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TRANSPORTES ABC

Mais de mil trabalhadores dos transportes no ABC estão há 44 dias sem receber salários

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Grande ABC, a situação dos trabalhadores do transporte da empresa Baltazar é revoltante. Os trabalhadores já estão a 44 dias sem receber. Nenhum trabalhador recebeu seu adiantamento de salário no dia 20 de Abril, não receberam seu ticket alimentação no 1º de Maio, e tampouco seu salário no 5º dia útil. Se isso por si só já era absurdo, ainda desde 30 de Março não foi pagou aos trabalhadores o seu Convênio Médico. Num momento de aprofundamento da pandemia no Brasil, com mais de 13 mil mortes, os trabalhadores essenciais como do transporte, que estão em riscos de contaminação e de suas famílias estão a própria sorte.

Virgínia Guitzel

Travesti, jovem trabalhadora e estudante da UFABC

quinta-feira 14 de maio| Edição do dia

Segundo o sindicato dos trabalhadores, diversos funcionários foram colocados em férias no início de abril e que, pela convenção trabalhista, deveriam receber no início de maio, o que não ocorreu. Além de férias, não houve pagamento também de salários e vales-alimentação. Há ainda a possibilidade de corte do plano de saúde.

A greve de ônibus que atingiria parte do ABC Paulista nesta quinta-feira, 14 de maio de 2020, foi adiada após o Grupo Baltazar pagar o convênio médico e sinalizar que iria pagamento de salários, férias e benefícios que no entanto, ainda não foram depositados. Um dos proprietários do grupo, Dierly de Sousa, filho de Baltazar José de Sousa, prometeu fazer os depósitos até sexta-feira, 15, assim que receber repasses financeiros da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

No aviso de greve enviado às empresas do grupo, à EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (linhas intermunicipais), à SATrans (gerenciadora dos transportes municipais de Santo André), e ao sindicato que reúne as empresas de ônibus do ABC, o Sintetra informou que as companhias não estão realizado os pagamentos previstos em convenção coletiva. 

A empresa alega que devido a Pandemia não teriam dinheiro para pagar os funcionários. O que eles não dizem é que diferente dos trabalhadores, que seguem sem seus salários - sua única forma de sobrevivência - as empresas de transportes, ano após ano, aumentam suas tarifas e reduzem seus custos com a redução de funcionários, como a extinção da função dos cobradores. É inadmissível que utilizem este argumento, pois passaram anos lucrando e acumulando fortunas, sem garantir melhores condições de vida para seus trabalhadores e menos ainda melhores condições de transporte para seus usuários.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com todos os trabalhadores que neste momento de calamidade social ainda enfrentam as patronais que para garantir seus lucros colocam seus funcionários em situações ainda maiores de vulnerabilidade.

Achamos que o Sindicato deveria exigir a abertura do livro de contas destas empresas para que provem que não tem dinheiro para pagar seus trabalhadores. Assim como garantir assembleias e reuniões com as devidas medidas sanitárias de segurança, mas que permita com que os trabalhadores possam através de seus métodos de luta impedir com que os capitalistas façam que sejam eles a pagar pela crise.

Convidamos todos os trabalhadores que quiserem denunciar em nossa diário suas situações de assédio, atraso de pagamentos ou outros problemas que estejam passando que nos envie seu relato, com garantia que terá seu direito ao anonimato. Nosso Diário está a serviço de fortalecer sua luta e de que os trabalhadores apontem uma alternativa progressista a crise sanitária e econômica que passamos. Confiamos na poderosa força e no potencial da classe trabalhadora para organizar o enfrentamento a Covid-19 e a economia, uma vez que é a classe que tudo produz e que a única que pode garantir os interesses da maioria da população.




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