BOLSONARO RACISTA

Mais racismo: "Pra que cotas?!" e "Portugueses nem pisaram na África!", diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, deu mais uma demonstração de ignorância e racismo em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 31 de julho| Edição do dia

No Roda Viva desta segunda (30), Bolsonaro passou vergonha e fez os espectadores assistirem mais uma vez à mentiras, absurdos e também racismo. Ele disse que só não acaba com a reserva de vagas para negros nas universidades públicas porque essa decisão depende do Parlamento: “Vou propor, quem sabe a diminuição do percentual…”, afirmou.

É dessa forma que o reacionário se coloca em relação à luta da juventude pela democratização da educação. O bloco começou com uma pergunta de Frei David, da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) sobre cotas raciais, ao que Bolsonaro respondeu que não via justiça e embasou seu argumento na caquética e falaciosa lógica da meritocracia.

“Por que essa política de dividir o Brasil? De dividir entre brancos e negros?”, disse Bolsonaro. Quando foi disparada contra ele uma pergunta sobre a dívida histórica de exclusão dos negros, ele indagou: “Mas que dívida? Eu nunca escravizei ninguém!”.

Se já não bastasse isso, Bolsonaro ainda teve a capacidade de afirmar que “o português nem pisava na África. Foram os próprios negros que entregaram os negros” e, em seguida, que os portugueses “faziam tráfico, mas não caçavam os negros”, que eles “pagavam pra isso”. A coroação do racismo esteve ainda no reforço do mito da democracia racial, que diz que não existe racismo no Brasil por causa da miscigenação, ou, nas palavras de Bolsonaro: “somos todos misturados”, demonstrando que parou no século passado, se tanto.

No começo de 2017, Jair Bolsonaro ainda atacou quilombolas e indígenas no Clube Hebraica, Rio de Janeiro. Disse que, se fosse eleito, acabaria com as reservas de vagas indígenas e quilombolas, e que, quando foi a um quilombo, “o afrodescendente lá pesava sete arrobas”, naturalizando o horror e absurdo passado de escravidão escancarada do povo negro no Brasil. Fazendo o cínico, respondeu que não viu racismo no que afirmou, “Não vi maldade nisso (...) O racismo é você impedir um afrodescendente de fazer alguma coisa. É não promover um negro porque ele é negro”.

Em verdade, as conquistas de cotas pelas lutas estudantis e dos trabalhadores que permearam as universidades brasileiras (USP e Unicamp nos últimos anos) dizem aos racistas, com suas reitorias privilegiadas de altos salários e aos governos, que não devemos aceitar uma educação restrita. A abertura do acesso de jovens negros e indígenas é um choque para o projeto de universidade branco e de lucro voltado para as empresas que temos hoje.

Esse acesso serve para começarmos a questionar o conhecimento que produzimos hoje e quem gere as universidades brasileiras. Não será um Bolsonaro destilando racismo que nos fará esquecer que são nessas mesmas universidades que é terceirizado o trabalho de mulheres negras, sem direitos trabalhistas e de sindicalização.

Estamos aqui para devastar Bolsonaros de todo o tipo e devastar o poder dos que sempre mantiveram seus privilégios em cima de opressão e exploração, para defender igualdade de direitos entre negros e brancos no trabalho e em toda a vida, derrubando os muros e os vestibulares das universidade e colocando-as a serviço dos trabalhadores e da população.




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