CORREIOS

Magnatas da internet já sonham com os lucros ainda maiores que virão da privatização dos Correios

Alibaba e Mercado Livre já se posicionam para ser beneficiários da privatização da imensa rede de logística e distribuição de uma das mais eficientes empresas estatais do país.

terça-feira 1º de setembro| Edição do dia

Os trabalhadores dos Correios decretaram sua greve nacional da categoria desde o último 17, para defender seus direitos que vem sendo brutalmente destruído pela política privatista de Bolsonaro e Paulo Guedes, que busca avançar com sua reacionária pauta de ataques ao funcionalismo público, mas também contra as condições precárias de trabalho que se acentuaram com a pandemia e a intensificação dos esforços pela privatização da empresa estatal.

É nesse cenário que alguns dos maiores conglomerados de e-commerce do mundo buscam se posicionar para aproveitar a liquidação que os ultraliberais de Bolsonaro planejam para os Correios. As gigantes internacionais buscam ter acesso a uma empresa que ocupa um local estratégico na economia do país, é uma das mais eficientes empresas estatais do Brasil, que só em 2018 deu um lucro de R$161 milhões e que possui um imenso potencial de valorização com o aumento do comércio virtual ocasionado pela pandemia.

Bolsonaro e Guedes pretendem vender essa verdadeira mina de ouro a preço de banana e já deram inúmeras demonstrações que a prioridade do governo é avançar com as privatizações e os ataques a classe trabalhadora, como faz com suas MPs demitem e retiram direitos para manter os lucros dos patrões e empresários, mesmo que isso signifique rifar a vida de centenas de trabalhadores.

Bolsonaro busca avançar na privatização dos correios como vem avançando com a privatização disfarçada de “desinvestimento” na Petrobrás e na Eletrobrás, aproveitando a odiosa campanha de destruição da máquina pública empreendida pela grande mídia liberal, que endossa os argumentos falaciosos de Bolsonaro e Guedes acerca da necessidade de privatizar o patrimônio do país para assimcombater os supostos “privilégios” dos trabalhadores dos Correios, privilégioscomo enfrentar sol, chuva, longas distâncias a pé, a sobrecarga de trabalho nas agências e o assédio moral das altas chefias, essas sim privilegiadas, mas cujos super-salários nunca são mencionados pelos defensores da privatização.

Na história contada por Guedes e cia.,as privatizações vão servir para abrir mais espaço no orçamento federal e destinar mais fundos para a saúde e a educação. Entretanto, sabemos que as privatizações são, na verdade, uma forma de arrecadar mais dinheiro para pagar a fraudulenta dívida pública, meio através do qual o imperialismo drena as riquezas do país e que é para onde é endereçada qualquer fundo extra que o governo consiga obter, como também foi no recente caso do lucro obtido pelo BNDES, que transferiucerca de 2 bilhões de reais para o tesouro nacional que foi utilizado exclusivamente para abastecer o pagamento da dívida pública ilegal.

Enquanto isso, as principais direções sindicais da categoria, ligadas a CUT e a CTB, seguem em sua passividade e imobilismo, buscando realizar uma greve rotineira que pouco poderá fazer contra os imensos ataques se não buscar ativamente a mobilização e a massificação da greve, inclusive buscando aliar-se com outras categorias que estejam sendo atacadas por esse governo reacionário.

O MRT defende que para essa greve ser vitoriosa é necessário que superar a passividade da CUT e da CTB e unificar as potentes categorias de trabalhadores que estão na linha de frente dos ataques privatistas e elitistas de Bolsonaro, organizando uma forte mobilização que envolva ectistas, petroleiros e bancários numa única luta contra as privatizações. Para isso, cabe em petroleiros, bancários e cada uma destas categorias exigir verdadeiras assembleias, assembleias não somente para votar sim ou não, presenciais ou virtuais conforme as condições da pandemia, mas que permitam um debate democrático dos rumos da luta nessas categorias e pautar o que pode ser feito em solidariedade aos ecetistas.

A partir da solidariedade ativa aos trabalhadores dos Correios pode-se desenvolver melhores condições para a defesa em cada uma das categorias. A vitória dos carteiros é o que interessa a bancários e a petroleiros e a todos trabalhadores, pois como dissemos, o ataque a essas categorias visa reduzir os direitos e condições de trabalho e vida de todos trabalhadores. Em assembleias verdadeiras, a partir dos locais de trabalho, poderíamos batalhar para unificar-se com os ecetistas, construindo mobilizações que apontem para uma necessária greve unificada, superando as direções do PT e PCdoB, e não deixando os ecetistas isolados.




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