Gênero e sexualidade

Machismo também no Carnaval: atriz sofre agressão em bloco em SP

No último sábado, 18, a atriz Carolina Froes foi abusada e sofreu agressões no bloco de Carnaval Casa Comigo, na Faria Lima. Conforme relatado pelo Facebook da atriz, um homem a puxou, tirou sua roupa, a agarrou e levantou pelo pescoço e a jogou no chão, machucando seu braço. Apesar das agressões, a atriz segue firme nas denúncias ao machismo e chama à luta: “Por um carnaval e uma vida sem assédio, agressão e violência!”

quarta-feira 22 de fevereiro de 2017| Edição do dia

De acordo com o relato no Facebook, a atriz estava acompanhada de amigas e estava indo embora do bloco de Carnaval quando um homem a abordou e tirou a parte de cima de sua roupa. Não contente, o homem a agrediu e, depois de todo o show de horrores, sadicamente, foi embora sorrindo.

Como o machismo está presente em todos os momentos na vida das mulheres, no Carnaval também não é diferente. Somos vistas como objeto de consumo pela mídia e pela indústria cultural, com as “mulatas” sendo vistas como objeto de exportação que transforma corpos femininos em mercadorias para a satisfação masculina e para gerar lucro. Para além disso, o espaço de diversão e socialização para todos que deveriam ser os blocos de Carnaval, às vezes se tornam verdadeiros pesadelos, como foi no caso da atriz Carolina, com um homem que se sentiu no direito de fazer o que quisesse com seu corpo e saiu rindo, tornando aquilo como parte de uma verdadeira diversão, na festa de uma sociedade em que “tudo é permitido” com as mulheres.

Os blocos de rua possuem um histórico de resistência cultural bastante forte, ocupando os espaços públicos de forma coletiva, com expressões culturais que são, além de entretenimento, instrumentos de luta e subversão criados pelo povo.

Infelizmente, sabemos que a cultura popular não está imune das influências da cultura machista, patriarcal, que tanto beneficia os capitalistas, e consequentemente até mesmo uma festa onde homens e mulheres deveriam criar espaços de acolhimento, diversão e igualdade o machismo se expressa e deixa seus rastros.

Queremos um carnaval que seja livre de opressões, em que todos possam partilhar
livremente de um espaço de entretenimento e diversão sem ter medo e sem ser oprimido, perseguido, violentado.

Nos solidarizamos com a atriz Carolina Froes, queremos a punição do machista envolvido e admiramos a força com a qual se mantém a atriz, colocando-se num papel de seguir lutando por uma sociedade sem assédio, violência e opressão.

Nós do Esquerda Diário estamos em contagem regressiva para o dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, publicando não só diversas denúncias de machismo, mas publicando também textos teóricos sobre a questão das mulheres, com elaborações sobre a questão da mulher negra, sobre a resistência das mulheres internacionalmente, como nos Estados Unidos, se levantando contra o governo Trump e também na Argentina, com as manifestações e a campanha Ni Una Menos contra o feminicídio e a violência de gênero. Junto com o grupo de mulheres Pão e Rosas, fazemos um chamado a todas as mulheres que acham que essa sociedade patriarcal e misógina não pode mais continuar deixando seus rastros por mais outras gerações, e que para acabar com o mal pela raiz é preciso questionar o capitalismo e sua opressão e exploração estrutural, transformando todas nós mulheres em mercadoria, objeto de consumo, que vende e agrada aos bolsos dos empresários.

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres!”, Rosa Luxemburgo.




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