Sociedade

ELEIÇÕES 2018

Mais uma provocação de Eduardo Bolsonaro ao STF: “a gente não vai se dobrar a eles não”

Em discurso, o filho do candidato Jair Bolsonaro, herdeiro do autoritarismo da ditadura militar e bajulador de torturador, fala que o possível governo de seu pai não se dobrará ao STF, mas sabemos que ambos estão ligados intimamente para dar continuidade ao golpe e aos ataques econômicos às massas trabalhadoras.

Rafaella Lafraia

São Paulo

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

E mais uma vez surge um discurso de Eduardo Bolsonaro (deputado federal reeleito, PSL – RJ) ameaçando o judiciário. Neste discurso, realizado em 12 de julho, para a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, o filho do candidato à presidência, Jair Bolsonaro, tenta, mais uma vez, passar uma "disputa de forças", entre a "corte de extrema direita" do herdeiro do autoritarismo da ditadura militar e bajulador de torturador e as instituições que foram os pilares do golpe institucional e da manipulação completa dessas eleições.

No conteúdo do discurso, Eduardo Bolsonaro, fala sobre a “Ditadura do Supremo Tribunal Federal” (STF) ao comentar a possibilidade da volta do voto impresso, como mostra a revista Fórum. O deputado coloca que tanto os juízes quanto os ministros acreditam ter “o rei na barriga” e que o futuro presidente, sendo este seu pai, e sua “corte” não se dobrariam ao STF, caso esta instituição declarar inconstitucional as medidas e projetos aprovados pelo próximo presidente.

Em nota, o Estadão afirma que deputado aborda uma possibilidade de ruptura mais dolorosa do que apenas alterar a composição do tribunal, além de debochar dos ministros e da instituição colocando que duvida da realização de manifestações em defesa de ministros da Corte.

Na semana passada já havia viralizado um vídeo de Eduardo Bolsonaro provocando o Supremo Tribunal Federal (STF). Devido à grande vinculação deste vídeo, com a espada no pescoço e tentando apaziguar qualquer possibilidade de fissura entre o judiciário e seu possível governo, Jair Bolsonaro saiu com uma declaração falando que já havia “dado uma bronca” em seu filho.

Ao mesmo tempo em que o traço distintivo do regime político hoje é o crescente autoritarismo judiciário - que nestas eleições manipuladas terminou por beneficiar a extrema direita representada por Bolsonaro -, há marcas claras de que atritos começam a surgir entre o judiciário (especialmente o STF) e Bolsonaro.

Como discutimos nessa análise, o surgimento deste fato constitui um recurso de que dispõe o judiciário para condicionar e controlar Bolsonaro, que pelo tipo de movimento que expressa, é mais incontrolável do que outros elementos do regime; trata-se de colocar a "espada de Dâmocles" da Lava Jato sobre sua cabeça, e limitar o alcance medidas não negociadas com o regime, caso venha a ser presidente

Com estas disputas e a possibilidade de maiores contradições no interior de uma institucionalidade instável, cumpre lembrar um ponto em comum: atacar os trabalhadores e fazer com que sejam as massas as que paguem pela crise

Assim, precisamos colocar em prática uma luta realmente eficaz contra estes joguetes de autoritarismo, dos ataques de extrema direita, do golpismo e das reformas. Para tal, somente a mobilização nas ruas, com a força dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros e LGBTs, organizados em milhares de comitês de base em todo país, e que podem dar a real saída para a crise orgânica que vivemos desde 2016. Precisamos ir além das eleições e exigir das centrais sindicais (em primeiro lugar a CUT e a CTB) e das organizações estudantis que saiam da paralisia e lutem para barrar todos estes ataques.




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