Política

LULA NA LAVA-JATO

Lula é denunciado na Lava Jato, Moro decidirá

O ex-presidente Lula foi hoje denunciado formalmente pelo Ministério Público Federal do Paraná na Operação Lava Jato, sendo acusado de ser o "comandante máximo de todo esquema de corrupção investigado pela operação". Caberá agora a Moro decidir se aceita ou não a denúncia. Trata-se de nova medida de um poder crescentemente arbitrário que é o judiciário. Os esquemas de corrupção noticiados tocam todos partidos do regime, não só o PT. PSDB, PMDB e outros seguem impunes. Com essa ofensiva a Lava Jato busca criar condições mais favoráveis aos ataques aos trabalhadores e privatizações que Temer está implementando.

Iaci Maria

Belo Horizonte

quarta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Lula foi denunciado junto a ex-primeira dama Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, dois funcionários da empreiteira e outros dois investigados.

Seguindo suas promessas de fundar um novo regime político no país, os procuradores da Lava Jato se insurgiram hoje contra Lula. Fazem isso dois dias depois do parlamento se livrar de Cunha. Não faltam indícios de corrupção e das relações espúrias com as empreiteiras por parte de todos partidos capitalistas no país. O PT assimilou os métodos corruptos do PMDB, PSDB e tantos outros. A perseguição que sofre hoje Lula e o PT, ainda não toca os outros partidos do regime. O judiciário segue em sua obra de arbitrariedade em quais casos atuam.

Esta é a primeira denúncia contra Lula encaminhada ao juiz federal Sergio Moro. De acordo com a Lava Jato, Lula recebeu "benesses" da empreiteira OAS - uma das líderes do cartel que pagava propinas na Petrobras - em obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris. O prédio foi construído pela Bancoop (cooperativa habitacional do sindicato dos bancários), que teve como presidente o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto - preso desde abril de 2015. O imóvel foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira.

O Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirma que Lula é o "comandante máximo do esquema de corrupção" identificado na investigação sobre cartel e propinas na Petrobras. O petista é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá e o procurador afirma que a propina destinada ao ex-presidente supera a quantia de R$ 3 milhões.

Na denúncia contra Lula, o Ministério Público Federal pede o confisco de R$ 87 milhões. A acusação aponta "14 conjuntos de evidências que se juntam e apontam para Lula como peça central da Lava Jato". "Essas provas demonstram que Lula era o grande general que comandou a realização e a continuidade da prática dos crimes com poderes para determinar o funcionamento e, se quisesse, para determinar sua interrupção", disse Dallagnol.

Lula também já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal, acusado de obstrução da Justiça na Lava Jato, ao supostamente tentar evitar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Seguem as arbitrariedades do Judiciário

Essa denúncia de Lula não vem em qualquer momento, mas justamente quando o governo golpista e seu Judiciário nada neutro fazem uma “limpeza” no legislativo para dar legitimidade ao governo, com a cassação de Cunha na última segunda. Agora, a ação da Procuradoria quer dar a cara de que a “caça aos corruptos” está sendo feita com neutralidade.

Não há dúvidas de que o PT – assim como o PSDB, PMDB, e todos partidos burgueses da ordem – possuem íntimas relações corruptas com as grandes empreiteiras. Porém, a arbitrariedade do Judiciário é nítida quando vemos que políticos tucanos e da direita não são indiciados, não importe quantas vezes apareçam em delações premiadas – delações essas que servem para enriquecer Sérgio Moro e seus aliados, como já mostramos aqui.

Essa ação é parte de aprofundar o golpe fortalecendo um Judiciário ainda mais autoritário. Seu indiciamento agora é uma forma de enfraquecer o PT para impedir que Lula volte em 2018, abrindo espaço para a possibilidade de surgirem novas mediações à direita. Esse é o resultado da forma conciliatória do PT governar, que assimilou o modus operandi corrupto da direita. O que se trata na Lava Jato não é punir um corrupto, já que sabemos que todos são. Trata-se de um jogo de poder, que serve para abrir espaço à direita e ao imperialismo.




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