Gênero e sexualidade

PUC-SP

Mãe e filha são humilhadas por professor em sala de aula na PUC-SP

O professor teria dito: "Essa criança está atrapalhando a minha aula. Dou aula para maiores de 18 anos e não vou aceitar criança na sala." Um ato de estudantes foi realizado hoje em repúdio ao ocorrido.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

sexta-feira 4 de maio| Edição do dia

"Essa criança está atrapalhando a minha aula. Dou aula para maiores de 18 anos e não vou aceitar criança na sala. Você deveria estar em casa cuidando dela e ao invés disso trouxe essa criança pra jogar em mim a sua responsabilidade. Não vou aceitar. E não me olha com essa cara!" Esse relato chocante vem de uma aluna de pedagogia da PUC-SP, que testemunhou um gravíssimo ataque de um professor a sua condição de mulher, estudante, mãe e periférica. O ocorrido se deu na aula de Introdução ao Pensamento Teológico III no curso de Pedagogia da PUC-SP.

Um ato foi realizado hoje pela manhã. Ele foi chamado de "criançaço" e reuniu cerca de 100 pessoas, a maioria mulheres, com muitas crianças na PUC-SP, em frente a Prainha do Campus Monte Alegre, para protestar contra a atitude misógina do professor. Já foi feita denuncia na ouvidoria da universidade e também uma denuncia pública contra o professor.

Entrevistamos Janaína, mãe e estudante de Pedagogia da PUC-SP sobre o caso:

Em um forte relato, publicado em seu Facebook, a estudante ainda denunciou a falta de estrutura da universidade para acolher as mulheres mães: "Há quase quatro anos minha filha me acompanha em grande parte das aulas na Universidade. Não há rede de apoio nem política pra acolher a mulher que pariu e precisa continuar seus estudos, suas pesquisas, sua prática e expressão. Estrutura precária, falta de acolhimento e situações desagradáveis enfrentamos cotidianamente."

Ela denunciou o próprio elistismo da PUC-SP, que retira dos espaços de sala de aula os alunos periféricos, indígenas, negros e bolsistas, como ela. Ela relatou que sua filha conhece muito bem a rotina de sala de aula de adultos, e que no dia do ocorrido não foi diferente: "Sexta-feira foi assim. Minha filha tava bem quietinha e calada, do jeito que o adulto gosta, enquanto o professor começava a aula." Para ela "foi a primeira vez que vivenciamos uma situação de discriminação tão descarada".

Ela conta que ficou sem reação no momento, e que só foi capaz de dizer para ele fazer a chamada que iria denuncia-lo em seguida, para ela: "Custou o constrangimento pavoroso da minha filha. Corpo e cabeça de criança constrangida por adulto é marca grave."

A atitude machista do professor em questão se apoia numa concepção machista de universidade, que ao invés de ser um local de livre pensar e que valorize o conhecimento reproduz o que há de mais atrasado na sociedade, como o machismo. Isso se agrava pela PUC-SP ser uma universidade católica, aonde se espraia o que há de mais atrasado na religião também. Permitindo que esse tipo de caso ocorra dentro do ensino superior legitima-se que, do lado de fora, os governos não garantam creches, nem o direito ao aborto. Nos obrigam a sermos mães, e quando somos mães não temos o direito de sermos respeitadas.

A PUC-SP deveria ter creches para todas as mães e pais da universidade, que sirva aos estudantes, os funcionários efetivos e terceirizados. Acabar com a elitização da universidade é uma tarefa urgente dos estudantes, para isso devemos exigir o fim do vestibular, a estatização de todas as universidades privadas e que sejam geridas na mais ampla democracia de base entre alunos, funcionários e professores. Para que o conhecimento ali produzido não sirva para legitimar a dominação e seja, de fato, um espaço do livre conhecimento para a humanidade.

Leia Aqui a Denúncia na Íntegra




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