Política

GOVERNO BOLSONARO

“Lutamos pelo Fora Bolsonaro, mas não para que entre Mourão” diz Marcello Pablito

"O ódio contra Bolsonaro está crescendo cada vez mais, o que expressa o repúdio sincero de um grande setor contra sua política reacionária que de fato não podemos aceitar. Por outro lado, os militares, incluindo Mourão, seu vice, estão ganhando cada vez mais peso no regime. Por isso gritamos: Fora Bolsonaro, Mourão e os militares!"

quinta-feira 9 de abril| Edição do dia

Em entrevista ao Esquerda diário, Marcello Pablito, trabalhador da USP e dirigente do MRT, afirmou:

"A crise do coronavírus está avançando cada vez mais, e no Brasil já foram registradas 800 mortes e mais de 15.000 infectados, de acordo com os dados oficiais, que certamente são bem menores que os reais devido à falta de testes massivos. Em meio a isso e a uma grande incerteza e angústia da população de qual será seu destino, Bolsonaro vem enfrentando a pandemia de forma totalmente negacionista, chocando-se com a quarentena e afirmando que se trata apenas de uma “gripezinha”.

Conforme as mortes aumentam e os números começam a se transformar em nomes, endereços e lembranças, o ódio contra o presidente passa a aumentar. Os panelaços em centros urbanos são expressões de um rompimento das classes médias com o governo, e em setores dos trabalhadores mais precarizados isso também é visível. Milhões expressam o ódio contra Bolsonaro e é evidente que essa demanda é essencial.

Esse rechaço é fundamental, pois ele também se dá nos marcos do fato de Bolsonaro tem apoio de um setor, que é composto por uma pequeno burguesia branca, reacionária, apoiadora de Olavo de Carvalho e com elementos fascistas, as Igrejas evangélicas e sua cúpula e alguns trabalhadores informais que o apoiam por sua demagogia de que se preocupa com eles.

Enquanto no meio da crise a postura absurda de Bolsonaro segue, governadores estão se fortalecendo ao afirmarem falsamente que se importam com os trabalhadores e que apoiam a quarentena de Mandetta. Se fortalecem com muita mentira de que se preocupam com o povo pobre, quando na verdade Doria aplaudiu a MP de Bolsonaro que suspendia salário dos trabalhadores por 4 meses. Falam que querem combater o coronavírus e que defendem a quarentena, mas nitidamente essas afirmações são ineficazes pois até agora nem Doria nem Witzel, por exemplo, disponibilizaram testes massivos para todos que apresentam sintomas e os que tiveram contato com eles, leitos, respiradores e insumos básicos de proteção.

No meio desse embate entre Bolsonaro e governadores, os militares estão assumindo cada vez mais um papel na política, atuando como “poder moderador” dos extremismos do governo. Aparecendo para as massas como “setor sério” de combate ao coronavírus apoiando Mandetta e a quarentena horizontal, os militares, com generais como Braga Netto e Mourão à frente, tentam tirar o peso de Bolsonaro na condução do governo de combate à crise. Isso foi visível com o papel que eles cumpriram para impedir que Bolsonaro demitisse Mandetta, que também tenta aparecer como racional mas é um golpista que apoiou a destruição em toda sua trajetória, do Ministério da Saúde.

É um fato que os militares aparecem como um setor mais forte no regime, com Braga Netto à frente do comitê de crise e com militares presentes nas principais negociações. Pensar o Fora Bolsonaro sem junto com isso problematizar que quem entraria no seu lugar é Mourão, que estava há poucos dias defendendo o Golpe Militar de 64, é escandaloso.

Embora o PT e as centrais sindicais apoiem o protagonismo dos governadores no combate ao coronavírus, chegando ao ponto de Lula acenar abertamente à Doria, também se apoiam no Fora Bolsonaro que conduz a situação ao beco sem saída desse regime militarizado em construção. Flavio Dino (PCdoB) foi o mais descarado, chegando a defender abertamente Mourão até 2022.

Infelizmente, essa política também é levada em frente não apenas por figuras como Ciro, Haddad, Flavio Dino e Requião (MDB), mas também por partidos da esquerda como PSOL e PCB, que assinaram um manifesto absurdo pedindo a renúncia de Bolsonaro, sem em momento algum questionar quem irá fortalecer com isso. Na prática, isso fortalece a entrada de Mourão como presidente.

Nós sabemos o legado nojento e sanguinário que os militares reivindicam com todo orgulho. Sabemos que a saída que eles estão dispostos a dar não é pensando no povo pobre. Mourão é vice de Bolsonaro porque concorda com o pacote da burguesia de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, com todas as suas reformas, como a da previdência. Não é capaz de oferecer uma saída para a crise, com testes para todos com sintomas, leitos e respiradores, pois essa não é sua prioridade, nem de Mandetta ou dos patrões. Devemos depositar todo o nosso ódio no governo, sem que isso signifique que Mourão entrará no lugar. Lutemos contra Bolsonaro, Mourão e os militares!

Por outro lado, também sabemos que Maia, articulador da reforma da previdência, ou o STF que articulou o golpe institucional de 2016 também não vão colocar as vidas dos trabalhadores como prioridade. Não podemos depositar nenhuma confiança em Maia, os governadores ou o STF! Eles também são responsáveis pelas mortes, desemprego, miséria e por esse regime político cada vez mais autoritário.

O povo deve decidir qual a melhor saída. Devemos batalhar pela organização dos trabalhadores para impor medidas de emergência frente à pandemia, exigir testes massivos, máscaras e álcool em gel distribuídos para todos, um mínimo de 2000 reais para os afetados pelo desemprego, batalhar contra as demissões. Junto a isso, batalhemos por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que a classe trabalhadora possa emergir como sujeito independente e mostre uma saída para o país que derrube Bolsonaro, os militares e os golpistas civis."




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