Política

MOURÃO CRITICA MAGNO MALTA E MALAFAIA RETRUCA

Magno Malta, o “elefante na sala” e o Ministério da Família: as rusgas no bolsonarismo

Fernando Pardal

@fepardal

sábado 3 de novembro| Edição do dia

O Senador Magno Malta (PR-ES) era um dos nomes mais cotados para ser vice na chapa de Jair Bolsonaro à presidência. Ele recusou, tendo como certa sua reeleição ao cargo parlamentar. Mas ele perdeu a disputa e ficou sem cargo, algo difícil de conceber para um parasita político que vive dos privilégios concedidos aos políticos patronais. Assim, Bolsonaro decidiu criar uma nova pasta para Malta, que recentemente foi chamado de “eterno irmão” pelo presidente eleito. Vai acomodar o Senador no Ministério da Família, uma bizarrice criada sob medida para o representante da bancada evangélica fazer de seu ofício a perseguição aos LGBTs, mulheres e todos os que questionem seus dogmas religiosos.

A ideia parece não ter agradado o vice, general Mourão. Na quarta-feira, 31, o general desbocado disse publicamente o que pensa de Malta: “Tem que resolver esse caso. É aquela história, ele desistiu de ser vice do Bolsonaro para dizer que ia ganhar a eleição para senador no Espírito Santo. Agora ele é um elefante que está colocado no meio da sala e tem que arrumar, né? É um camelo, e tem que arrumar um deserto para esse camelo.”

Magno Malta foi defendido pelo seu aliado, o bizarro pastor Silas Malafaia, que retrucou: “Eu fiquei louco, isso aqui é sacanagem. Elefante é ele. Ele tem que se colocar no lugar de vice, ficar calado”. Ainda tentou justificar a derrota de seu afilhado político dizendo que se devia ao tempo que gastou ajudando Bolsonaro nacionalmente.

Contudo, há seguidores do “capitão” Bolsonaro, iludidos por sua demagogia barata de uma “nova política” e de que não se aliaria aos velhos caciques dos partidos fisiológicos, que se mostraram contrariados pela decisão do presidente eleito de acomodar a qualquer preço Malta em seu governo. Além disso, Malta é acusado de participação no escândalo de corrupção que ficou conhecido como “máfia dos sanguessugas”, em 2006, que desviava verbas destinadas à compra de ambulâncias. Foram tantos protestos nas redes que os bolsonaristas criaram a tag #MagnoMaltaNÃO para protestar contra a decisão. Veja apenas alguns dos tweets dos eleitores do candidato do PSL revoltados:

Alguns têm usado o argumento de que Malta é um notório fisiologista, pois já foi base dos governos petistas (e se esquecem convenientemente que Bolsonaro esteve no PTB e PP, partidos que também compunham a base dos governos de Lula e Dilma). Sem dúvida, como sempre dissemos no Esquerda Diário, as podres alianças dos petistas com a bancada evangélica e os partidos da direita fortalecerem e muito o espaço para que hoje essa escória política da extrema-direita tome o governo federal em meio a uma eleição manipulada pelo judiciário.

Até o “ideólogo” de Bolsonaro, o “filósofo” Olavo de Carvalho, declarou seu repúdio a Malta:

Depois das críticas de Mourão, Malta o retrucou, mas sem citar o nome do general: “Quem decidiu isso de não ser vice não fui eu sozinho, fomos nós dois. Então, eu não quero responder ninguém em jornal, quem chegou no ‘ônibus’ depois.”

O Ministério da Família consiste num pagamento perfeito para Malta e seus aliados, já que as igrejas às quais é ligado possuem mil entidades “filantrópicas” que, a exemplo do que fez o prefeito Marcelo Crivella da Igreja Universal no Rio, podem fazer “parcerias” extremamente lucrativas para os empresários da fé.

Depois de todas as polêmicas, Malta foi enfático ao declarar ao jornal O Globo: “Vou ser ministro sim. Onde eu estiver, estarei perto dele”, e disse que caberá a Bolsonaro designar se ficará com a “área social” do governo ou ocupará o cargo da Secretaria Geral da Presidência.

O que já está claro é que na "nova política" do presidente "livre e independente" o que não vai faltar vão ser as disputas entre os ratos pelo butim do governo.




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