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LULA 2018

Lula promete "paz e harmonia" para repetir a tragédia petista

Com discurso messiânico Lula dispara que vai "pacificar o país" e "colocá-lo em harmonia novamente". Alta concentração de hipocrisia que ao mesmo tempo explicita os reais objetivos de Lula, conciliar novamente e garantir os interesses capitalistas na crise.

sábado 23 de dezembro de 2017| Edição do dia

Photograph: Andre Penner/AP

"Eu vou pacificar esse país. As pessoas vão voltar a viver em harmonia. Da mesma forma que um corintiano e um palmeirense podem subir no mesmo elevador, um petista e um tucano podem, sem um morder o outro", raciocinou Lula em entrevista coletiva dada na sede do Instituto Lula, em São Paulo.

O pré-candidato a presidência ainda comentou sobre a expectativa em torno do processo que poderia inviabilizar sua candidatura, fez piada otimista frente à liderança nas pesquisas e reafirmou que é inocente, nada de novo. Mas voltemos a primeira frase, porque além de altamente audaciosa em seu apelo messiânico charlatão, ela também revela os objetivos de sempre de Lula.

Conciliação é o centro da argumentação. Uma figura "acima do bem e do mal" para conduzir o país à paz e harmonia, tenta até soar poético, e frente à crise que coloca os trabalhadores mergulhados em incerteza, desemprego, retrocessos nos direitos, pode parecer um acalanto, uma esperança.

Os empresários confiam no PSDB; logo, para cair nas graças da FIESP e da CNI - grandes patrocinadoras da infernal reforma trabalhista - para Lula é importante enviar a mensagens às grandes cúpulas empresariais que um petista não é incompatível com um tucano: especialmente no programa político.

É justamente a partir dessa sensibilidade que Lula joga com seu velho discurso de conciliação de sempre, como se fosse possível estabilizar o país, retomar a economia e garantir os interesses de capitalistas e trabalhadores ao mesmo tempo, uma falácia cada dia mais difícil de convencer.

O caminho para tal feito prometido, Lula, o PT e as grandes centrais sindicais de sua base já vem trilhando. Começaram nos governos anteriores alimentando as alianças espúrias que em nome da governabilidade fortaleceram e possibilitaram que a direita reacionária criasse asas para se aventurar num golpe institucional, depois não mobilizaram (e depois de anos de paralisia teriam mesmo dificuldades para mobilizar) os milhões de trabalhadores que lhe confiavam política e sindicalmente.

Adiantando as eleições de 2018 continuam a saga, agora anunciando o perdão aos golpistas, já que em nome desse perdão se justifica deixar tudo como está, inclusive que as reformas passem sem resistência, e tudo se resolverá depois das eleições com a chegada do salvador "capaz de pegar um elevador com os tucanos".

Mas como ganhar novamente as eleições? Oras, mostrando como é capaz de garantir os interesses capitalistas, se demonstrando um bom administrador aberto ao diálogo contínuo com os grandes empresários. Nada de enfrentamento, reafirma Lula, a política é de conciliar interesses, enganar os trabalhadores enquanto se enriquece empresários. E assim, com o discurso de paz e a promessa de retornar à um passado econômico que ficou apenas na memória e já não é realidade em nenhum lugar do mundo, Lula segue tentando parecer um mal menor, e enquanto promete que esqueçamos tudo em nome de eleger o salvador que resolverá todos os problemas, e vez ou outra prometer que vai reverter as reformas, seus aliados nos estados em crise aplicam os ajustes estrangulando os direitos dos trabalhadores, como o petista Pimentel em Minas, Pezão no Rio de Janeiro e Sartori no Rio Grande do Sul.

Lula é a personificação de uma tragédia que quer se repetir. Enfrentar a direita exige um programa e uma estratégia científicas, mas especialmente uma concepção de mundo absolutamente distinta da do PT, que sempre salvou os capitalistas: é possível construir uma alternativa política que destrua o Estado burguês e nos eleve a uma sociedade superior, sem exploradores nem explorados.

Apenas uma política independente dos trabalhadores, que passa por superar os limites das burocracias sindicais e retomar um caminho de luta e enfrentamento contra os ataques dos governos, pode oferecer uma saída que não fortaleça o capitalismo numa versão petista, mas uma superação da miséria desse sistema do "menos pior" que continua oferecendo de novo e apenas o pior.




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