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MEC nomeia reitora interventora na UFGD que nem mesmo participou do processo eleitoral

Na última semana o MEC ignorou a lista tríplice apresentada pelo Colégio Eleitoral da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e nomeou para a reitoria outra professora, ideologicamente alinhada com o projeto de educação do governo Bolsonaro e seu ministro Weintraub.

quarta-feira 19 de junho| Edição do dia

Na última semana nos deparamos com mais uma ação que mostra o projeto obscurantista para a educação que está sendo levado adiante pelo governo Bolsonaro, através de seu ministro conservador e reacionário Abraham Weintraub. O Ministério da Educação (MEC) agora nomeou uma reitora interventora para a UFGD que nem mesmo se candidatou ao processo eleitoral, ignorando a lista tríplice apresentada pelo Colégio Eleitoral, onde encontravam-se os nome dos professores que realmente candidataram-se.

A eleição para reitores das universidades federais funciona através do método da indicação ao MEC de uma lista com três nomes de professores que se candidatam ao cargo de reitor. No processo na UFGD, como acontece tradicionalmente nas universidades públicas, houve uma consulta eleitoral paritária para a comunidade acadêmica. Em seguida, o resultado é enviado ao Colégio Eleitoral, formado por professores, funcionários e estudantes na proporção de 70% para docentes e 30% para técnicos-administrativos e discentes, que ratifica o resultado da consulta à comunidade. A lista tríplice junto ao resultado escolhido pela universidade é enviado ao MEC e ao presidente, que nomeiam o reitor escolhido.

Esse ano, no primeiro ano de governo Bolsonaro e tendo a frente do MEC um ministro que atua desde o primeiro dia para atacar as universidades públicas, o MEC e a justiça questionaram a decisão da universidade, o que levou o Ministério Público Federal (MPF) a suspender a lista tríplice e determinar pela realização de novas eleições. Agora, o ministro Weintraub nomeou como reitora temporária Mirlene Damázio, apoiadora da chapa 2 “UFGD em Ação”, que foi derrotada e tinha a sua frente apoiadores de Jair Bolsonaro. Damázio logo nomeou com seu vice-reitor outro professor que também é um apoiador aberto do presidente de extrema-direita.

Essa nomeação do MEC é mais um enorme ataque às universidades públicas, após o corte bilionário feito no último mês, que chega a impedir a existência de diversas universidades pelo país. Ferem agora a autonomia universitária, que garante que as universidades possam decidir a melhorar maneira de realizar seus processos eleitorais, e representa diretamente uma intervenção do governo Bolsonaro na universidade, pois coloca em sua direção, entre centenas de professores, aqueles que mais abertamente defendem os projetos obscuros do governo para a educação.

É preciso defender a autonomia universitária contra mais essa medida autoritária, que avança na perseguição aos professores, estudantes e à educação pública. Os planos do governo e seus ministros mostram como são inimigos da educação e querem destruir as universidades, seu pensamento crítico e suas pesquisas.

A universidade e toda sua comunidade precisam ter autonomia para decidir qual a melhor maneira de ser gerida, e por isso nem mesmo a lista tríplice, tal como funciona hoje a eleição, garante essa autonomia até o final, já que ainda cabe ao governo decidir o reitor, sem ter nenhuma obrigação em escolher o mais votado. A universidade pública deve colocar toda sua produção à serviço dos trabalhadores e da população, e não dos lucros dos empresários e planos obscurantistas dos conservadores. Isso só pode ser possível se ao invés da estrutura de poder da universidade tal qual temos hoje, de um reitor nomeado pelo presidente e uma casta de professores decidindo tudo nos conselhos universitário, a universidade for gerida pela comunidade acadêmica, gerida proporcionalmente pelos professores, funcionários e estudantes, que são aqueles que cotidianamente produzem e fazem a universidade existir.




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