REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Machismo de Bolsonaro e Guedes é arma para atacar previdência das mulheres

Com a divulgação de algumas propostas para a reforma da Previdência, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, declarou que quer impor uma idade mínima fixa para homens e mulheres, de 65 anos. E junto a isso uma proposta para que mulheres reduzam a idade mínima conforme o número de filhos.

quinta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

A ofensiva reacionária de Bolsonaro contra mulheres se mostra tanto no campo ideológico, quanto na retirada de direitos democráticos de todos os trabalhadores, atingindo frontalmente as mulheres.

Segundo Guedes, a redução a partir do número de filhos será de forma “limitada” para evitar que as “mulheres queiram ter dez filhos” para aposentarem antes. A declaração e a proposta de Guedes escancaram o conteúdo misógino de um governo composto por figuras da extrema direita que atacam as mulheres e seus direitos de todas maneiras.

A nova proposta de reforma buscará tratar mulheres como “incubadoras”, incentivando que sejam mães para reduzir o tempo de aposentadoria, levantando uma lógica de pensamento bastante comum entre a extrema direita reacionária, de que mulheres têm filhos justamente para receber benefícios do governo.

Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, já declarou que o Bolsa Família, programa de transferência de renda que Jair Bolsonaro usou para fazer demagogia com a população pobre, deveria ser condicionado à laqueadura nas mulheres, de forma a estancar a ferida econômica e da violência. O comentário racista, elitista e machista de Carlos Bolsonaro, que atribui à população pobre os problemas de violência, não é um ponto isolado dentro do governo Bolsonaro e suas figuras políticas importantes.

A proposta machista de Guedes também ignora por completo o impacto das duplas e até triplas jornadas feitas por muitas mulheres, que trabalham até 7,5 horas a mais que os homens devido ao acúmulo do trabalho doméstico e o trabalho fora de casa, como apontou estudo do IPEA em 2017. As mulheres, que possuem uma jornada total de trabalho de 53,6 horas em média, também sentem recair sobre seus ombros a total responsabilidade da criação dos filhos: em meio à crise capitalista, ataques à educação, com a falta de creches, e à saúde, com a falta de médicos e hospitais, também dão outros contornos para a situação das mulheres.

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Em dez anos, cresceram para 1,1 milhão o número de famílias compostas por mães solteiras, classificadas por Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, como “fábrica de desajustados” na época das eleições, que tentou retroceder depois do escândalo gerado. É diante das condições de vida mais precárias, que Guedes insinua que mulheres terão mais filhos para se aposentarem, excluindo contexto de precariedade que enfrentam as mulheres trabalhadoras.


Mães recebem 40% a menos que mulheres sem filhos. Leia aqui

O governo Bolsonaro, quer manter as mulheres caladas e presas ao “lar”, como já defendeu sua ministra Damares, declarando que o modelo de sociedade ideal é aquele em que as “mulheres estejam em casa” e que “as mulheres nasceram para ser mães”. Essa visão ultra reacionária e machista, expressa também nesta proposta de reforma da previdência quer impor àquelas que trabalham condições de exploração ainda mais brutais, descarregando a crise capitalista nas costas dos trabalhadores, principalmente as mulheres negras, que hoje ganham 60% do salário de um homem branco, e são as que mais sofrem com a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista.

Assim, esse governo regido sob os interesses dos capitalistas e do imperialismo, principalmente dos Estados Unidos através da forte aliança de Bolsonaro com Trump, avança para precarizar ainda mais as condições de vida, impondo um regime análogo à escravidão aos trabalhadores e trabalhadoras do país.

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O movimento de mulheres já se provou internacionalmente como uma força real de luta e de combate, como as argentinas na luta pelo direito ao aborto legal e as mulheres estadunidenses nas marchas contra Trump. No Brasil, trabalhadoras e jovens formaram uma massa de milhares contra Bolsonaro a partir do movimento “#EleNão”, em rechaço ao avanço dos valores mais atrasados que atacavam deliberadamente as mulheres.

As mulheres devem estar na linha de frente contra todos os ataques aos direitos democráticos e contra o avanço das reformas, que vêm com o objetivo cruel de descarregar a crise capitalista nas costas de toda a classe trabalhadora e juventude. Diante disso, não podemos separar a luta contra a censura, perseguição e intimidação, da luta contra os ataques econômicos. Assim, é necessário que as mulheres construam em cada local de trabalho e estudo um movimento orgânico contra Bolsonaro, Trump, contra a reforma da previdência e contra retirada de todos os direitos democráticos.




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