Gênero e sexualidade

DIA DAS MÃES

Mães da linha de frente: “Estar em quarentena é ficar "presa" dentro de casa com trabalho doméstico dobrado”

Neste dia das mães em meio a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social, reproduzimos o relato de algumas mães trabalhadoras da linha de frente do combate ao coronavírus. Com a palavra Eliana, metroviária da Linha 1 Azul, 54 anos de idade, 22 anos trabalhando no Metrô e mães de dois filhos.

domingo 10 de maio| Edição do dia

Sou do grupo de riscos e nesse momento me encontro em homeoffice.

Assim que meus pais e irmãos se mudaram para fora do estado de SP - nunca tínhamos nos separado, morávamos juntos - meu marido me mandou embora de casa. Consegui na justiça meu apartamento, mas também contraí dívidas. Foi muito difícil! Financeiramente tive meu nome em SPCS, SERASA e inúmeros protestos. Houveram dias que eu ia trabalhar mas não tinha dinheiro pra voltar, então pedia emprestado ao colega de escala.

Me aposentei precocemente para evitar o leilão do apartamento. Meus filhos na ocasião tinham 9 e 15 anos, precisavam de apoio psicológico, assim como eu também, mas sem condições de pagar prosseguimos apenas nos apoiando uns nos outros. Por vezes encontrei meu filho, o mais velho, no quarto chorando compulsivamente com a foto do pai nas mãos. Saía de mansinho e ia chorar também no banheiro por vê-lo assim.

Muito das dificuldades que passei vejo que o Metrô tem culpa indiretamente, pois quando fui promovida de função, não tive aumento salarial. Até os dias atuais, depois de mais de 5 anos de promoção, não sou equiparada. Isso colaborou um pouco por tudo que passei.

Em casa, nos dias atuais, está um pouco complicado lidar com uma situação diferente de tudo que já vivi. Estar em quarentena é ficar "presa" dentro de casa com trabalho doméstico dobrado e fora além a preocupação e comoção com meus colegas na linha de frente, vivendo um dia de cada vez.

Hoje meus filhos 18 e 24 me amam e respeitam, superamos muitas coisas. Faria tudo outra vez se preciso fosse.

O governo Doria fala uma coisa e na prática faz outra. Covardemente demite trabalhadores terceirizados em plena pandemia. Na sua grande maioria mulheres da linha de frente, que somam ou ainda contam apenas com essa renda para sustentar seus lares.

Não diferente o presidente genocida coloca diretamente o povo em riscos, haja vista a forma como fez a distribuição do crédito emergencial do irrisório valor de 600,00, deixando o povo em filas intermináveis com tumultos colocando a todos em riscos de contágio! Por todas as Mães: #FORABOLSONARO e #FORADORIA

Feliz Dia das Mães, das Mães das Mães e das mulheres que pensam em um dia ser MÃE!!!




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