Educação

PRIVATIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

MEC homologa o privatizante Ensino à Distância no ensino médio

O MEC aprovou medida para que se faça 20% do ensino médio a distância. 30% para o curso noturno e 80% para o EJA. O texto foi homologado após aprovação anti-democrática no Conselho Nacional de Educação (CNE).

quarta-feira 21 de novembro| Edição do dia

Imagem: Rede Sim

Nesta terça-feira (20) as novas diretrizes do ensino médio foram homologadas pelo Ministério da Educação (MEC), entre elas está a permissão para que se faça até 30% do ensino médio a distância. O Conselho Nacional de Educação (CNE) já havia aprovado a medida de uma forma completamente antidemocrática. O absurdo texto servirá como meio para complementar a Reforma do Ensino Médio e abrir ainda mais espaço para a privatização da educação.

A consulta pública ocorreu rapidamente durante o segundo turno, sendo que os documentos supostamente recebidos na consulta não foram divulgados e o texto final só foi apresentado para os conselheiros um dia antes da votação. 12 dias depois o MEC homologa a decisão de uma forma absolutamente uniliteral, em favor da privatização do ensino público.

O texto estabelece que em cursos diurnos de ensino médio o aluno poderá fazer até 20% das horas obrigatórias a distância. No noturno, o percentual chega a 30% e na modalidade de EJA (Educação para Jovens e Adultos), focada naqueles que não se formaram, pula para 80%. As diretrizes curriculares servem para orientar escolas e sistemas na organização da oferta escolar. A nova legislação dependerá de regulamentação nos estados.

O ensino médio, que é considerado o maior gargalo da educação brasileira, tem um grande índice de abandono e de baixos indicadores de aprendizado. As atividades à distância tornarão isso ainda pior, podendo ser online ou sem suporte tecnológico digital, de acordo com o que foi aprovado. Os alunos que hoje já não veem futuro com a educação, que tem seu ensino superior barrado por um filtro social que é o vestibular, estão cada vez mais sem incentivo de continuar estudando com todos os ataques dos golpistas e de Bolsonaro que pretendem acabar com a educação pública, e o ensino à distância tornará esse desinteresse ainda maior.

Tanto o conteúdo comum quanto os itinerários poderão ser oferecidos à distância, e a diretriz consta que as redes de ensino possam fazer parcerias com entidades para levar isso a frente. Trabalhos supervisionados ou voluntários, além de contribuições para a comunidade, poderão ser consideradas como carga horária para o ensino médio, podendo ser feitos à distância. Ou seja, para levar em frente um ensino falho, com autorização do governo as empresas avançam cada vez mais para o campo educacional.

Ataques absurdos à educação foram aprofundados após o golpe institucional, que o PT abriu espaço e que culminou na aprovação de reformas como a do ensino médio. Agora, o reacionário presidente recém-eleito vem para dar uma continuidade ainda mais violenta a esses ataques, prometendo acabar com todo o debate crítico nas salas de aula com a aprovação do Escola sem Partido e propondo absurdos como educação à distância desde o ensino fundamental para “acabar com o marxismo”.

Os professores sempre foram uma categoria de luta no início desse ano mostraram uma grande força em São Paulo quando derrotaram a reforma da previdência privada de João Dória. Para dar uma resposta profunda e mostrar que quem tem que defender os rumos da educação não são os empresários, e sim quem lida com ela todos os dias, é preciso que seja organizado em cada local de trabalho e estudo assembleias e comitês de base para que uma grande luta se mostre nas ruas. O PT, que dirige o maior sindicato da América Latina, precisa romper com sua estratégia meramente eleitoral de “esperar a poeira abaixar” e parar de construir a passividade para levar em frente a única forma que é possível vencer e barrar esses absurdos: com os professores e estudantes fazendo paralisações e greves por todo o país.




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