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MBL quer cobrança de mensalidades nas universidades públicas

O Movimento Brasil Livre, ativo apoiador do golpe institucional e de estreitas relações com partidos de direita como o PSDB, lançou uma campanha para que sejam cobradas mensalidades nas universidades públicas. O argumento populista de direita tenta convencer que uma medida dessas combate a desigualdade no ensino superior, quando o efeito de um ataque como esse seria exatamente o contrário, reforçar o elitismo das universidades.

segunda-feira 31 de julho| Edição do dia

O Movimento Brasil Livre é campeão de lançar campanhas hipócritas e populistas. A última do grupinho verde e amarelo é que devem ser cobradas mensalidades nas universidades públicas. O grupo justifica a iniciativa como uma suposta medida de combate à "demagogia esquerdista". Na verdade, a esquerda foi quem historicamente questionou o elitismo das universidades públicas e lutou para mudar isso. A direita e especialmente o MBL, entretanto, sempre buscaram combater qualquer medida neste sentido, como as cotas.

Vale lembrar que é deste mesmo grupo o vereador Fernando Holiday, que em São Paulo chegou a propor o fim das cotas e do Dia da Consciência Negra, e teve chiliques quando a reserva de vagas para negras e negros, por pressão do movimento negro e do movimento estudantil, foi aprovada na Unicamp e na USP. As cotas são uma medida real de combate à desigualdade de acesso à universidade pública, embora ainda sejam insuficientes para transformar radicalmente o elitismo destas instituições.

Agora o MBL, com sua retórica populista, diz que a solução para desigualdade de acesso ao ensino super é, pasmem, cobrar mensalidades! Eles até falam que a cobrança seria para alunos "de classe média e alta", sem deixar bem evidenciado quais critérios definiriam um aluno como tal. Na prática a ideia dos amiguinhos da Fiesp abre precedente para que o ensino público superior seja cobrado de todos os alunos, tornando os espaços da universidade ainda mais elitizados do que hoje já são. Ideias como essa, inclusive, já estiveram na boca do presidente golpista Michel Temer.

Para que essa proposta de ataque ao ensino superior público, acontecesse no mundo real teriam que ter, inclusive, reserva de vagas não-pagas para estudantes pobres (cotas!). Ou será que Kim Kataguiri e sua turma realmente confiam nos governos ao ponto de achar que, podendo cobrar mensalidade de todos os alunos, deixariam de cobrar de alguns? Se fazem de inocentes ou realmente confiam cegamente em seus amigos governantes, mesmo.

A desigualdade de acesso ao ensino público não será combatida com medidas que reforçam ainda mais o elitismo destes espaços. A retórica populista do MBL não convence, na medida em que legitima, por exemplo, o vestibular, verdadeiro filtro social que barra jovens pobres, negros e da classe trabalhadora de ter acesso ao ensino superior. Este mesmo grupo, que é o primeiro a condenar as cotas, agora vem com essa ladainha de que cobrar mensalidade em universidades públicas vai resolver algum problema. A única medida que pode realmente democratizar o acesso às universidades públicas é o fim do vestibular.

Chama atenção também nesta proposta que, agora, para justificar a cobrança do ensino superior, eles tentam se mostrar muito preocupados com o fato de que os pobres sustentam o ensino dos ricos e, inclusive, supostamente preocupados com a educação pública. Pura hipocrisia, mais uma vez. Quando milhares de estudantes secundaristas ocuparam suas escolas no ano passado em defesa da educação pública, o grupelho chegou a invadir escolas ocupadas para agredir estudantes. Quando as universidades foram ocupadas também o MBL foi correndo condenar o movimento. Quando professores lutam e fazem greve em defesa da educação também é o MBL que vai chamá-los de "baderneiros", "vagabundos" e condena o movimento.

A verdade é que o MBL não se importa com o elitismo da universidade pública e muito menos com a má qualidade da educação básica. O discurso populista é para tentar recompor uma base social que deslegitimou o grupo depois de apoiarem os ataques de Temer, presidente golpista cuja popularidade ruma a zero. Apoiaram a PEC 55, que congela investimentos públicos em áreas como a educação, são contra cotas, não tem nenhuma crítica ao vestibular, condenam todos os movimentos de estudantes e professores em defesa da educação e agora vem com esse discursinho hipócrita de que se preocupam com a desigualdade de acesso ao ensino superior e com a má qualidade da educação pública. Será que estariam, mais uma vez recebendo dinheiro de setores interessados com uma proposta como essa? Não sabemos, mas o fato é que não enganam ninguém como sua suposta e repentina preocupação com a educação pública.




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