quem diga que greve, piquete e ocupação é coisa de vagabundo. Vagabundo não é o trabalhador que faz greve ou o estudante que ocupa sua escola, é quem se nega a entender que – no sistema em que vivemos- no qual uma minúscula parcela possui a maior parte das riquezas e a grande massa trabalhadora fica com os menores salários, não é possível que se tenha uma relação de igualdade político econômica e, muito menos, uma igualdade de direitos.

Direitos que temos hoje, como aposentadoria, férias, 13o salário, limite de jornada de trabalho, descanso aos finais de semana, piso de remuneração, proibição do trabalho infantil, licença maternidade não foram concessões vindas do céu. Mas custaram o suor e o sangue de muita gente através reivindicações, paralisações e greves, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

E, desde que as Reformas da Previdência e Trabalhista foram apresentadas, o que se vê é uma tentativa de retirar, das partes mais oprimidas da população, o mínimo que já foi conquistado. Não é possível que, em pleno século XXI, os trabalhadores tenham que realizar seus trabalhadores às condições que existiam durante a Revolução Industrial. São mais de 200 anos de retrocesso! Não vamos deixar que um governo ilegítimo, que chegou onde está não por ajuda de “Deus”, mas por um golpe institucional planejado e arquitetado pelas partes mais à direita do congresso nacional, destrua tudo aquilo que a população brasileira já conseguiu à duras penas.

Neste #30J, de pé, “façamos nós, por nossas mãos” tudo o que a nós diz respeito!
Acompanhe as noticiais, locais e horários dos atos que acontecerão por todo o país aqui no Esquerda Diário! Em Campinas, a concentração unificada acontecerá as 17h no Largo do Rosário!




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