MABE: anunciado leilão das fábricas de Hortolândia e Campinas, o que foram as ocupações das fábricas e suas perspectivas

As fábricas da MABE de Campinas e Hortolândia já foram responsáveis por 20% da linha branca nacional, em fogões e geladeiras. A unidade de Campinas ainda conta com uma linha de produção de última geração de máquinas de lavar.

quarta-feira 16 de agosto| Edição do dia

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo publicou edital para leiloar as plantas e os equipamentos, com o intuito de arrecadar R$ 242,8 milhões de reais. Importante notar que na última atualização do Capital Social das fábricas ambas estavam avaliadas em mais de R$ 500 milhões de reais, ou seja, o Tribunal venderá pela metade do preço os bens da fábrica enquanto deixou mais de 2000 trabalhadores na rua em Campinas e Hortolândia, muitos ainda sem receber suas indenizações devidamente.

O valor proposto no leilão provavelmente só será coberto por multinacionais, tal como a antiga MABE mexicana, cujos interesses já foram denunciados nesse texto no Esquerda Diário. “Lucros operacionais” “baixo capital de giro” são as desculpas que as multinacionais já tem na ponta da língua para tentarem falar que nossa vidas valem mais que seus lucros, mas isso não é verdade, por exemplo, somente o passivo trabalhista (o que a empresa devia a todos trabalhadores, INSS e FGTS) não chegava a R$ 20 milhões, enquanto suas fábricas valiam mais de R$ 500 milhões construídas e mantidas com o suor de milhares de trabalhadores que durante anos deixaram seu sangue e suor ali.

Os trabalhadores da MABE protagonizaram por mais de dois meses a ocupação das duas fábricas, se tornando centro da política regional ao pararem a rodovia que dá acesso ao principal aeroporto de cargas da América Latina e saindo na capa dos jornais locais. O Esquerda Diário, a partir do MRT e dos jovens que hoje compõem a Faísca estiveram presentes na ocupação desde seu início, estampando na Globo a aliança operário-estudantil tão fundamental a Faísca.

A ocupação da MABE foi recheada de lições que são, por exemplo, colocadas em prática hoje na Argentina frente ao anúncio do fechamento da planta da PepsiCo na Grande Buenos Aires. Desde o desgaste da companhia e da marca, até fazer com que o governo tenha que adiar seu plano de reforma trabalhista. A luta das trabalhadoras da PepsiCo inclusive recoloca vários aspectos no debate feminista, resgatando uma estratégia de combate ao capitalismo para a luta das mulheres. Por fim, todas essas lições chegam ao nível dos sindicatos e da esquerda na América Latina, sendo fundamental retomar o debate sobre a importância da independência de classe, sociedade e Estado.




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