Política

DEBATE REDETV

Maíra Machado: "Veto do judiciário e a ausência da crítica à continuidade do golpe"

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

sábado 18 de agosto| Edição do dia

Ontem na Rede TV aconteceu o segundo debate com os candidatos a presidência, novamente não contando com o candidato líder nas pesquisas, o Lula. Mais uma vez escancarando a arbitrariedade do judiciário que enquanto blinda Alckmin, por exemplo, mantém Lula preso numa clara manobra pra escolher a dedo quem será o próximo presidente. Já disse e repito não voto no Lula, nunca votei no PT, mas defendo intransigentemente o direito da população decidir em quem votar.

O debate que ocorreu ontem prova na verdade que nenhum candidato está a serviço dos trabalhadores, enquanto juram glória a Deus e a Sérgio Moro como fez Álvaro Dias, os trabalhadores ficam como meros espectadores dos discursos que defendem um plano de governo que só aprofundará ainda mais os ataques que já estamos sofrendo. Nenhuma denúncia sobre o golpe institucional e sua continuidade com a prisão arbitrária de Lula. Nem mesmo Boulos que se coloca como candidato a esquerda denunciou a enorme manobra que ocorre no processo eleitoral esse ano.

Henrique Meirelles tem a cara de dizer que estão criando milhões de empregos no país quando na verdade temos quase 14 milhões de desempregados no Brasil, o trabalho informal cresce, a precarização com bases na reforma trabalhista só piora a situação de vida dos brasileiros. Reforma esta que é defendida por quase todos os candidatos que nem citam os privilégios de seus próprios cargos e do judiciário, mas enchem a boca pra apoiar as reformas que atacam os direitos mínimos dos trabalhadores.

Enquanto demagogicamente vemos os candidatos falando em investimentos em saúde e educação, fica a contradição, pois não se fala em revogar a PEC 55, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, e muito menos na dívida publica que consome 50% do PIB nacional, enquanto Álvaro Dias diz que 6% do PIB pra educação é um grande investimento se “esquecendo” novamente da PEC 55.

Se apoiando na enorme repercussão que a força das mulheres tem tido internacionalmente é claro que esse seria um tema no debate, mas Bolsonaro defender o direito das mulheres é uma piada, foi ele mesmo que disse que as mulheres deveriam receber menos por que engravidam e que quando foi questionado sobre isso pela Marina Silva disse que ela que não sabe o que é ser mulher. Mas também fica claro que só ser mulher não significa defender o direito das mulheres, pois a própria Marina não defende a legalização do aborto, uma demanda mínima pela vida das mulheres. Ao final os candidatos reivindicam suas vices mulheres, mas só ser mulher não significa estar ao lado dos trabalhadores, Ciro defendendo os índios tendo como vice Kátia Abreu representante do latifúndio que destrói o povo indígena, Alckmin homenageia Ana Amélia, sua vice reacionária.

Alckmin é o maior entusiasta em seu discurso contraditório, diz que vai investir em educação e saúde como prioridade, mas se baseia nas reformas antipopulares de Temer e defende a reforma da previdência como saída para a crise do país, na verdade a saída é pra manter os privilégios da burguesia enquanto os trabalhadores pagam pela crise capitalista. Defende as privatizações de boca cheia num claro plano de aumentar a submissão do Brasil ao imperialismo, enquanto é blindado pela Lava Jato pra poder defender esses interesses. O próprio Alckmin envolvido no roubo de merenda escolar, que fechou quase 100 escolas (e só não foi mais por conta da enorme luta que os secundaristas travaram) além de demitir centenas de professores e defender o arrocho salarial, por que professor tem que trabalhar por amor.

Mais um debate que chega ao fim com varias promessas falsas em nome de Deus, com vários planos de melhoria de vida baseado em reformas e ataques aos trabalhadores, em nome da mulher, mas sem defender seus direitos básicos. O debate acabou, mas o golpe continua golpe esse tratado com naturalidade no debate como se estivemos num período eleitoral normal que não fosse comandado pela Lava Jato e pela arbitrariedade do judiciário que mantêm Lula preso e não permite que ele participe do debate, e que com suas manobras quer escolher a dedo quem será o presidente a implementar os ataques que a burguesia precisa para fazer com que nós trabalhadores paguemos pela crise.

Minha candidatura vem com o papel de denunciar esse regime podre, contra as reformas e pelo direito dos trabalhadores, que de fato defende o direito das mulheres, começando pela legalização do aborto, mas também defendendo pra além de igualdade na lei, igualdade na vida!




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