Gênero e sexualidade

HOMOFOBIA

Mãe mata filho por não aceitar sua homossexualidade

Adolescente encontrado morto em Cravinhos, interior de São Paulo, foi morto a facadas pela mãe. Segundo depoimento de tio, mãe não aceitava sua homossexualidade.

quinta-feira 12 de janeiro de 2017| Edição do dia

O adolescente Itaberli Lozato, de 17 anos, foi encontrado morto carbonizado em um canavial na cidade de Cravinhos (SP). A mãe do adolescente, Tatiana Lozano Pereira, confessou que matou o filho a facadas após uma briga e o padrasto, Alex Pereira, à auxiliou a levar o corpo ao canavial. Ambos foram presos após o corpo ser encontrado.

Segundo o tio paterno do adolescente, Dario Rosa, "A mãe dele não aceitava e a gente desconfiava, porque ela não quis prestar queixa. Acho que a mãe tem que cuidar do filho e não fazer o que ela fez. Ele era um rapaz que trabalhava, era educado, era um menino, mas estava na fase de trabalhador"

Rosa disse também que a mãe e o adolescente discutiam constantemente, o que levou o jovem a ir morar com a avó paterna no final do ano passado. Para o tio, o crime foi motivado pelo fato de o adolescente ser homossexual.

O advogado de Tatiana tem alegado legítima defesa, afirmando que a mãe agiu por emoção ao ser ameaçada de morte pelo filho. Segundo o seu depoimento, o filho teria passado a usar drogas e apresentar comportamento agressivo com a família, versão que foi desmentida pelo tio, alegando que Lozaro não tinha envolvimento com drogas e que desconfiava das afirmações da ex-cunhada devido a tranquilidade apresentada por ela após o crime.

O assassinato de Itaberli Lozaro se soma aos inúmeros ataques a LGBTs em todo o país, que fruto de uma cultura que cultiva o ódio ao que difere da heterossexualidade, tornando alvo da violência e da brutalidade centenas de milhares de pessoas. A intolerância é perpetuada ao se extinguir das escolas a discussão de gênero e sexualidade que auxiliaria no combate ao preconceito e desmistificaria um assunto que tem resultado em tantas vítimas fatais. Casos como de Lozaro indignam e essa revolta não pode passar por fora de entender que o combate a homofobia também tem que ser direcionada ao discurso de ódio e incentivo a violência propagandeado por políticos de extrema-direita e conservadores como Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus filhos.




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