Política

DECLARAÇÃO LULA

Lula se defende da Lava Jato cuidando para não dar corda a luta contra os ajustes

Na tarde desta quinta (15) o ex-presidente Lula deu uma coletiva de imprensa sobre para rebater a denúncia realizada ontem pelo Ministério Público do Paraná à operação Lava Jato, na qual é acusado de ser o comandante máximo dos esquemas de corrupção.

quinta-feira 15 de setembro| Edição do dia

Ontem o Ministério Público, na figura do procurador-chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, acusou Lula de ser o comandante do esquema de corrupção da Petrobrás investigado pela operação, conforme publicamos aqui.

Sem provas, mas com convicção Dallagnol acusou o ex-presidente, que na tarde desta quinta convocou uma coletiva de imprensa para rebater a denúncia.

Aproveitando-se do autoritarismo do procurador em fazer uma denúncia destituída de qualquer prova, (que deixou a própria imprensa golpista desconfortável) Lula iniciou seu discurso confiante e em tom jocoso, questionando a necessidade de se alugar um hotel, organizar uma coletiva de imprensa, para no final não ter provas que justifiquem a acusação. Traçou um paralelo com o caso do deputado Gustavo Perrella, que teve helicóptero apreendido com quilos de cocaína, “Eles tinham prova do helicóptero. Eles tinham prova, mas não tinham convicção".

Lançou um alerta a todas as instituições judiciárias de que "aqueles que mentiram estão numa enrascada", e de que nem ele, "nem Janot, nem os procuradores do MPF, nem os delegados da PF" estão acima da lei.

Sugeriu que a mídia, o Ministério Público peçam desculpas a ele e sua família, ou mesmo sigam inventado mentiras para justificar a primeira. "Me dedicaram um apartamento que não tenho, uma chácara que não é minha. Disseram que sou o ’comandante máximo’ de um esquema corrupção. Eu tenho a convicção de que quem mentiu está numa enrascada" E seguiu: “A desgraça de quem conta a primeira mentira é continuar a passar o resto da vida mentindo”.

Centrou fogo em parte de seu discurso para mostrar a falcatrua das acusações feitas, mas fazendo uma separação entre os que trabalham de maneira "correta" no Ministério Público, além de reforçar que durante seu governo fortaleceu as instituições do judiciário, e da polícia Federal. Se colocando a disposição em participar de qualquer investigação "desde que seja séria".

Colocou no final da coletiva que o PT será uma força no combate, afirmando que o seu partido foi o que mais beneficiou a população em todos os anos de seu governo. Denunciou os golpistas que querem aplicar uma série de medidas de ajuste como reforma trabalhista e previdência, sem tocar nas instituições que constrói, como CUT e CTB.

Como parte do discurso feito na imprensa nesta semana, de que "o PT precisa reaprender a fazer oposição", incentivou os militantes petistas a saírem de vermelho nas ruas, com as camisas do partido "que mais fez pelo país", fazendo caso omisso da enorme crise política que atravessa o PT depois de ter aceitado o golpe institucional da direita e ter atacado brutalmente os direitos dos trabalhadores, abrindo o caminho à direita e assimilando a corrupção capitalista. Não a toa, a "oposição" a que se referiu Lula não toca na organização pela base dos trabalhadores contra os ataques da direita, mas uma oposição "no Congresso e nas redes sociais", responsável e deixando a porta aberta a recomposição do regime com a direita.

Esta oposição sem luta, que não organizará uma resistência nas ruas, com greves, piquetes, ou ocupações, mas sim dentro das instituições do regime golpista, serve à direita e não ao enfrentamento. É preciso construir uma alternativa à esquerda do PT e lutar com uma estratégia independente de Lula e seu "Diretas Já". Por isso exigimos que a CUT e a CTB (representadas no palanque e caladas sobre os ajustes) rompam sua passividade e cumplicidade com o golpe da direita e organizem seriamente uma greve geral contra os ataques do governo - tudo aquilo que o PT faz questão e mais uma vez renunciar.




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