CRISE NO CONGRESSO

Maia por eleições indiretas, ou diretas: mas quem realmente deve decidir?

Buscando sobreviver com mais um "golpe dentro do golpe" armado pelo poder judiciário, 98 deputados se organizam para tentar colocar Maia (DEM) na Presidência

quinta-feira 1º de junho| Edição do dia

Rodrigo Maia, atual Presidente da Câmara dos Deputados, é a aposta para 98 deputados dos 513 em exercício para ocupar a Presidência caso Temer não consiga se manter no cargo, para qual a única analogia possível é que "está tão firme quanto um prego na areia".

Após a delação da JBS e a contínua resistência dos trabalhadores, jovens e movimentos sociais que foram até Brasília no último dia 24 para rechaçar os golpistas e as suas Reformas, a popularidade de Temer só continuou despencando e tanto sua base aliada (Solidariedade e PTB) que não quer se afogar junto ao golpista, quanto os defensores das “Diretas Já!” (PSB, PDT, PT e PCdoB) estão armando um bloco para garantir a manutenção (ou pelo menos relativa) da sua influência política, planejando defender Rodrigo Maia na eventualidade de eleições indiretas, o que está previsto pela Constituição no caso de vacância do cargo da Presidência nos últimos dois anos de mandato.

Com brandas alterações no discurso de Maia, fortíssimo defensor das Reformas Trabalhista e da Previdência e também impulsionador do projeto de terceirização irrestrita, querem fazê-lo parecer "mais tragável" que Temer, defendendo alterações levemente mais brandas e assim continuar fazendo que os trabalhadores e juventude paguem pela crise instaurada, mesmo com 93% da população hoje sendo a favor de eleições diretas, expressando a falta de confiança no Congresso golpista que não quer garantir nem ao menos o direito mínimo ao Sufrágio Universal.

Maia é conhecido também por estar à frente da Reforma Política, em busca de reduzir os direitos já escassos de participação nas eleições pelos partidos de esquerda e minoritários, além do frequente discurso de ódio às LGBTs. A preocupação latente dos 98 Deputados não é referente aos males causados pelas Reformas se aprovadas, mas sim para com a necessidade de reestruturar o regime e aprovar os ataques sem tamanha impopularidade.

A proximidade do PT com Maia não é de hoje, além das inúmeras alianças feitas com o DEM durante os anos em que foi governo, também o apoiaram quando se candidatou à Presidência da Câmara dos Deputados em 2016 e 2017, assim como foi apoiado por Maia nas medidas de ajuste fiscal adotadas pelo PT pelas mãos de Joaquim Levy, então ministro da Fazenda. Enquanto o PT já aplicava os ajustes necessários para poupar banqueiros e empresários dos efeitos da crise. Agora, um ano após o golpe institucional, tentam sobreviver ao ritmo imposto pelo poder judiciário que faz uso das delações e da Operação Lava Jato para arquitetar um golpe dentro do golpe, em cima dos seus antigos aliados e até mesmo o golpista próprio: Temer.

Fica gritante como as “Diretas Já” pedidas pelo PT não são nada menos que uma faceta de quem quer garantir seu pedaço do bolo enquanto garante que a imensa maioria da população, em especial trabalhadores e jovens que rejeitam Temer e suas reformas, tomem as ruas, para assim conhecerem sua verdadeira força e dirigirem o rumo da crise política brasileira pelas suas próprias mãos. Por meio da CUT e da CGT (neste caso o PCdoB), impossibilitam que os trabalhadores se levantem, não organizando assembleias de base nos sindicatos que dirigem e oferecendo meses entre uma ação e outra para a recuperação dos golpistas entre dias de luta nacionais, deixando os próprios lutadores sem perspectivas reais de derrubar Temer com suas próprias forças. Enquanto isso, sua cúpula garante reuniões com os golpistas prestes a serem golpeados e tentam poupar Lula, para garantir sua elegibilidade em 2018.

Mas as eleições diretas, desejadas por uma parcela amplíssima da população (93%), poderiam garantir que não fôssemos nós, juventude e trabalhadores, os imbuídos a pagarem as contas da crise? A terceirização irrestrita e a PEC 241, famigerada PEC do Fim do Mundo, já foram aprovadas pelo Congresso Golpista. Agora fazem parte das regras que determinam seu jogo e continuarão vigentes, aquelas que permitem a formação de uma casta de privilegiados mantidos pelos impostos dos trabalhadores e que governam para e com os banqueiros e empresários. Nos dias 15 e 28, e também no último dia 24 em Brasília, pudemos demonstrar a força que os trabalhadores e juventude tem quando se colocam em movimento, então por que não podemos tomar a resolução desta crise política também nas nossas mãos?

Enquanto o poder judiciário, com Sérgio Moro à frente, atua para substituir o esquema de corrupção PTista da Petrobrás e da JBS por um mais subserviente ao imperialismo, para garantir a implementação das Reformas das propostas e outras que estejam por vir, não é o conjunto do regime que deve ser questionado? Por que juízes que não foram nem sequer eleitos devem definir os rumos do país enquanto recebem salários altíssimos e vivem sob castelos de privilégios? Ao passo que querem conformar um novo golpe em cima de um governo golpista, não tem nem ao menos quem colocar na presidência e abrem cada vez mais espaço para as Forças Armadas e outros setores reacionários como Bolsonaro.

O desemprego avança e já atinge 15% da população economicamente ativa, o poder de compra dos salários diminui a cada mês, enquanto milhões são direcionados aos bolsos dos banqueiros para pagamento da dívida pública. Mais que nunca, é tempo de mudar e redefinir as regras do jogo! Não podemos depender das centrais sindicais para nos organizar, pois elas já mostraram seus reais interesses nesta luta. Temos que, em cada local de trabalho e estudo, organizar assembleias de base e comitês de mobilização amplos, para organizar uma greve geral ainda mais forte para superar o que foi o 28A, até que caia Temer ou o governo golpista que o suceder, para que sejam anuladas definitivamente todas as reformas. Desta forma, defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que as eleições que ocorram sejam para eleger representantes reais desta luta para deixarmos este regime podre para trás.




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