Gênero e sexualidade

DIA DAS MÃES

Mães da linha de frente: “Então, é isso, eu sou uma mãe que trabalha no metrô nessa época de pandemia”

Neste dia das mães em meio a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social, reproduzimos o relato de algumas mães trabalhadoras da linha de frente do combate ao coronavírus. Com a palavra Telma, metroviária da Linha Azul do metrô de São Paulo e mãe de duas moças.

domingo 10 de maio| Edição do dia

Eu sou uma funcionária do metrô , sou mãe de duas moças. Eu não fui afastada porque não sou do grupo de risco e eu me sinto sempre apreensiva. Já trabalhei perto de três colegas, dois indiretamente e uma direta, que testou positivo pro covid-19.

Os EPIs do metrô não são muito bons porque a máscara que eles deram tem que usar por muito tempo, e eu não acho isso seguro. Eu também tenho um problema de pele e não posso usar essa máscara, que eles me deram. Eu uso uma máscara de pano, mas vou ter que passar na médica pra ver se ela atestar isso, senão, não vou poder usar a minha máscara de tecido que eu posso levar pra casa e lavar bonitinho.

Me sinto também apreensiva e fico preocupada com o pessoal da limpeza que também não tem um EPI adequado. Eu vejo que a máscara deles não é boa pra lidar com essa pandemia. Então tudo isso me deixa angustiada, com o coração na mão.

Eu tenho que voltar pra casa, cuidar da minha família, também tenho pais idosos e também tenho que ajudar meus irmãos a cuidar deles e tudo isso me deixa apreensiva. E assim, no dia a dia, a gente vai ficando cada vez mais, não sei, parece que a gente tá pirando, sabe?! Toda hora lavando mão, passando álcool, aquele cuidado pra usar a máscara, e isso também tá deixando a gente meio doente, além do medo de pegar coronavírus, deixa a gente doente também psicologicamente.

Então, é isso, eu sou uma mãe que trabalha no metrô nessa época de pandemia.




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