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MEC quer fundir CAPES e CNPq. Medida deve aprofundar ataques as bolsas de pesquisa

O MEC quer fundir em um só programa de incentivo à pesquisa, CAPES e CNPq. A medida deve atacar ainda mais as bolsas de pesquisas e a ciência brasileira.

quarta-feira 16 de outubro| Edição do dia

Em mais um ataque à pesquisa cientifica o ministro da educação, Abraham Weintraub, enviou nesta semana ao Ministério da Ciência uma proposta para unir a Capes e o CNPq, a intenção é criar uma fundação única que seria gerenciada pelo MEC. A proposta recebeu críticas do meio acadêmico e científico, sofrendo inclusive resistência dentro Ministério da Ciência, segundo o ministro Marcos Pontes: “Sobre a ideia divulgada de junção do CNPq e CAPES: a posição do MCTIC é contrária a fusão, pois seria prejudicial ao desenvolvimento científico do País. Existe algum sobreamento de atividades e pontos de melhoria na gestão. Esses problemas já estão sendo trabalhados no CNPq”.

Weintraub argumenta que o MEC saberia lidar melhor com a escassez de recursos da Capes, escassez essa fomentada por seu próprio governo, na verdade isso não passa de um pífio argumento para ampliar a precarização da pesquisa e permitir que o governo obscurantista de Bolsonaro tenha um controle maior sobre a produção cientifica. Para Roberto Muniz, presidente do sindicato nacional de gestores em ciência e tecnologia: “O governo está com um movimento para redirecionar todo o sistema de ciência e tecnologia, reduzi-lo drasticamente, e mudar o foco só para pesquisa aplicada, que gere recursos e lucros. É um risco para a soberania nacional, porque sem produzir conhecimento básico o país fica refém dos países que produzem esse conhecimento”.

Treze instituições acadêmicas publicaram uma carta em que se posicionam contra o programa de fusão: "Seria uma medida equivocada sob todos aspectos já que as duas instituições, criadas e desenvolvidas ao longo de mais de seis décadas, têm missões bastante claras e complementares", a carta contém assinaturas da Academia Brasileira de Ciências, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e Andifes (instituição que reúne reitores das universidades federais) entre outros.

Desde o inicio do bloqueio de recursos, a Capes já cortou 7.590 bolsas de pesquisa, o equivalente a 8% do que havia no inicio do ano. Mesmo após o recente descongelamento, a instituição ainda necessita de 549R$ milhões para normalizar suas atividades. Não satisfeito, o governo enviou uma proposta para a Câmara na qual o orçamento da Capes cai de 4,25 bilhões para 2,20 bilhões em 2020, ampliando ainda mais a precarização da pesquisa e a nossa dependência tecnológica para com os aliados imperialistas do governo.

A situação é tão desesperadora que o CNPq teve que remanejar recursos do projeto Sirius para pagar bolsas de pesquisa. Trata-se de um acelerador de partículas localizado em Campinas (SP), o equipamento tem o tamanho de um estádio de futebol e é o esforço tecnológico mais caro e sofisticado da ciência brasileira. O acelerador de partículas permitiria a visualização em alta resolução de, por exemplo, vírus e proteínas, que poderia contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas.

Diante dessa situação de precarização e ataque a educação, é fundamental que os estudantes de todo o pais lembrem que os estudantes mostraram seu potencial, com o fervor de luta dos dias 15 e 30 de maio, fervor este que foi contido pelas burocracias da UNE e dos DCEs, que agiram de forma consciente para frear a luta dos estudantes que mostraram a capacidade da juventude para poder impor limites ao Governo Bolsonaro. Temos que seguir o exemplo dos estudantes grevistas da UFSC que exigiram da UNE a realização de uma greve nacional da educação, mostrando o caminho para as universidades em todo o país. Também por isso nós da Juventude Faísca, em diversas universidades, federais e estaduais, estamos e estaremos participando dos processos eleitorais de DCEs e Centros e Diretórios Acadêmicos, batalhando pela necessidade de, frente a esse governo reacionário e seus ataques, retomar as entidades dessas burocracias, e construir entidades militantes para se enfrentar contra Bolsonaro, e que realmente sirvam como ferramenta de organização dos estudantes desde as bases para se enfrentar com todos os ataques




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