Política

CANDIDATURA MRT RS

MRT lançará candidatura anticapitalista dos trabalhadores no Rio Grande do Sul

terça-feira 14 de agosto| Edição do dia

No Rio Grande do Sul, o MRT lançará a candidatura de Val Muller, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas em Rio Grande do Sul, estudante da UFRGS e trabalhadora do telemarketing. Diante da continuidade do golpe nas eleições, em que a população está impedida de votar em quem quiser pelo autoritarismo judiciário, essa candidatura está a serviço de construir um força anticapitalista da classe trabalhadora, inspirada no imponente movimento de mulheres a nível internacional - como na Argentina, que enfrentou o Estado e suas instituições (Congresso, Judiciário) para arrancar o direito ao aborto legal - para conquistar pela luta não apenas o direito ao aborto, mas também combater as reformas golpistas, como a reforma trabalhista e a reforma da previdência.

Frente ao caráter antidemocrático do regime eleitoral, que impõe restrições para que novas organizações de trabalhadores e jovens como o MRT possam ter candidatos, o PSOL concedeu sua legenda para que o MRT possa lançar candidatos defendendo suas próprias ideias, sem que isso implique em qualquer compromisso do MRT com o programa defendido pelo PSOL.

A prisão arbitrária de Lula e o impedimento de sua candidatura faz com que essa não seja uma eleição normal, mas sim com um claro veto antidemocrático. Trata-se de uma nova etapa dentro do golpe institucional dado em 2016 contra Dilma Rousseff. Aqui estão uma vez mais todos juntos: os partidos, empresários, meios de comunicação, e multinacionais imperialistas que se beneficiaram com a Lava Jato, com o governo golpista de Temer e agora com o impedimento da candidatura de Lula. O PSDB de Alckmin, Bolsonaro, Marina Silva, a Rede Globo, os patos da FIESP, as grandes multinacionais americanas e européias que dominam o petróleo e a construção civil em todo o mundo, todas as aves de rapina que babam de sede pelo Pré-Sal, entre muitos outros. Todos os interesses capitalistas que usaram e seguem usando como ferramenta o chamado ’Poder Judiciário’, que de justo não tem nada porque deixa toda a corja de ladrões que apoiou o golpe livre para seguir assaltando o país. Desde a Lava Jato com Sérgio Moro ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, passando pelo Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e o Tribunal Superior Eleitoral: são um punhado de juízes eleitos por ninguém, que ganham mais de 100 mil reais por mês e se dão o direito de decidir em quem o povo pode ou não votar.

Sobre isso, Val disse que: "A Lava Jato e o resto do poder judiciário está atuando pra escolher a dedo um presidente que continue o golpismo e seja capaz de descarregar de forma redobrada a crise nas costas dos trabalhadores e do povo com mais desemprego, mais trabalho precário e mais cortes dos direitos sociais. Por isso, apesar de não votarmos em nenhum dos candidatos do PT, somos incondicionalmente contra a prisão arbitrária de Lula e somos intransigentes na defesa do direito do povo votar em quem quiser. Todos os partidos que se dizem de esquerda deveriam ter esse como um dos seus eixos políticos na campanha eleitoral, como forma de denunciar o veto autoritário dessas eleições."

Um programa para a crise do estado e para que os ricos paguem pela crise: o não pagamento da ilegal dívida pública

O Rio Grande do Sul é um dos estados do país em que é maior a crise econômica e fiscal. Sucessivos governos vem aprofundando essa situação para garantir os privilégios da casta política e os lucros das elites locais, enquanto professores, servidores, e o conjunto da classe trabalhadora e do povo gaúcho pagamos por essa crise que não foi criada por nós.

Val disse que: "A candidatura de Sartori (MDB) é uma afronta ao povo gaúcho. Nos últimos anos parcelou e atrasou salários, sucateou os serviços públicos enquanto mantinha grandes isenções de impostos aos empresários. O PDT de Jairo Jorge e o PSDB de Eduardo Leite foram parte desse governo nefasto e são continuidade dele. Miguel Rosseto do PT jura que não fará nada nisso, porém em Minas Gerais o governo de Pimentel, também do PT, faz o mesmo que Sartori: parcelamentos, atrasos de salários e ataques ao povo. Não é possível enfrentar essa crise retomando os passos do PT dos anos noventa como faz o PSOL. Somente a luta da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres e do povo negro pode fazer com sejam os capitalistas a pagarem pela crise"

"É preciso atacar os lucros dos capitalistas e os privilégios da casta política e dos juízes. Queremos colocar com muita força a bandeira do não pagamento da dívida pública federal - um mecanismo de submissão ao capital estrangeiro e roubo do país - e o não pagamento dívida do estado com a União, e o confisco de bens dos grandes sonegadores como GM, Gerdau, RBS, Grendenne, Taurus e outras empresas que dão calote nas finanças públicas, bem como o fim das regalias do poder judiciário e dos políticos, como os milionários auxílio-moradias. Esses recursos precisam estar a serviço do povo gaúcho e ser controlados pela classe trabalhadora", concluiu.

Não somos prendas! Um grito das mulheres gaúchas contra a opressão e a exploração

Recentemente as mulheres argentinas deram um grande exemplo de luta. O país vizinho foi tomado por uma verdadeira maré verde pela legalização do aborto. Embora o reacionário Senado argentino tenha votado para que milhares de mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos e pela interferência da Igreja no Estado, a luta dessas estudantes e trabalhadoras segue sendo estando nas ruas. No Brasil, o grupo de Mulheres Pão e Rosas quer fazer essa maré verde atravessar a fronteira.


Bloco do Pão e Rosas RS no 8 de agosto

O grupo de mulheres socialistas e revolucionárias do Pão e Rosas foi fundado no RS em meio a uma conjuntura reacionária, se contraponto ao tradicionalismo da classe dominante gaúcha, que relega as mulheres ao papel de "prendas", nada mais que enfeites. É a força da luta das mulheres que pode impôr nossos direitos.

Sobre a batalha pela legalização do aborto, Val disse que: "Ao tempo em que rechaçamos a prisão arbitrária de Lula e defendemos o direito da população votar em quem quiser, sabemos que o PT governou em aliança com os setores mais reacionários da política, os mesmos que depois foram base de sustentação para o golpe institucional. Por isso mesmo, por sua aliança com a bancada evangélica, com oligarcas como Sarney e Renan Calheiros, e homofóbicos como Marco Feliciano, os governos do PT, ao longo de seus 13 anos no poder, não foram capazes de avançar em direitos democráticos elementares. Esse é o caso da luta pelo direito ao aborto legal seguro e gratuito, que foi deixada de lado por seus representantes do poder, inclusive pela primeira mulher presidenta da história do país. Sabemos que num país como o Brasil a maior parte das mulheres pobres que sofrem e morrem com os abortos clandestinos são negras, escancarando o racismo institucionalizado em nosso país".

"Se um movimento unificado de todas as forças feministas se fizesse sentir no cenário nacional, seria um importante enfrentamento contra todo direitismo reacionário representado nas candidaturas de Bolsonaro, em Ana Amélia que é vice de Alckmin e inimiga das mulheres, Marina Silva e todos os partidos evangélicos que os apoiam. Pra garantir o direito ao aborto, e a separação imediata do Estado com a Igreja. Vamos batalhar para que essa força das mulheres pelos seus direitos também esteja a serviço de organizar a batalha junto à classe trabalhadora para derrotar os ataques dos golpistas", concluiu.

Sobre a candidatura anticapitalista do MRT no Rio Grande do Sul, Adailson Rodrigues, rodoviário de Porto Alegre e militante do Movimento Nossa Classe, disse que "É um orgulho poder discutir com meus companheiros de trabalho a existência de uma candidatura anticapitalista e socialista como a da Val. Sempre esteve nos piquetes de greve da Trevo, ajudando com tudo que podia. Estamos lançando esta campanha da Valéria pra difundir essas ideias durante a campanha, colocando o corpo pra debater com cada peão essa política de enfrentamento com os patrões e com o judiciário golpista, pra fortalecer nossa luta nas garagens, nos serviços, nas fábricas, nas escolas e nas universidades. São ideias fortes também pra combater as burocracias sindicais, em primeiro lugar a CUT e a CTB, ligadas ao PT e ao PCdoB, que deixaram passar a reforma trabalhista e boicotam sistematicamente nossas lutas, como a grande greve dos professores da rede estadual contra o parcelamento do Sartori. Os professores podiam vencer, mas o CPERS (dirigido pela CUT/CTB) foi desgastando o movimento até frear tudo. Nossos sindicatos só vão servir pra nossa luta quando tirarmos esses burocratas daí e retomarmos em nossas mãos nossas organizações. A candidatura da Val está a serviço disso também, eu estarei em todos os espaços junto com ela pra que essas ideias cheguem longe".

"Nesta campanha anticapitalista, vamos temos como objetivo avançar com o Esquerda Diário, o único diário digital que pode competir de igual para igual com os grandes sites petistas, mas diariamente dando um ponto de vista de independência de classe para os principais fatos políticos internacionais e nacionais. Uma ferramenta fundamental na construção de uma alternativa com influência em setores de massa que esteja à esquerda do petismo", disse Val.

Convidamos todas e todos a participar e debater conosco no lançamento de nossa candidatura no dia 26 de agosto em Porto Alegre, com local a definir (vamos disponibilizar estas informações, o local e horário do lançamento na página do Esquerda Diário, e na página do facebook (ver aqui).




Tópicos relacionados

MRT   /    Prisão de Lula   /    Rio Grande do Sul   /    Eleições 2018   /    Sartori   /    Golpe institucional   /    Lula   /    Poder Judiciário   /    Política

Comentários

Comentar