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CAMPINAS

Mais um jovem assassinado pela polícia em Campinas

Renan estava saindo da escola onde procurava uma vaga quando foi baleado pela polícia militar na região do Ouro Verde em Campinas. Depois de sete dias na UTI, faleceu na tarde desta segunda (08) no Hospital Ouro Verde.

terça-feira 9 de agosto| Edição do dia

O estudante de 17 anos ainda vestia roupa do trabalho e procurava uma vaga para o período noturno numa escola da região quando foi baleado nas costas pela Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam). Hipocritamente, no boletim de ocorrência registrado na 2ª Delegacia Seccional a polícia declara que o disparo, que atingiu o jovem nas costas enquanto andava de moto, foi acidental.

O jovem foi levado ao hospital e passou por uma operação no mesmo dia em que foi baleado, já havia perdido um rim e seguia recebendo muita solidariedade de colegas de escola, professores e moradores da região que organizaram doação de sangue e visitas constantes.

A moto em que andava foi devolvida a sua irmã e a arma usada pelo policial para atirar no jovem foi recolhida pela perícia. O caso será investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e infelizmente sabemos que no Brasil onde a polícia investiga seus próprios crimes, forja provas e massacra jovens negros e pobres nas periferias, não costuma existir justiça quando o assassino está fardado.

Segundo dados do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de SP, mais de 90% dos casos de assassinatos feitos por policiais são classificados como resistência seguida de morte são arquivados sem nem mesmo ir a julgamento. Os mecanismos da justiça dos ricos protegem a polícia e a responsabilidade do Estado com as tantas mortes de jovens no país.

Diferente do que o governo Alckmin diz ao tentar justificar o fechamento de escolas, Renan era um de tantos jovens que precisa estudar a noite para trabalhar e ao tentar pedir sua transferência recebeu como resposta salas fechando, escolas que parecem verdadeiras prisões e uma polícia assassina como esta. Infelizmente Renan não foi o primeiro estudante da região a sofrer tamanha brutalidade policial, e provavelmente não seja o último, é um entre tantos jovens trabalhadores da periferia que fazem parte de um massacre que acontece com a juventude.

Muitos estudantes da região foram ao hospital ainda na noite de ontem prestar sua ultima homenagem. Muitos jovens, professores e moradores estarão esta manhã na última despedida. A dor da perda de mais um jovem assassinado pela polícia sob responsabilidade desse Estado, fortalece a certeza de que é preciso resistir e se organizar para combater esse sistema capitalista miserável que com seus governos e polícia não garante nem o direito a vida da juventude.




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