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Mais corpos de crianças negras pelo chão: os recentes, porém recorrentes assassinatos policiais

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

Mais uma criança foi assassinada pelo aparato policial do Estado na última semana. Waldik Gabriel Chagas tinha apenas 12 anos quando morreu baleado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo, na Cidade Tiradentes, Zona Leste da cidade. Poucos dias depois a UPP do Rio matava o jovem Jhonata de 16 anos de idade.

Não faz nem um mês que a PM paulista assassinou Ítalo, de apenas dez anos, também alegando estar se “defendendo” de um “criminoso”. Os casos de Ítalo e Waldik são mais uma trágica mostra de qual é o papel da polícia em nossa sociedade (seja ela militarizada, como a PM que matou Ítalo, ou civil, como a GCM que matou Waldik. Uma sociedade fundada na miséria e na desigualdade, em que o estado mantém um aparato repressivo assassino que mata todos os dias nas periferias, em particular a juventude negra.

A violência e a brutalidade contra os jovens das periferias, em sua maioria negros, não são características apenas da cidade com o maior efetivo policial do mundo, São Paulo. No Rio de Janeiro as UPPs, que mataram Amarildo em 2013, continuam deixando seu rastro de sangue. Os números de casos de tortura e morte de jovens negros e pobres na Bahia são aterrorizantes.

Enquanto isso os policiais assassinos continuam impunes, sempre protegidos por uma série de leis que permitem que um jargão policial paulista os livrem de serem punidos, a “resistência seguida de morte” ou seu equivalente carioca “auto de resistência”. De acordo com dados do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de SP, mais de 90% dos casos classificados como resistência seguida de morte são arquivados sem nem mesmo ir a julgamento. Esses homicídios são arquivados pelos promotores, mostrando que a morte de milhares de jovens cometidas pela polícia é na prática pactuada com o Estado e a Justiça. Além disso, os poucos casos que são levados adiante são julgados por um júri especifico da própria instituição policial, ou seja, são julgados e “condenados” entre seus pares assassinos e racistas.

As leis dessa democracia dos ricos em que vivemos garante que policiais que cometem homicídios sejam inocentados, enquanto a juventude, principalmente a negra e pobre, é criminalizada com a redução da maioridade penal, com a lei antiterrorismo e militarização de escolas, como em Goias, Manaus e Santa Catarina.
São Paulo teve como secretário de segurança Alexandre de Moraes, que atualmente ocupa o posto de Ministro de Justiça do governo golpista de Temer. Saiu do estado deixando como cartão de visita no primeiro dia como ministro a ilegal repressão de estudantes secundarista em São Paulo.

Em momentos de crise econômica e política como a que vive o Brasil é no fortalecimento desta repressão contra a juventude que aposta a burguesia e os governos, para garantir seu projeto de descarregar sobre os ombros dos trabalhadores e mais pobres o pagamento da crise, para assim garantir que seus altos salários e suas vidas de luxo continuem sendo garantidas. Em uma sociedade onde a “farra” de poucos significa a miséria de muitos, o estado garante a ordem das coisas através de seus braços armados, as polícias. A criminalização da pobreza e da juventude negra é fundamental para toda a casta de exploradores.

Por isso lutamos para que nenhum caso de assassinato policial fique impune. Que as polícias não tenham seus privilégios de impunidade e todos casos sejam julgados por juris populares. Para dar um fim a estes assassinatos diários lutamos por uma resposta de fundo que passa pela dissolução de todas polícias. A juventude precisa de educação, lazer, saúde, condições dignas de vida, e não de repressão.




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