MRT

ELEIÇÕES 2018

MRT declara voto crítico na candidatura presidencial do PSOL

Nessas eleições marcadas pelo autoritarismo do poder judiciário apoiado pelos militares, desde o primeiro momento colocamos nossa militância nos locais de trabalho e estudo, nossas candidaturas e o Esquerda Diário a serviço de denunciar as manobras antidemocráticas desta casta de juízes milionários eleitos por ninguém, que impediram dezenas de milhões de pessoas de votar em quem quisessem.

sexta-feira 5 de outubro| Edição do dia

Nessas eleições marcadas pelo autoritarismo do poder judiciário apoiado pelos militares, desde o primeiro momento colocamos nossa militância nos locais de trabalho e estudo, nossas candidaturas e o Esquerda Diário a serviço de denunciar as manobras antidemocráticas desta casta de juízes milionários eleitos por ninguém, que impediram dezenas de milhões de pessoas de votar em quem quisessem.

Defendemos de forma intransigente o direito do povo decidir em quem votar, apesar de nunca termos dado e seguirmos sem dar nenhum apoio político a Lula e ao PT. São eleições que selam a continuidade do golpe institucional iniciado com o impeachment de Dilma Roussef, e aprofundado pela prisão arbitrária e pelo veto antidemocrático à candidatura de Lula, a quem se vetou até mesmo o direito a uma entrevista, direito que foi concedido inclusive a condenados por crimes de lesa humanidade ou traficantes conhecidos internacionalmente como Fernandinho Beira Mar.

As manobras do poder judiciário em cooperação com a Rede Globo seguem em pleno curso, com o vazamento da delação de Palocci há alguns dias antes das eleições, apesar de ter sido rejeitada pelo próprio Ministério Público Federal por falta de provas. Ao mesmo tempo, as denúncias contra todos os grandes nomes do PSDB e a máfia que sustentou o governo de Temer são descartadas ou investigadas a passos de tartaruga.

Um poder judiciário que joga no lixo os direitos elementares de defesa em nome de beneficiar o capital imperialista (em disputa com as empresas nacionais beneficiadas pelo BNDES) e pressiona por medidas de ajuste e retirada de direitos contra o povo trabalhador.

Podemos e devemos nos preparar ainda para combater todo tipo de manobras até o final das eleições, incluindo eventuais fraudes nas urnas, pois está claro que os juízes e militares consideram que estão acima do sufrágio universal.

O golpismo abre espaço para a extrema direita

Apesar de que durante os governos do PT, como o próprio Lula se orgulha de dizer, os empresários e banqueiros nunca lucraram tanto, o ódio contra o PT disseminado pela Lava Jato e os grandes meios de comunicação teve o objetivo de eliminar até o final inclusive as pequenas concessões precárias que foram feitas durante o último ciclo de crescimento econômico. Consideram que o PT, apesar dos esforços de Dilma em aplicar medidas de ajuste no seu segundo mandato, não é capaz de atacar as condições de vida e os direitos dos trabalhadores à altura do que os empresários realmente necessitam para preservar e recompor seus lucros em meio à crise internacional.

Esse ódio disseminado pelos golpistas é o responsável pelo fortalecimento da extrema direita encabeçada por Bolsonaro.

Desde o primeiro momento, nós do MRT temos não somente denunciado o caráter nefasto dessa extrema direita que se torna cada vez mais forte; mas, acima de tudo, temos alertado que não é possível enfrentá-la e vencê-la canalizando todas as forças da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos sociais para uma estratégia puramente eleitoral e a serviço de um programa de conciliação com os capitalistas e golpistas “arrependidos”. A extrema direita e os golpistas estão deixando uma e outra vez bem claro que não respeitam sequer as regras dessa democracia burguesa degradada, e estão dispostos a pisoteá-las para perseguir seus interesses.

Nossas candidaturas e o Esquerda Diário estiveram e estão a serviço de defender o único caminho possível para enfrentar seriamente a extrema direita: o da mobilização independente, exigindo sua organização dos sindicatos e movimentos sociais, levantando um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas.

Contrapomos ao avanço das medidas autoritárias e reacionárias a proposta de lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que a vontade da maioria explorada e oprimida se imponha sobre as manobras, pactos e ataques golpistas.

Porque não apoiamos o voto no “mal menor”

Sempre denunciamos que o golpe institucional veio para passar ataques mais duros e mais rápidos do que os que o PT vinha fazendo e debatemos contra a estratégia do PT que mostrou que não aposta na mobilização independente dos trabalhadores e da juventude em nenhuma hipótese. Que a política do PT de governar em aliança com a direita e fazendo com que empresários e banqueiros lucrassem como nunca em sua história, se durante os anos de crescimento econômico pôde conviver com algumas concessões precárias, quando veio a crise econômica, impôs ataques e foi responsável pela desmoralização das próprias bases sociais do PT. Estas viram suas direções históricas tomando para si o programa de ajustes da direita neoliberal, ao mesmo tempo em que as direções sindicais petistas impediram qualquer luta minimamente séria contra os ataques do “seu governo”.

O PT, coerente com essa política enquanto estava no poder, ao contrário de colocar seu peso sindical a serviço de organizar um processo de resistência sério frente ao golpe institucional, a prisão do Lula e o veto arbitrário à sua candidatura, apostou todas as suas fichas na estratégia eleitoral para voltar ao poder, como se com votos se pudesse “combater” uma ofensiva golpista.

Frente ao golpe, nós exigíamos da CUT, dirigida pelo PT, e demais centrais, que levassem adiante um verdadeiro plano de luta contra os golpistas e seus ataques, mobilizando de maneira redobrada as forças que a classe trabalhadora expressou de forma condensada no 28 de abril de 2017 na grande luta contra as reformas de Temer. Nas eleições também demos uma batalha pelo direito do povo decidir em quem votar e contra a proscrição eleitoral da candidatura de Lula, inclusive lançando uma carta ao PSOL para levar na TV e na justiça essa posição.

O caminho adotado por Dilma de ataques num momento de crise é a consequência inevitável de defesa, por parte do PT, do pagamento da “sacrossanta” dívida pública que drena 1 trilhão de reais por ano (quase metade de todo o orçamento público federal) dos impostos pagos pela população aos bolsos de um punhado de investidores milionários.

Atualmente, essa política histórica do PT tem continuidade nas alianças que o PT já fez com golpistas de todo tipo para debilitar adversários e conseguir apoios nos estados, assim como nos acenos da candidatura de Haddad a um pacto com setores golpistas e empresariais para ganhar de Bolsonaro no segundo turno e buscar uma “governabilidade” frente a um eventual triunfo. Uma política que, se efetivada, levará a um novo governo que fará ataques ainda maiores do que Dilma fez no seu segundo mandato, já que além de se comprometer com ajustes fiscais para compor um governo de coalizão, será permanentemente condicionado pelo golpismo do poder judiciário, dos militares e de uma extrema direita fortalecida com cada vez maior poder militante nas ruas.

Por sua vez, Ciro Gomes, apesar de sua demagogia mais “nacional-desenvolvimentista”, mostrou sua verdadeira cara quando buscou fazer uma coligação eleitoral com o DEM e o “centrão”, e terminou escolhendo como vice a líder latifundiária Kátia Abreu, além do que, assim como o PT, defende como “sacrossanto” o pagamento da dívida pública.

Nossas candidaturas e o Esquerda Diário, que chegou a 2 milhões de acessos nos últimos trinta dias, estiveram e estão a serviço de fazer este chamado: fortaleçamos uma esquerda que se prepara seriamente para o que está por vir

Se ganha Bolsonaro será um salto de qualidade no golpismo contra os trabalhadores e o povo, e se ganha Haddad seu governo, ao contrário de cumprir com as promessas demagógicas que está fazendo, vai se aliar com golpistas para fazer ajustes e será fortemente condicionado pelo poder judiciário, os militares e a extrema direita nas ruas. Por isso, temos que nos preparar para a luta de classes, para construir correntes de combate no movimento operário e estudantil que sejam uma alternativa à impotência da burocracia sindical cutista/petista e organizem uma resistência séria aos ataques que estão por vir.

Voto crítico na candidatura presidencial do PSOL

O MRT defende voto crítico na candidatura do PSOL de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, porque é um partido que oficialmente se posicionou contra o golpe institucional, contra a prisão arbitrária de Lula e contra o veto à candidatura de Lula ao mesmo tempo em que do ponto de vista eleitoral se manteve separado do PT.

Acompanhamos a experiência de trabalhadores e jovens que por isso veem o PSOL como única alternativa política atual à esquerda do PT, partido que é a grande referência de massas da classe trabalhadora até hoje. Também consideramos importante que o PSOL tenha concedido a filiação democrática para uma organização revolucionária como o MRT ter candidatos com total liberdade de crítica.

No entanto, apontamos claramente que se o PSOL mantiver a posição expressa com a assinatura dos Manifestos "Unidade para reconstruir o Brasil" e “Por uma frente para o Parlamento compromissada com a reconstrução e o desenvolvimento do Brasil” com PT, PCdoB, PDT e PSB, pode terminar como base parlamentar de um governo do PT que, como explicamos acima, faria ataques ainda mais duros que os do segundo mandato de Dilma, já que nesses Manifestos apoiam um programa de reformas capitalistas que inclui a chamada “responsabilidade fiscal” (ou seja, a restrição de gastos com serviços públicos e o pagamento da ilegal e fraudulenta dívida pública) e se comprometem a ser parte de uma frente parlamentar de conciliação com partidos burgueses após as eleições com esse programa que é oposto a que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Também apresentamos durante o processo eleitoral críticas ao PSOL sobre não defenderem o não pagamento da dívida pública, sobre a luta contra o veto à candidatura do Lula e seu programa para a chamada “segurança pública”, que podem ser lidas no Esquerda Diário.

Compreendemos que alguns setores de trabalhadores e jovens queiram votar nulo em rechaço a essa eleição manipulada pelo judiciário golpista, mas não compactuamos com aqueles que adotam o voto nulo como uma negação da política ou igualando as candidaturas. Não consideramos a possibilidade de voto no PSTU mesmo que crítico por se tratar de um partido que apoiou o golpe institucional e a prisão do Lula.

Por uma esquerda que aposta na mobilização dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e da juventude contra o golpismo e a extrema direita, para que os capitalistas paguem pela crise

Somente com um programa anticapitalista e antimperialista, apostando na mobilização independente da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e da juventude podemos fazer com que os capitalistas paguem pela crise, o que só poderá se dar de forma completamente independente do PT e da burocracia sindical petista no movimento sindical, estudantil e popular, construindo correntes que sejam uma alternativa de direção combativa e classista para os setores que querem dar um combate consequente contra o golpe institucional e a extrema direita.

Defendemos um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, mas como muitos trabalhadores ainda tem ilusão no regime democrático burguês, fazemos uma proposta de emergência ao movimento operário, estudantil, de mulheres, aos sindicatos e organizações do movimento de massas: lutar por impor a instituição mais democrática concebível dentro da democracia representativa, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que debata o conjunto dos problemas estruturais do país e avance para medidas como o não pagamento da dívida pública, a reestatização, sob gestão dos trabalhadores e controle popular, de todas grandes empresas estratégicas como a Petrobras, a Eletrobras, os serviços de água e transporte, que passem a ter licitações públicas transparentes e controladas pela população, revogação de todos os ataques dos governos anteriores, contra os privilégios de seus políticos e juízes, e outras demandas.

Foi essa política que defendemos a partir das candidaturas do MRT para deputados, com Diana Assunção, Maíra Machado e Marcelo Pablito em São Paulo, Flávia Valle em Minas Gerais e Val Muller no Rio Grande do Sul, chegando com força ainda maior com nossas idéias a partir do Esquerda Diário que chegou a 2 milhões de leitores em 30 dias, contribuindo para a construção de uma alternativa que supere o PT pela esquerda contra o golpismo institucional e a extrema-direita.




Tópicos relacionados

Guilherme Boulos   /    Eleições 2018   /    MRT   /    PSOL   /    Política

Comentários

Comentar