Internacional

NOTAS MILITANTES

Mais do que nunca, lotar Atlanta com todas as nossas bandeiras

O triunfo de Trump, uma direita fortalecida em vários países e o fracasso dos "progressismos", reforça a necessidade de uma alternativa política da classe operária anticapitalista e anti-imperialista.

Christian Castillo

@chipicastillo

quinta-feira 10 de novembro| Edição do dia

A vitória de Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos criou um verdadeiro terremoto político. Que um demagogo reacionário, multimilionário, misógino e racista tenha canalizado a raiva da elite política e econômica yanqui é resultado, no marco da crise capitalista internacional em curso, da falta de alternativa própria dos trabalhadores e a juventude norte-americana, como já vimos em outros países. O descontentamento pela esquerda que durante o processo eleitoral se expressou no voto à candidatura de Sanders nas internas do Partido Democrata, foi levado por este por trás de uma candidata do establishment como Hillary Clinton, o que não fez senão facilitar a demagogia de Trump. Muitos afro-americanos, latinos e jovens não foram diretamente votar, desiludidos depois de oito anos de governo Obama, onde continuaram as políticas neoliberais, o guerrerismo imperialista, os aumentos da desigualdade e o racismo policial.

Tal vitória do candidato republicano, assim como as distintas variantes da direita que se fortalecem em diversos países frente ao fracasso dos projetos de "centro" ou mal chamados progressistas que aplicaram ajustes contra o movimento de massas, reforça a necessidade de construir uma alternativa política própria da classe operária na Argentina e a nível internacional, que brigue por uma saída anti-imperialista e anticapitalista perante as crises em curso.

Por isso, o Ato da FIT em Atlanta tem tamanha importância. Que a FIT busque conquistar um forte peso é uma necessidade para todos os lutadores do país, para os trabalhadores, as mulheres e a juventude que veem como seus direitos são avassalados pelo governo e as patronais, com o aval do PJ -do qual são parte os K- e a burocracia sindical que está em uma escandalosa trégua enquanto passam os ajustes. Para todos os que lutam e se organizam e para os simpatizantes da esquerda, lotar Atlanta é um grande desafio.

Queremos que venham e tomem este ato em tuas mãos para mostrar a força que tem a esquerda que levanta uma perspectiva de conjunto sem a qual não é possível evitar que terminemos pagando pela crise com piores salários e piores condições de trabalho, saúde e educação para os trabalhadores, mulheres e juventude. Para lutar sério contra o ajuste e os que ainda virão, necessitamos construir uma organização que tenha o objetivo estratégico de acabar com uma sociedade onde 40% da Argentina vive com salários de menos de 6000 pesos, onde as mulheres são submetidas à violência machista e morrem por feminicídios e abortos clandestinos, e onde a juventude não tem futuro pois os níveis de desempregos que sofrem são o dobro que do resto da classe trabalhadora. O capitalismo é um regime social para um punhado de milionários que deixa na miséria e oprime a imensa maioria do país e do mundo.

Por isso, quando lutamos dia a dia nas fábricas e sindicatos para recuperar as organizações operárias e colocá-las à serviço da luta, o fazemos com um norte bem claro: acabar com a divisão da classe operária e avançar na organização política e sindical de milhares de trabalhadores, mulheres e jovens, com o objetivo estratégico de acabar com a exploração. Nosso horizonte não pode ser somente conquistar uma melhor paridade, porque se não os setores mais precarizados de nossa classe terminam por confiar nos demagogos ou colocando a culpa de seus sofrimentos nos imigrantes. Nesta perspectiva, nossos companheiros e companheiras, cada vez que conseguem um posto sindical, lutam pelos contratados e terceirizados com a mesma força que lutam pelos efetivos, impulsionam a organização ampla de todos os ativistas e, por sua vez, dão batalhas para que a classe operária avance em sua consciência, encorajando a militância política, por exemplo, através de centenas de candidaturas de trabalhadores e trabalhadoras nas listas da FIT. Porque os trabalhadores não só podem lutar, como também podem fazer política, construir seu próprio partido e conquistar uma força que tenha o objetivo final de terminar com este regime infame e impor uma sociedade sem exploração nem opressão. Lutamos por um movimento estudantil combativo e pró operário e por um movimento de mulheres que se organizem democraticamente. Para que possam ser centenas de milhares de companheiras a emcabeçarem a luta de todos, para enfrentar esta sociedade patriarcal e seus feminicídios, assim como a influência reacionária da igreja. Lutando com especial força pelos direitos das mulheres trabalhadoras que sofrem opressão e também a dupla exploração: a do trabalho e a da atividade doméstica. O movimento de luta das mulheres não tem futuro se não busca se unir à classe trabalhadora, que é a classe que tem a força social e o programa histórico capaz de libertar o conjunto dos explorados e oprimidos. Caso contrário, os trabalhadores, e inclusive muitas mulheres, terminarão apoiando personagens misóginos e reacionários.

Para isso, não basta obter mais votos e mais parlamentares, tampouco ter mais cargos sindicais. Esses são meios para melhorar nossa luta. E nossa luta é para gerar a força e a organização para que as crises não continuem sendo pagas pelos trabalhadores e sim para que as paguem os capitalistas; para o qual será necessário uma mobilização revolucionária para acabar com o capitalismo, conquistar um governo dos trabalhadores que inicie a construção do socialismo, uma sociedade livre de toda opressão e exploração, que somente podemos conquistar plenamente a nível internacional.

Para deixar mais forte e difundir estes grandes objetivos, partindo do curso de todas as lutas e batalhas políticas imediatas, queremos lotar Atlanta e para isso necessitamos de vocês. Não será o mesmo se vierem ou não vierem. Para apoiar e ser parte desta luta que damos, vale a pena "perder" um sábado para ganhar e multiplicar nossas forças. Te esperamos com suas famílias, com seus amigos e companheiros de trabalho e estudo. Mais que nunca, vamos lotar Atlanta com todas nossas bandeiras e com todos os companheiros e companheiras. Para que o desgosto com o presente não seja canalizado por reacionários do tipo Trump, como acaba de acontecer nos Estados Unidos. Por uma saída anti-imperialista e anticapitalista, venha com a Frente de Esquerda para Atlanta, junto de milhares de lutadores e da classe operária, da juventude e do movimento de mulheres.

Tradução: Raíssa Campachi




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