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ENCONTRO DE TRABALHADORES NEGROS

Lutar contra o racismo é tarefa de todos os sindicatos

sexta-feira 21 de outubro| Edição do dia

O capitalismo, antes mesmo de se firmar como sistema mundial, já construía o racismo como uma opressão fundamental para o acúmulo de riquezas. A escravidão da qual os negros foram vítimas funcionou em escala industrial e roubou milhões de negros de dentro de suas próprias casas, criando um eixo comercial extremamente lucrativo, responsável pelo fortalecimento da burguesia enquanto classe nos principais países exploradores de colônias, como Inglaterra, França, Portugal e Espanha.

Os trabalhadores são os mais oprimidos e explorados pelo capitalismo, sendo os mais interessados pela destruição desse sistema de miséria, fome, dor e opressão, e o racismo faz parte de cada um dos momentos mais doloridos da realidade de um trabalhador negro. O racismo está nas piadas que se dizem nos corredores, na exigência de que as mulheres alisem os cabelos, nos apelidos mal intencionados. Mas principalmente, o racismo está no lucro.

Em média, os trabalhadores negros brasileiros recebem cerca de 60% do salário médio dos trabalhadores brancos e as mulheres negras, menos ainda. Quando têm seu salário comparado ao das mulheres brancas, recebem apenas metade, e em comparação aos homens brancos, o salário das negras representa apenas 35% do que eles recebem.

Os negros ja lutam contra o racismo todos os dia de varias formas e os sindicatos devem servir como ferramentas que sirvam para fortalecer ainda mais a luta de cada trabalhador negro e de todos os trabalhadores brancos também, contra o racismo, o que é fundamental para a unidade das fileiras operárias. Afinal, a burguesia e os patrões usam o racismo para dividir a força da classe trabalhadora e não podemos permitir que siga sendo assim.

Por isso saudamos fortemente a iniciativa do Sindicato de Trabalhadores da USP, levada adiante pela Secretaria de Negras e Negros do SINTUSP. Essa iniciativa é um grande destaque em um país onde a maioria dos sindicatos, adaptados ao PT ou a partidos de direita, ignora a luta contra o racismo pois sabe que é um grande ataque a qualquer aliança com as burguesias nacionais e imperialistas. Este é o início de um importante trabalho que deve colocar como norte a luta pela igualdade salarial entre negros e brancos, que passa pelo fim da terceirização e efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso.




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