Política

CAMPINA GRANDE (PB)

Mais de 300 pessoas debatem em Campina Grande (PB) sobre a conjuntura política do golpe

No sábado, 07 de maio foi realizado na cidade de Campina Grande (Paraíba) um debate sobre conjuntura política intitulado “Tempos de crise: Impeachment ou golpe?”, que contou com a participação do professor de Ciência Política da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Gonzalo A. Rojas do Jornal Esquerda Diário, junto com o Professor Ciro L. de Azevedo e o advogado Dr. André Ribeiro Barbosa.

Shimenny Wanderley

Campina Grande

domingo 8 de maio| Edição do dia

Mas de 300 pessoas lotaram o local e participaram do debate político durante quatro horas organizado pela Livraria Nobel da cidade. Se destacou no público a presença de estudantes secundaristas, universitários, professores e advogados.

O Dr. André Ribeiro Barbosa, foi o primeiro a fazer sua apresentação, focando nos elementos jurídicos que poderiam constituir ou não o golpe. Entendendo que não existiam razões jurídicas reais para isso, sublinhando o valor da constituição e da democracia que devia ser defendida. Sua intervenção acaba confiando nos mecanismos institucionais que na sua opinião deveriam ser “bem” aplicados pela justiça.

Pela sua vez, o historiador Ciro de Azevedo fez uma intervenção mais geral desde um marco teórico eclético, mas onde remetia a história para poder entender a conjuntura e a atual situação política do pais.

O professor Gonzalo A. Rojas iniciou sua fala com uma introdução onde explicitou para o público desde onde ele falava, o Jornal Esquerda Diário (Brasil) impulsionado pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) que faz parte de uma rede internacional de jornais que inclui La Izquierda Diário de Argentina, México, Chile, Uruguai e Bolívia, Izquierda Diario Espanha, Revolution Permanente de França e Left Voice nos Estados Unidos.

Logo as duas primeiras ideias centrais que foram argumentadas. Em primeiro lugar que estamos frente ao fim de ciclo dos governos ditos “pós-neoliberais” na América Latina e um giro a direita na superestrutura política latino-americana e no segundo que existe uma articulação entre crise econômica e crise política que se aprofundam e aceleram os tempos políticos.

Num segundo momento escolheu falar da conjuntura política mais imediata. O afastamento de Cunha pelo STF entendido como uma forma de lavar a cara do golpe e não como um triunfo dos trabalhadores e da juventude, as dificuldades de Temer para construir sua própria governabilidade e como todo isso tem relação com a preocupação internacional e agora também nacional de construir o golpe, ajustar ainda mais que o governo Dilma e o PT mas evitando uma explosão da luta de classes.

Foi analisada também o esgotamento da política de conciliação de classes petista e o papel da CUT, da CTB e a UNE e demais organizações governistas na atual conjuntura que afirmam estar contra o golpe mas acreditam que podem parar ele com feijoadas e shows musicais no lugar de lutas efetivas. Um exemplo patético desta situação é chamar a paralisação dia 10 de maio via whatsapp no lugar de organizar a resistência ao golpe nos locais de trabalho e assembleias para frear a ofensiva golpista da direita, mas não fazendo isso de forma separada a luta contra os ajustes de “seu” próprio governo. Como afirmamos desde os editoriais do Esquerda Diário, na verdade esses burocratas tem mais medo da possibilidade de organização independente dos trabalhadores e da juventude que da própria oposição de direita.

Como considerações finais frente a questão que levantou o debate se estamos frente ao golpe ou um impeachment, afirmamos que estamos frente a um golpe institucional, entendemos que o impeachment é um resquício antidemocrático e bonapartista que ficou na constituição produto da transição pactuada. Também que não acreditamos que o Parlamento das negociatas esteja acima do voto de milhões ou na suposta neutralidade de uma justiça de classe que se fortalece dia a dia.
Frente a isso foram levantadas como propostas acabar com os privilégios das castas política e judicial e para isso que os juízes sejam eleitos e que tanto estes como os políticos ganhem o mesmo salário que uma professora. Mas entendendo que esta institucionalidade está esgotada, a saída política não pode ser encontrada nos seus próprios mecanismo institucionais internos mas na convocatória a uma Constituinte, Livre e Soberana como medida transicional no marco desta conjuntura da luta de classes.

Fechada as apresentações e aberto o debate as duas primeiras intervenções tiveram destaques por ser apresentadas por quadros da direita dura. Um jovem militante do Movimento Brasil Livre e um militar retirado com 32 anos de serviço. Fora de acusações morais a mesa como desonestidade tentaram igualar o terrorismo de estado da ditadura militar brasileira com a luta daqueles que resistiram a ditadura mesmo com estratégias políticas que os isolavam da classe trabalhadora, explicitamente Ustra com Marighela. O público não permitiu finalizar a fala do militar ao grito: Abaixo a ditadura!

Não seu encerramento, Gonzalo, além de responder questões sobre o papel do imperialismo norteamericano na América Latina na atual conjuntura, assim como a relação entre superávit fiscal, pagamento de juros da dívida e os cortes na saúde e educação, considerou inadmissível a comparação realizada entre terroristas de Estado e vítimas da repressão militar, a velha e conhecida “teoria dos dois demônios”. A direita protestou a viva voz mas tiveram que engolir respostas ofensivas.

Enfim, foi um importante fato político o debate realizado e serviu claramente para ampliar em diferentes setores o conhecimento do Jornal Esquerda Diário, suas ideias e a do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) de Brasil, com uma visão ofensiva do marxismo e suas relações internacionais.




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