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Mais uma vez, caos e descaso com os professores categoria O na atribuição de aulas em SP

Chega janeiro, a história se repete no estado de São Paulo: milhares de professores e candidatos a professores passam pelo caos e a humilhação na atribuição de aulas na rede pública estadual, enquanto o governo finge que nada tem com relação a isso. E neste janeiro, apesar de ser tudo online, o desrespeito com os trabalhadores e o desespero dos desempregados não está sendo diferente.

quinta-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Todo início de ano a mesma tragédia reprisa diante dos olhos de milhares de professores. São as atribuições de aula dos conhecidos como “categoria O”: aqueles docentes que são fundamentais para a existência e funcionamento das escolas, muitos dedicando anos de vida profissional à rede estadual, mas que não possuem os mesmos direitos dos efetivos, vivem de substituições e com jornadas exaustivas em diversas escolas. Ao longo de 2020 foram ainda aqueles cerca de 35 mil professores que ficaram sem receber seus salários, justamente por receberem por aula atribuída e, devido à pandemia e o fechamento das escolas, não terem aulas para dar.

Em outras palavras, o que vemos todos os anos é o contínuo e reiterado descaso do governo de São Paulo - hoje sob o comando de João Doria, mas sempre sob o PSDB - com a educação e seus profissionais. A humilhação anual diante do “planejado e pensado” caos das atribuições, o fantasma do desemprego rondando, passando por um ano de pandemia banhado não só pela angústia e o luto, mas também pelas dívidas e a fome, esse é o legado do tucanato para a educação paulista, ao qual Doria faz jus e segue à risca o papel de inimigo dos professores.

E como, infelizmente, não era de se esperar diferente, em 2021 o ciclo se reinicia. A atribuição está sendo online, sendo que na manhã deste dia 20 estava programada a manifestação de interesse pelas vagas e, à tarde, a atribuição das aulas. Não havia nenhuma informação nos sites que orientassem como seria essa atribuição online, ficou à cargo dos próprios professores e coordenadores irem se ajudando nesse processo. O site foi se sobrecarregando e saía do ar a todo momento, devido à quantidade de acessos. Em meio à esse exercício de paciência, professores relataram ainda que após escolherem as escolas, a relação sumia, fazendo que se iniciasse tudo novamente, em uma exaustiva repetição.

O que também não ficava claro era se essa atribuição era somente para os professores que já possuem contrato aberto com o estado ou também se aplicava aos candidatos à professores que estão se cadastrando esse ano para as 10 mil vagas para o retorno presencial, divulgadas em Diário Oficial no início de janeiro. Em nenhum site ou página ligada seja à Secretaria de Educação do Estado, seja ao Banco de Talentos onde foi feita a inscrição, dava qualquer informação. No edital de inscrição, a informação é apenas que essa data será informada futuramente. No site da Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos – CGRH da secretaria de Educação de SP, responsável pelo edital, as últimas informações referentes à atribuição de aulas são de 2018.

Mais uma vez, um enorme show de descaso e desinformação do governo estadual com os professores, gerando desgaste e ansiedade naqueles que já sofrem diante do desemprego, que ficam apenas com mais dúvidas a respeito de seus futuros próximos, ameaçados pela falta de salário. João Doria tenta se aproveitar dessa crise sanitária que vivemos - agravada justamente pelo combate não dado pelos governos, que priorizam os lucros dos empresários e seus próprios interesses ante a vida da população - para posar de bom moço que brigou pela vacina, chora lágrimas falsas com o início da vacinação no país, enquanto mais uma vez cumpre sua agenda de ataques aos professores. Quer impor um retorno inseguro e sem discutir com os trabalhadores da educação e a comunidade escolar, pois para os governo, a vida dos trabalhadores nada vale, principalmente os mais precários.

Post da professora e diretora pela oposição da APEOESP, Maira Machado.

Assim, os novos professores ficam à deriva, sem saber o que e quando esperar, e os que já tinham contratos também passam mais uma vez por essa situação de caos e descaso. Todo um processo feito para eliminar diversos trabalhadores antes mesmo de começarem, já dividindo de antemão os que seguirão desempregados e os que serão precarizados, com salários baixos, jornadas extenuantes e nenhum direito.

João Doria e o PSDB apenas mostraram o que sempre foram: inimigos dos trabalhadores. Essa humilhação recorrente precisa acabar, é urgente a efetivação de todos os professores categoria O e a abertura de novos concursos para suprir a necessidade de professores na rede estadual, garantindo salário e direitos a todos trabalhadores da educação.




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