EDUCAÇÃO

MEC irá controlar roupas e cabelo de estudantes de escolas-militares e criará "disciplinômetro"

Weintraub preparou uma cartilha que irá controlar as vestimentas, comportamento e cabelo dos estudantes de escolas militares. Além disso será criado um "medidor de disciplina" para jovens que ganharão pontos ou perderão pontos, podendo ser expulsos sumariamente.

terça-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

Uma das principais bandeiras de Bolsonaro, as escolas cívico-militares, terão uma série de regras sobre vestuário e comportamento dos alunos. Embora não tenha fechado a lista de colégios que receberão o programa nem contratado os militares que atuarão nas unidades, o Ministério da Educação (MEC) definiu um manual de regras que os alunos deverão seguir - de como cortar o cabelo aos tipos de roupa proibidos. O governo prevê adotar o programa em 54 colégios de ensino fundamental e médio neste ano.

Enquanto segue atacando a educação, tendo a frente o ministro Abraham Weintraub, o governo Bolsonaro, que acabou de protagonizar um verdadeiro escândalo com os mais diversos erros no ENEM e no Sisu, avança para garantir sua política reacionária nas escolas. Sendo a juventude a linha de frente de rechaço ao seu governo e o que represente em termos de educação e liberdade de pensamento, o governo Bolsonaro se apoia neste modelo escolar para garantir o controle da juventude e dos professores.

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Além disso, Bolsonaro aproveitará para colocar nas escolas seus colegas militares: escolas cívico-militares terão gestão compartilhada entre militares e civis. A ação do MEC prevê que militares da reserva atuem em tutorias e na área administrativa.

Em consonância com Damares e seu ministério que prega abstinência sexual como forma de prevenir gravidez na adolescência, Weintraub lançará para as escolas-militares um manual de regras completamente arcaico e medieval sobre vestimenta e comportamento.

Saiba mais: Ministério chefiado por Damares sugere abstinência sexual como método contraceptivo

Para os meninos, o cabelo deve ser cortado de modo a "manter nítidos os contornos junto às orelhas e o pescoço". Eles também devem estar "bem barbeados, com cabelos e sobrancelhas na tonalidade natural e sem adereços, quando uniformizados". O uniforme obrigatório exige que usem, em dias letivos normais, camisa meia-manga com ombreiras, calça comprida, cinto, meia e sapatos sociais. Eles só podem usar bermuda para atividades físicas.

Para as meninas, o cabelo deve estar "cuidadosamente arrumado" para o uso correto da boina. Em caso de alunas com cabelos médios ou longos, eles devem estar presos, mantidos "penteados e bem apresentados". O uniforme estabelecido para as meninas prevê que elas usem saia-calça, camisa com ombreira e sapato social.

Medidor de "disciplina"

O manual também estabelece um cálculo para avaliar o comportamento dos alunos. Com o cálculo, eles terão o comportamento classificado em uma escala com seis faixas, que vai de: "mau" a "excepcional".

A nota será composta com o reconhecimento de boas atitudes (por exemplo, o aluno ganhará 0,3 ponto a cada elogio que receber) e a subtração no caso de punição (perde 0,3 ponto se for repreendido). O jovem classificado com comportamento "mau" será "transferido compulsoriamente", segundo o manual.

Ofensiva bolsonarista nas escolas: a juventude como linha de frente no repúdio à Bolsonaro

Enquanto centenas de escolas no Brasil carecem de água encanada, energia elétrica, material escolar e merenda, conforme apontou pesquisa afirmando que 16% não contam com instalações sanitárias, Bolsonaro destinará R$ 54 milhões para ajustar as escolas e garantir o "Escola sem Partido".

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As escolas cívico-militares funcionarão sob a doutrina do “Escola sem Partido”, que na realidade é um mecanismo para garantir o controle sobre a juventude e sobre os professores sob a fake news da "doutrinação marxista". Assim, este projeto de escola que ameaça perseguir professores e castigar alunos, em nome de pretensos valores “éticos e morais”, será implementado por aqueles que prestam homenagens à torturadores como Ustra e à sangrenta Ditadura Militar.

A militarização das escolas trata de colocar aqueles responsáveis pela morte cotidiana de crianças nas favelas, como Ágatha Felix, Maria Eduarda, Ketellen, Marcos Vinicius e tantas outras, para decidir o que elas podem aprender e como devem se comportar. Busca elevar o nível de controle social e dos corpos por parte do Estado, a serviço de uma disciplina para a submissão e exploração capitalista cada vez mais perversa.

A juventude, ao lado dos trabalhadores, deve encabeçar uma luta por uma educação capaz de garantir o direito ao livre pensamento, ao debate amplo e necessário com os estudantes e com a realidade que vivem, combatendo propostas abjetas e medievais como a política de “abstinência sexual” da ministra Damares. É preciso investir nas escolas, nos professores e estudantes, garantindo condições viáveis para combater a evasão escola e avançar para um ensino público de qualidade e universal.

Com informações de Agência Estado




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