Gênero e sexualidade

UNICAMP

Mães da Unicamp fazem nota denunciando que seus filhos não estão sendo testados para a Covid-19

Confira abaixo a nota das estudantes mães exigindo testagem, assistência médica e alimentação de qualidade para todos (as) estudantes e crianças.

terça-feira 2 de junho| Edição do dia

A Unicamp realizou, na última semana de maio, testes de diagnóstico do Covid 19 em todos(as) moradores(as) da moradia estudantil, depois de muita pressão e cobrança dos estudantes. Ainda assim, a ação não considerou a testagem das crianças alegando que a assistência de saúde estudantil não conta com pediatria, um argumento que destaca diversas problemáticas que se estendem dentro da frágil permanência estudantil que a Unicamp oferece. Uma das mães teve resultado positivo para Covid-19, a Unicamp informou que os infectados seriam orientados pelo CECOM a permanecer em isolamento completo por 14 dias, sem propor, no entanto, como esse isolamento aconteceria no contexto de uma mãe solo com três crianças que precisa, no mínimo, manter a alimentação da família. Isso não é uma situação hipotética, é uma realidade que está acontecendo neste exato momento. A mãe que testou positivo foi informada que suas crianças não poderiam ser testadas pela Unicamp, e foi orientada a procurar o Centro de Saúde para a realização dos exames. Para isso, essa estudante teria que quebrar o isolamento obrigatório. Dito e feito. E o Centro de Saúde tão pouco realizou os exames, afirmando que as crianças ão apresentam sintomas então não seriam testadas. Agora, como uma mãe com laudo positivo para o vírus tem a checagem de seus filhos negada por ambos os sistemas de saúde que lhe estão disponíveis? As crianças também fazem parte da comunidade e estão sempre circulando pelos espaços que agora se colocam como epicentro local da pandemia, não testar as crianças é negligenciar os mais vulneráveis e ainda vulnerabilizar os estudantes adultos que têm seu direito de assistência pelo CECOM “assegurado”. Vivemos uma crise sanitária sem precedentes, se a Universidade não se dispõem a oferecer teste e assistência para toda a sua comunidade quem o fará? Como esperar que crianças na primeira infância sofram de febre alta por três dias para terem o direito de saber se estão ou não infectadas? Como é possível manter um isolamento social se a universidade não oferece os meios mínimos para isso, como, por exemplo, almoço e janta todos os dias na porta de casa para os infectados? Se a Unicamp, que é referência em tecnologia, que administra o Hospital das Clínicas, hospital “modelo” para todo o Brasil, que possui um sistema de saúde interno para a comunidade acadêmica e é centro de formação de profissionais qualificados não consegue assistir àqueles que estão em isolamento dentro das dependências da instituição quem conseguirá? Quem cuidará dos nossos? A Unicamp é responsável por todos (as) infectados dentro da moradia estudantil e deve suprir com os cuidados e assistências básicas de todo o núcleo familiar dos infectados! Exigimos honestidade, transparência e responsabilização da Universidade! Isso vocês não nos podem negar: testagem, assistência médica e alimentação de qualidade para todos (as) estudantes e crianças promovidas pela instituição da universidade pública! O vírus chegou aqui e não aceitaremos ser negligenciados por uma instituição que vende a imagem de ser polo de referência em pesquisa!




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Unicamp   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar