Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

MRT e Pão e Rosas lançam chamado a trazer a maré verde para o Brasil: legalizar o aborto já

A atividade organizada pelo grupo de mulheres Pão e Rosas, contou com a presença de Ana Sanchez e Paula Varela, militantes do Pan y Rosas da Argentina e reuniu 200 pessoas para debater o marco histórico do processo de luta pela legalização do aborto na Argentina e a necessidade de trazer a maré verde para o Brasil.

sexta-feira 13 de julho| Edição do dia

Aos gritos de Marielle, presente! a atividade se iniciou lembrando que se completavam 120 dias de seu assassinato e exigindo uma investigação independente para apurar o caso. Maíra Machado em sua abertura, colocou a necessidade de que o movimento de mulheres tome o exemplo da Argentina para organizar uma enorme batalha em nosso país, expressando que no Brasil são milhares de mulheres que se submetem ao aborto clandestino, o que leva a uma média de 4 mortes por dia, por isso essa é uma pauta emergencial que será só será conquistada através da luta e mobilização.

Ana Sanchez fez um relato da história do movimento de mulheres na Argentina, afirmando que inicialmente eram poucas, mas que ao longo dos anos, através dos encontros nacionais de mulheres e a luta recente por “ni uma a menos”, milhares de mulheres foram se somando a essa enorme força em movimento. A maré verde denominada pela mídia argentina de “revolução da filhas” é preenchida de jovens mulheres de 14, 15 anos que cumprem o papel de explicar a seus pais e professores a importância da conquista do aborto legal, seguro e gratuito.

Ana contou em detalhes como o parlamento argentino tem se colocado frente a essa demanda que se soma à mobilização de diversos setores de trabalhadores contra os ajustes de Macri e sua submissão ao FMI, afirmando que a pauta de luta contra os ajustes deve se unificar com a demanda das mulheres para que se motorize uma enorme batalha que arranque o direito ao aborto, mas também que coloque contra a parede o governo e seus ataques capitalistas. Além disso, mostrou que a bancada de deputados da FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) encabeçada por Nicolás del Caño e Natalhia Seligra Gonzales, além da legisladora Myriam Bregman, foi a única que votou de forma unanime a favor da legalização do aborto, deixando clara a falácia propangendeada por políticos burgueses de que se expressou uma “sororidade parlamentar” e que a votação favorável por 4 votos de diferença só foi possível porque milhares de homens e mulheres tomaram as ruas da Argentina.

A história da luta pela legalização do aborto na Argentina se combina com a construção do grupo de mulheres Pão e Rosas, que há 20 anos se coloca na linha de frente por essa demanda e vem debatendo em cada local de trabalho e de estudo de que não basta lutar para que as mulheres e jovens tenham mais direitos dentro do regime burguês, mas que se trata de semear a ideia de que é preciso construir uma nova sociedade sem explorados e exploradores e sem opressões, essa sociedade só será construída através daqueles que não tem mais nada a perder que suas próprias correntes e que conduzirão essa luta o final, papel colocado para as mulheres trabalhadoras.

Depois Paula Varela fez uma saudação, expressando que as mulheres tem se colocado na linha de frente dos principais ataques capitalistas em todo o mundo, nos Estados Unidos uma greve de professoras tomou o país nos últimos meses, com as mulheres à frente em um combate muito forte contra a política de Trump. Além disso, ressaltou que as mulheres maioria hoje na classe trabalhadora, acumulando os piores postos de trabalho e salários e que o movimento de mulheres que tem ganhado força em todos os últimos anos pode ser o motor principal para ajudar o conjunto dos trabalhadores a romperem com a rotina sindical e suas burocracias e servir como plataforma para a luta contra o capitalismo e seus ataques de conjunto.
Paula, expressou que em todos os grandes levantes importantes da história da humanidade, sempre as mulheres foram a ponta de lança e estiveram à frente e hoje com uma classe operária tão gigantesca e composta por muitas milhões de mulheres, são elas o germe do novo, da construção de uma sociedade socialista.

A atividade seguiu com uma série de intervenções que colocavam o problema do aborto em nosso país. Letícia Parks falou sobre as mulheres negras, criminalizadas e mortas por abortos clandestinos, ressaltando que a luta das mulheres pode ser uma alavanca para todos os negros e negras de nosso país, massacrados pela polícia e pelos ataques capitalistas. Marília Rocha, diretora do Sindicato de Metroviários de São Paulo, fez uma fala em que mostrava que é mãe e está esperando seu segundo filho e que sua escolha de ser mãe permitia que visse mais claramente que a importância de que cada mulher pudesse escolher sobre seu próprio corpo, ressaltando que no capitalismo o próprio direito de ser mãe de forma plena é negado às mulheres trabalhadoras. Odete Cristina, militante da juventude Faísca colocou que a juventude tem que tomar com força essa demanda e discutir em cada local de estudo a necessidade de impedir a precarização do futuro. Bárbara que é diretora do Sintusp falou da importância de debater nos locais de trabalho com trabalhadores homens e também com as mulheres, como essa demanda deve ser tomada por todos os trabalhadores, construindo ativamente uma enorme campanha pela legalização do aborto.

Veja a atividade na integra:

Pablito Santos fez uma fala destacando que a demanda das mulheres deve ser uma demanda de todos os homens trabalhadores. Enfatizou que nesse momento de eleições no Brasil não podemos nos enganar de que nossas demandas serão resolvidas e lembrou que nos anos de governo do PT não se avançou para a legalização do aborto. Além disso, falou que o golpe institucional permitiu uma série de ataques dos capitalistas e que a traição das grandes centrais sindicais trouxe aos trabalhadores um sentimento de derrota e pessimismo, mas que a luta das mulheres pode apontar um norte e recuperar as forças. O governo ao não permitir que o aborto seja lei, obriga as mulheres a pagarem muito caro a crise que está sendo descarregada nas costas dos trabalhadores, arriscando a própria via, sobretudo as mulheres negras. Pablito encerrou dizendo que do que depender do MRT, do esquerda Diário, a maré verde extrapolará as fronteiras argentinas mostrando que somos uma só classe e temos uma só luta.

Diana Assunção fez um forte chamado para uma campanha nacional pelo direito ao aborto, que o Pão e Rosas, junto ao MRT e o Esquerda Diário já está impulsionando, explicando que lutamos para que o aborto deixe der crime, mas que a luta deve se coordenar para uma batalha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, pois deixar de ser crime não impedirá que as mulheres pobres, trabalhadoras e negras sigam morrendo pelo aborto clandestino. Além disso, disse que o PSOL e outras organizações de esquerda, movimentos de mulheres, sindicatos, devem construir uma coordenação nacional de luta pelo direito ao aborto, batalhando nas ruas para que se possa conquistar essa demanda. Lembrou que nenhuma conquista foi dada gratuitamente pela burguesia, que cada reivindicação deve ser arrancada e somente a mobilização poderá arrancar a demanda do aborto, sem confiança na justiça burguesa e seus políticos conservadores que não se importam com a vida das mulheres e querem seguir aumentando a exploração de todos os trabalhadores.

Veja a fala da Diana Assunção neste vídeo:

Ao final, Maíra fez um chamado para que todos os presentes se somem ao bloco do Pão e Rosas no ato pela legalização do aborto que acontecerá em São Paulo no próximo dia 19 e colocou que o Pão e Rosas acompanhará todos os movimentos que caminhem no sentido de conquistar nossos direitos, como a audiência pública que ocorrerá em agosto e discutirá a descriminalização do aborto no Brasil, mas que o Pão e Rosas e o MRT travarão uma batalha para que no dia 8, dia em que será votado no senado argentino a legalização do aborto, tenha uma enorme marcha internacionalista no Brasil que mostre a solidariedade e a força que podemos ter para conquistar o aborto como direito em nosso país.

Cantando “somos estudantes, mulheres operárias, nossa classe é revolucionária! Na linha de frente, com nossas bandeiras, isso é pão e rosas companheiras!” a juventude, mulheres e homens trabalhadores encerraram o debate expressando a disposição de luta para batalhar pela legalização do aborto e todos os ataques capitalistas.




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