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Maduro responde ofensiva golpista e ameaça enviar tropas para fronteira de Brasil e Colômbia

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, rejeitou o ultimato de 8 dias dado pelos países europeus na semana passada para que ele convocasse eleições presidenciais, e afirmou que está reforçando o patrulhamento nas fronteiras de Brasil e Colômbia com o envio das Forças Armadas.

segunda-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

O ultimato tinha sido dado na semana pela Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Holanda e terminou na noite deste domingo (03). Os países afirmaram que, se Maduro não convocasse eleições presidenciais, eles passariam a apoiar Juan Guaidó, líder da oposição de direita e que se autoproclamou presidente interino da Venezuela.

Em entrevista dada à rede espanhola La Sexta, Maduro declarou que não vai “ceder por covardia diante da pressão” dos europeus. “Por que a União Europeia terá que dizer a um país que já fez escolhas que têm de repetir as eleições presidenciais? Só porque seus aliados não ganharam?”, disse Maduro.

A situação do governo de Maduro é crítica. Com um governo bonapartista e extremamente repressivo sustentando principalmente sobre as Forças Armadas, que já carece de apoio popular, Maduro enfrenta uma crise que deixou a Venezuela em estado de colapso. Se durante os anos pós-2001, colhendo os frutos de um ciclo econômico de alta internacionalmente, o chavismo conseguiu conceder certas melhorias ao povo venezuelano, a crise enfrentada agora mostra como os anos de Chavez e Maduro não serviram para mudar a estrutura da economia do país, que sempre foi altamente dependente da exportação de petróleo (especialmente para grandes potências da Europa e os EUA), o que fez da economia da Venezuela por consequência ser altamente dependente do rentismo – relação de dependência essa que o chavismo nunca buscou mudar estruturalmente. Com a crise, a exportação de petróleo do país baixou quase pela metade entre 2014 e os dias de hoje (de 3.000.000 de barris por dia para 1.500.000), fruto da alta queda dos preços por barril impostas pelo rentismo, que dilaceraram a economia venezuelana (cerca de 97% das exportações do país são diretamente do petróleo). A política de solução de Maduro, de desvalorização do bolívar (moeda local), serviu para agravar mais ainda a situação de uma economia que já antes assolava a classe trabalhadora com salários de fome, e agora possui 87% da população abaixo da linha da pobreza, com salários equivalentes a 6 dólares por mês.

Na última quinta-feira (31), o Parlamento europeu votou e reconheceu Juan Gauidó como “presidente interino legítimo” da Venezuela, seguindo a linha política golpista que União Europeia (UE) tem para país. Guaidó anunciou que a “ajuda humanitária” que havia pedido para os EUA e países europeus começa a chegar nesta semana. Com isso, os EUA são parte de abrir um corredor na Venezuela para envio da “ajuda humanitária”.

Por trás do demagógico discurso do golpista Guaidó e de todas as potências imperialistas de “ajuda humanitária”, figura nada menos do que uma política golpista, de avanço na ingerência imperialista na Venezuela, mascarada por um discurso supostamente “democrático” que tenta capitalizar a justíssima insatisfação das massas venezuelanas assoladas pela crise, mas tendo como resposta um programa de medidas que agravaria ainda mais a situação do povo venezuelano, de entrega ainda maior das riquezas naturais do país ao imperialismo, avançando ainda mais profundamente na privatização do petróleo e da submissão econômica da Venezuela ao rentismo e às grandes potencias.

Na madrugada deste domingo, 3, oficiais das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (Fanb) e membros da Guarda Nacional foram para a fronteira com a Colômbia, em Táchira, na madrugada, para supervisionar os postos fronteiriços. A operação aconteceu horas depois de Guaidó anunciar que Cúcuta, na Colômbia, seria um dos pontos onde chegaria a ajuda humanitária internacional. A ponte Simón Bolívar liga San Antonio del Táchira, na Venezuela, com Cúcuta, na Colômbia.

Não é segredo que o imperialismo norte-americano com o apoio de uma série de governos lacaios pretendem avançar suas posições na Venezuela se apoiando no descontentamento com os brutais ataques neoliberais e a repressão do governo de Maduro. A intervenção imperialista nos rumos de nosso país vizinho visa aumentar o poderio americano em todo nosso continente e avançar o saque dos recursos naturais em cada um de nossos países.

Leia mais: Razões e objetivos da ofensiva imperialista na Venezuela




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