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MEC aponta escolas sem banheiro e sem esgoto no Brasil

O Brasil, segundo o MEC, tem um total de 184,1 mil escolas; destas, 83% são públicas. Das 131,6 mil escolas de Ensino Fundamental, menos da metade está ligada a uma rede de esgoto e mais da metade ainda usa fossa; 6,1% não tem esgoto e 8,2% não tem banheiro. As dedicadas ao Ensino Infantil somam 116,5 mil – e dessas, 8,5% não possuem nem saneamento básico nem sistema de energia elétrica. Ou seja: em cerca de 10 mil escolas, crianças entre 0 e 6 anos não contam nem com luz para estudar; e em 11 mil, crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não têm sequer um banheiro à sua disposição.

sexta-feira 2 de março| Edição do dia

A denúncia desse estado de calamidade é do químico Édison Carlos, em artigo de opinião publicado hoje na Folha de S.Paulo. O presidente executivo do Instituto Trata Brasil usa os dados apresentados pela pesquisa Censo Escolar, conduzida pelo INEP, cujos números mostram com bastante clareza o descaso, o abandono e a falta de perspectiva a que são relegadas crianças, adolescentes e jovens que dependem da Educação Básica pública para se formar.

Édison Carlos focaliza a questão do saneamento básico, mas por qualquer lado que se analise os dados da pesquisa as conclusões são terríveis. Falta de tudo: de banheiro e luz a professor habilitado para lecionar uma dada disciplina. Não é à toa que as taxas de abandono, sobretudo na virada do Ensino Fundamental II para o Ensino Médio, são altíssimas. Diante da escolha entre trabalhar, seja para complementar a renda da família, seja para ter renda própria, e ir à escola, para aprender nada e ser tratado como porco em monturo, a escolha, ou a imposição, para quem tem entre 15 e 19 anos no Brasil de 2018, parece muito óbvia. Isso quando a única alternativa desses jovens não é o ingresso em organizações criminosas, uma vez que postos de trabalho aumentam somente na cabeça delirante dos marqueteiros dos golpistas.

No caso do Ensino Infantil, o problema se torna ainda mais dramático, porque dispor de creches e escolas para as crianças, sem falar em lavanderias e restaurantes públicos, é fundamental para a mulher trabalhadora, que não tem outra alternativa a não ser matricular os filhos em estabelecimentos do Estado, enquanto enfreta jornadas exaustivas para garantir o sustento dos seus e, muitas vezes, moram em locais cujas condições são bastante semelhantes àquelas enfrentadas pelas escolas.

No Brasil, 34 milhões de pessoas não possuem acesso a saneamento básico. Não precisa ser perito em nada para fazer a relação com esse estado de coisas e a proliferação de doenças como a dengue, a chikunguya, o zika vírus e, como se já não fosse praga suficiente, também, agora, afebre amarela. Quem está fazendo a festa são os donos das redes de farmácias, que vendem vacinas a preços exorbitantes, e os fabricantes de repelente de mosquitos, que se tornou um item básico nos dias de hoje. Mas, como no caso da educação, é só para quem pode pagar.

É boa a comparação que Édison Carlos faz, de que o Brasil, em termos de saneamento básico, parou no século XIX. Se, antes, como ele nota, havia um esforço, muito mínimo, que só parecia grandioso diante da calamidade geral, é preciso dizer, no Brasil de hoje, já estamos cruzando a ponte, que eles dizem ser para o futuro, diretamente e em marcha acelerada, para o inferno, ou para o Brasil Colônia ou para a Idade Média, como muita gente já percebeu. Não é exagero, no campo da repressão ao livre pensamento e às artes, sempre a primeira a sentir, já chegamos lá.




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