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Mais uma vez o Clube Militar adere aos atos convocados por Bolsonaro e pela extrema-direita

Nessa terça (10), a partir de um comunicado enviado aos seus associados, o Clube Militar do Exército, associação composta por militares na reserva, declarou o apoio da instituição à manifestação convocada por Bolsonaro para o dia 15 visando escalar o autoritarismo no país.

quarta-feira 11 de março| Edição do dia

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / CP

Segundo o comunicado do clube, os parlamentares estão impedindo Bolsonaro de governar. Segundo o presidente do clube, o general Eduardo José Barbosa, o “Executivo não consegue governar porque o Congresso não deixa”, acrescentando que o “parlamentarismo branco” que se esboça no regime político do país é o “Congresso querer fazer o papel do Executivo”, forçando Bolsonaro a fazer “barganhas espúrias”.

Esse alinhamento autoritário de parte das Forças Armadas e do Exército não é novidade. No último ato convocado por Bolsonaro contra o Congresso e o STF (e que foi transformado pela grande mídia em ato “pró-reforma da previdência”) no ano passado, o Clube Militar teve o mesmo posicionamento. E diante de mais um episódio da crise política entre Bolsonaro e as instituições do regime, a associação, sob o comando de generais aposentados e da estirpe mais reacionária, mais uma vez aposta na marcha autoritária. No entanto, a situação se torna mais complicada quando, por um lado, os militares cada vez mais ocupam postos-chave no governo Bolsonaro, inclusive com generais que há pouco tempo estavam na ativa, como Braga Neto, e por outro, depois dos motins altamente reacionários da polícia no Ceará, que claramente é uma expressão do avanço estimulante do bolsonarismo nesse setor para ações do tipo, e que contaram com o apoio explícito do próprio Bolsonaro. Contudo, por mais que esses eventos nos coloquem em posição mais vigilante aos ímpetos autoritários de Bolsonaro, não está claro o quanto as Forças Armadas estão convencidas numa marcha autoritária contra o regime, inclusive nem há um ambiente propício a um alinhamento em torno dessa solução, já que o motivo principal para um horizonte de fechamento do regime – o avanço da luta de classes – ainda não se faz presente de forma mais intensa, apesar da recente greve nacional dos petroleiros contra a política privatizante de Guedes-Bolsonaro.

No entanto, esse alinhamento de parte dos militares fez acender a preocupação de setores relevantes da burguesia. Como mostra artigo de Merval Pereira, um dos principais editorialistas do O Globo, e, portanto, um dos principais porta-vozes da política da família Marinho, seria um erro os militares caírem numa “aventura perigosa” com Bolsonaro contra as instituições. No entanto, nem uma palavra contra as reformas, pois, o que se trata para O Globo e as demais frações burguesas é a forma como as reformas serão aplicadas, preferencialmente num regime de fachada democrática, que apesar de estar na UTI constitucional depois do golpe de 2016, seria o mais conveniente para avançar como um trator sob os direitos dos trabalhadores. Ou seja, é a velha ladainha da “defesa das instituições” contra a escalada autoritária bolsonarista, cantada pela oposição da direita tradicional e por setores do PT, do PC do B e, inclusive, pela esquerda, como a maioria dos parlamentares do PSOL.

De qualquer forma, não podemos ficar refém de nenhum dos bandos bonapartistas, setores igualmente a favor da destruição dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores. É preciso que contemos com nossas próprias forças para combater a escalada autoritária promovida pela extrema-direita e as reformas pró patronais que ainda são o programa de governo para qualquer marionete que venha a exercer o poder, seja Bolsonaro, os militares ou a velha direita. Para isso, o Esquerda Diário está se somando – e convocando todos os leitores – aos atos chamados para o dia 14/3 em memória de Marielle Franco e ao do dia 18/3 na paralisação da educação. Chamamos aos trabalhadores e a juventude que se organizem em cada local de trabalho e estudo, exigindo das direções sindicais (CUT e CTB) e estudantis (CAs, DCEs e UNE) que convoquem assembleias e um plano de mobilização para efetivar pela base a construção das jornadas de protesto e manifestações nesses dias, e assim transformar o dia 18 numa grande paralisação nacional contra o golpismo bolsonarista e as reformas em curso.




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