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FURACÃO MATTHEW

Mais de mil mortos no Haiti pelo furacão Matthew

As autoridades declaram três dias de luto enquanto enterram corpos em fossas massivas entre temores de um novo surto de cólera.

quarta-feira 12 de outubro| Edição do dia

O furacão Matthew se foi essa manhã das zonas costeiras dos EUA, depois de ter enfraquecido, passando de furacão a ciclone tropical. Deixou para trás 19 mortes no país norte-americano e mais de mil no Haiti, onde existe uma crise de saúde pública surgindo pela propagação da cólera.

Menos de uma semana depois que o furacão atingiu o Haiti, os casos de cólera aumentaram exponencialmente nas comunidades rurais que agora carecem de água potável, comida e lugares de refúgio. Em algumas zonas, quase todas as casas foram vistas reduzidas a pouco mais que escombros e para cima de uns 80% dos cultivos se perderam, junto com grande parte do gado.

"Parece que tinham instalado uma bomba nuclear" disse Paul Edouarzin, um empregado do Programa Ambiental das Nações Unidas com sede perto de Port-a-Piment. "Em termos de destruição, a nível ambiental e agrário, posso dizer que 2016 é pior que 2010", agregou, referindo-se ao terremoto devastador de 2010 de que o Haiti ainda não tinha se recuperado.

O país é o mais pobre da região e as construções em muitas zonas são indevidas e propensas a inundações. Enquanto a capital e a cidade maior, Port-au-Prince sofreu poucos danos, o sul se viu devastado. O colapso de estradas e pontes dificultou a chegada de equipes de assistência as milhares de pessoas que necessitam de ajuda, segundo CARE França, um grupo humanitário.

Uma das maiores preocupações são as consequências da propagação de cólera, que desde o terremoto de 2010 matou cerca de 10.000 pessoas. Esta doença se transmite através de água contaminada e tem um curto período de incubação, o que leva a surtos rápidos de infecção. Provoca quadros graves de diarreia e pode ser letal em questão de horas em caso de que não seja tratada a tempo.

As autoridades tem começado a enterrar os mortos em fossas massivas em algumas zonas, como Jeremie, uma cidade de 30.000 pessoas, a medida que os corpos começam a se decompor. Segundo o último balanço provisional publicado pela proteção civil, as autoridades estimam o total de mortos em 336, porém fontes de organismos de socorro e autoridades locais asseguravam que as vítimas letais já são mais de 1000.

Os funcionários tem entregue alimentos aos povoados mais afetados, como Jeremie, porém são insuficientes. Também, se estão utilizando ao menos 156 escolas como refúgios para os danificados, porém muito dos estabelecimentos educativos estão terminando inundados ou destruídos e segue havendo muitas pessoas sem teto. "Temos sido abandonados por um governo que nunca pensa em nós", disse Marie-Ange Henry, ao revisar sua casa destruída no povo de Chevalier, onde a população não tinha recebido nenhuma assistência até o momento.

O furacão também tem provocado a destruição nos EUA, onde deixou oito mortos na Carolina do Norte, seis na Flórida, quatro na Geórgia e um na Carolina do Sul. Na Carolina do norte tem causado inundações, milhares de evacuações e falta de energia em mais de 800.000 casas e comércios.

Matthew chegou a ter a categoria de 5 e foi o furacão mais potente que se formou no Atlântico desde Felix, em 2007, deixou mais de 130 mortos em Nicarágua. Nesta temporada de furacões no Atlântico, se formou quatorze tormentas tropicais, das que seis se converteram em furacões. Apesar destes dados, nos meios massivos se tem falado pouco e nada da relação entre a crescente intensidade e frequência das tormentas nesta zona e a mudança climática, que foi um fator determinante na atividade dos furacões.




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