Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Mais uma mulher morta vítima de feminicídio em Juquiá

Jennifer Morais Belo havia se mudado para Praia Grande para fugir das agressões e ameaças do ex-companheiro, Luciano Borges da Silva. Foi morta a facadas no domingo.

terça-feira 26 de setembro| Edição do dia

Foram 4 boletins de ocorrência registrados por Jennifer, de 20 anos, durante os 6 anos de relacionamento com Luciano, de 37 anos. Moravam em Guarulhos e tinham um filho de 4 anos. Jennifer havia se mudado para a casa da mãe, que também morava em Guarulhos há alguns meses. Porém, as ameaças e agressões continuaram. Fugindo dele, mudou-se para Praia Grande, na casa de parentes.

A partir de um post no facebook, Luciano Borges descobriu que Jennifer passaria o fim de semana em Juquiá, na casa da avó. Foi até lá, invadiu a casa, ferindo dois amigos da família da vítima e golpeando Jeniffer com 20 facadas. Ela não resistiu e morreu na ambulância. O assassino fugiu e ficou foragido até segunda-feira, quando foi encontrado e preso ao tentar embarcar em um ônibus para Guarulhos.

Jennifer tinha apenas 20 anos e deixa um filho de 4. Registrou 4 boletins de ocorrência, sem que nada fosse feito para garantir sua segurança. Hoje ela faz parte da triste estatística do feminicídio no país. O estado brasileiro pouco ou nada fez para que essa tragédia fosse evitada. E foram 4 boletins de ocorrência!

No capitalismo o mínimo direito a vida é negado às mulheres. Vale lembrar de outro caso que escandalizou o país, a morte de Elisa Samúdio pelas mãos do Goleiro Bruno e seus comparsas. Elisa também buscou a justiça por 8 vezes! São 11 anos da lei Maria da Penhae o estado falha miseravelmente em garantir a vida das mulheres. O Brasil, de acordo com o Mapa da Violência de 2015, é o 5º país no ranking de violências contra a mulher. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada, a cada 1 hora e meia uma mulher é assassinada vítima de feminicídio. Uma mulher em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência. A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas.

É preciso exigir dos governos um programa sério de combate à violência contra a mulher que combata e previna a violência e o feminicídio, que inclua casas abrigos transitórias para as mulheres vítimas de violência, licenças remuneradas do trabalho, seguro-desemprego que cubra o custo de vida para todas as mulheres que necessitarem, acesso a crédito familiar sem taxa de juros para que as mulheres possam restabelecer suas vidas.

Jennifer teve sua vida tragicamente interrompida aos 20 anos! Quanta vida tinha pela frente. A dor e revolta dessa morte brutal deve se transformar em luta contra o velho sistema, contra o velho patriarcado. É preciso fazer surgir um mundo novo, parido do ódio e revolta do velho mundo podre capitalista. Um mundo onde a vida das mulheres valha.

A revolucionária Louise Michel já anunciava, no século XIX:

"Cuidado com as mulheres quando sentirem nojo por tudo que as rodeiam e se levantarem contra o velho mundo. Nesse dia, nascerá o novo mundo!”

Nos levantemos para lutar por um mundo novo, pela emancipação das mulheres e dos explorados e oprimidos do mundo. Nos levantemos para exigir que, se não foi a primeira, que Jennifer seja a última mulher morta pelo machismo!

Jeniffer, presente!
Nem Uma a Menos!
Basta de Mulheres mortas pelo machismo e pelo capitalismo!




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