Gênero e sexualidade

EXPOSIÇÃO SANTANDER

MPF recomenda reabertura da exposição Queermuseu

sexta-feira 29 de setembro| Edição do dia

O banco Santander deve responder hoje o ofício, encaminhado ontem pelo Ministério Público Federal (MPF), recomendando a reabertura da exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença da Arte Brasileira até a data inicialmente prevista de 08 de outubro.

A exposição do curador Gaudêncio Fidelis é formada por 270 obras de arte de diversos tipos, como pinturas, gravuras, fotografias, colagens, esculturas, cerâmicas e vídeos, de artistas como Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano e Ligia Clark, entre outros; e foi fechada em setembro após ataques de direitistas como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o prefeito Marchezan, que até a igualmente direitista revista Veja admitiu “que alegavam equivocadamente que as obras faziam apologia à pedofilia e à zoofilia.”

No oficio (leia aqui), o MPF reconhece “que as obras que trouxeram maior revolta em postagens nas redes sociais não tem qualquer apologia ou incentivo à pedofilia,” e afirma “que o precedente do fechamento de uma exposição artística causa um efeito deletério a toda liberdade de expressão artística, trazendo a memória situações perigosas da história da humanidade”, referindo-se a destruição de obras consideradas “Arte Degenerada” (Entartete Kunst) sob o regime nazista.

O oficio também recomenda, “a título de compensação pelo período em que a exposição permaneceu sem acesso ao público em geral”, que o Santander “realize, a suas expensas, nova exposição em proporções e objetivos similares a que foi interrompida, preferencialmente com temática relacionada a diferença e a diversidade,” com duração de não menos que o triplo do tempo durante o qual a Queermuseu esteve fechada, e que a reabertura desta última aconteça sem prejuízo de medidas informativas em relação ao conteúdo da exposição.

O Santander precisa responder em até 24 horas se acatará ou não a recomendação e poderá ser processado se o desacato não for justificado. O oficio do MPF data de uma semana depois dos atos contra a liminar da cura gay que aconteceram em várias cidades do país, reunindo, em São Paulo, mais de 15 mil manifestantes.

Uma nova polêmica começou nas redes sociais na noite de ontem, após a postagem de um vídeo da performance de Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo), em que uma criança de aparentemente quatro ou cinco anos aparece tocando os pés do artista nu. Em nota...

O Museu Arte de Moderna de São Paulo informa que a performance ‘La Bête’, que está sendo atacada em páginas no Facebook, foi realizada na abertura da Mostra Panorama da Arte Brasileira, em evento para convidados. A sala estava sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez do artista. O trabalho não tem conteúdo erótico ou erotizante e trata-se de uma leitura interpretativa da obra Bicho, de Lygia Clark, sobre a manipulação de objetos articuláveis. As acusações de inadequação são descabidas e guardam conexão com a cultura de ódio e intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalha pelo país e nas redes sociais. O material apresentado nas plataformas digitais omite a informação de que a criança que aparece no vídeo estava acompanhada da mãe, que participou brevemente da performance, e que a sala estava ocupada pelos espectadores. As insinuações de pedofilia são resultado de deturpação do contexto e significado da obra.




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