RACISMO DA POLÍCIA

Mãe de Josué, assassinado pela polícia racista: "Imagina a dor que é enterrar um pedaço meu"

Na madrugada desse domingo (19), um policial penal atirou na nuca de Josué, jovem negro de 16 anos, por ter ficado “incomodado” com o barulho que ele e seus colegas estariam fazendo.

quarta-feira 22 de julho| Edição do dia

Fonte: WebTerra

Mais um jovem negro teve sua vida interrompida pela bala da polícia racista. Josué Nogueira, de apenas 16 anos, foi assassinado por um policial penal na madrugada desse domingo (19) enquanto se encontrava com alguns colegas na rua, perto da casa do policial em questão, em Montes Carlos (MG).

Segundo a mãe de Josué, Ronilda Teixeira Nunes Nogueira, o policial teria se irritado com o barulho que eles faziam e os ameaçou com sua arma. Os demais jovens conseguiram correr, mas Josué ficou para trás porque perdeu uma de suas sandálias. Quando se abaixou para pegá-la, o policial atirou em sua nuca. O rapaz morreu no local. Ainda segundo a mãe de Josué, o policial é conhecido da família e apresenta comportamentos agressivos, sempre abusando de seu porte de arma, que chegou a utilizar em outras ocasiões sob efeito de álcool.

A mãe de Josué, em entrevista para o G1, desabafou sobre a dor de perder um filho adolescente pelas mãos da polícia assassina: “Velar meu filho é muito difícil. Eu já estava com crise de depressão, agora, imagina a dor que é enterrar um pedaço meu! O bem maior que nós temos são nossos filhos. Eu quis me matar ao saber que meu filho morreu. Só não o fiz porque o pai de Josué e minhas outras duas filhas não deixaram. Elas falaram ‘a gente precisa também da senhora’ e vi que tem outras formas de resolver. Tem justiça, a divina e a da terra”.

Além de arcar com a dor que é perder um filho, a família de Josué ainda recebeu mensagens racistas de internautas, que insinuavam que o jovem era um “marginal”. “Eu li que meu sobrinho era drogado e vagabundo. Por quê? Só porque ele era negro? Ele não tinha passagem pela polícia. Ele não fazia mal para ninguém. Se fosse uma pessoa branca, será que teria acontecido o mesmo? Os comentários são de detonar a família. Nós temos coração. Nós temos sentimento. Isso dói” afirma a tia de Josué, Ellen Texeira.

No país com maior índice de violência policial, a polícia assassina e racista carrega sangue de milhares de jovens negros. Josué foi vítima do Estado de Bolsonaro que não se importa com os negros e pobres, e carrega uma política de extermínio que se intensificou com o isolamento social. É necessário que sigamos o caminho dos Estados Unidos com a morte de George Floyd, exijamos uma investigação independente do caso e que os culpados paguem pela morte de Josué, de Amarildo, Douglas, Cláudia, Edson, João Vitor, Luana, Yan, Inácio, Waldik, Gabriel e Marielle.

Nós, do Esquerda Diário, prestamos total solidariedade com a família de Josué. Josué, PRESENTE!




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