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Meio ambiente | Lula diz que faria Belo Monte de novo, sem falar nada dos crimes de sua construção

Lula declarou na última quinta-feira (23), em entrevista à Rádio Difusora, de Manaus, não se arrepender da construção da hidrelétrica de Belo Monte. As denúncias contra Belo Monte são inúmeras, desde inundação e destruição de vastas áreas indígenas até assassinatos de operários que lutaram contra a as péssimas condições de trabalho.

quarta-feira 29 de junho | Edição do dia

Foto: EVARISTO SA / AFP

Na entrevista Lula foi questionado pelos entrevistadores sobre o tema da preservação da Amazônia, a FUNAI, o recente assassinato de Bruno e Dom e também sobre o governo reacionário de Bolsonaro. Lula partiu de criticar Bolsonaro, seu incentivo à destruição da floresta e o desprezo com os povos originários. Depois, quando perguntado sobre a usina de Belo Monte e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, deixou claro que faria de novo, caso tivesse que tomar a decisão novamente.

"Faria. Faria, veja, eu conheço o argumento das pessoas que são contra, eu conheço, ou seja, as pessoas eram contra um projeto."

As denúncias de danos ambientais por conta das obras de Belo Monte são várias. Começando pelos danos aos povos indígenas da região. A Justiça Federal em Altamira, no Pará, chegou a reconhecer que a usina provocou interferências significativas "nos traços culturais, modo de vida e uso das terras pelos povos indígenas, causando relevante instabilidade nas relações intra e interétnicas". A ação iniciada em 2015 pelo Ministério Público Federal indica que a Norte Energia gerou etnocídio aos povos indígenas da Volta Grande do Xingu com as obras da hidrelétrica.

Lula ainda relativizou os danos ambientais da obra, afirmando que "fizemos uma hidrelétrica chamada fio d´água, uma hidrelétrica que não tem lago, ela não tem reservatório de água".

A área alagada pela obra é de 478km², diferente do que diz Lula. Além disso, são inúmeros relatos de pessoas que vivem da pesca na região e relatam que as obras foram devastadoras para a pesca, praticamente acabando coma a reprodução de peixes na região.

Outras denúncias escancaram as péssimas condições de trabalho no local, onde operários que trabalhavam nas obras foram submetidos à fome, perseguição e acidentes fatais que poderiam ter sido evitados. Também a terceirização foi uma dura realidade imposta aos trabalhadores de Belo Monte. Em 2012, ocorreu uma forte greve nos canteiros da obra por melhores condições de trabalho e salário, e sendo duramente reprimida pela polícia e pela patronal.

Vale resgatar um trecho da carta do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, em resposta ao discurso de Dilma na inauguração de Belo Monte, de 2015:

"Você veio ao nosso território inaugurar uma obra corrupta em sua raiz. Uma obra que enriqueceu de forma criminosa seus ex-aliados (e hoje inimigos). Você vendeu caro as nossas vidas para canalhas que hoje cospem nos pratos de porcelana chinesa em que comeram o que você lhes serviu, enquanto nós começávamos a passar fome e frio. Que tipo de pessoas sente imenso orgulho de algo assim?"

Ao defender Belo Monte, Lula encoberta todos os crimes cometidos na sua construção. Os verdadeiros favorecidos pela destruição gerada na região não foram os povos indígenas e trabalhadores, e sim os grandes capitalistas, latifundiários, pecuaristas e demais setores que lucram com a destruição da floresta. Esses mesmos setores que hoje estão ao lado de Bolsonaro, assassinam indígenas e quem defende a floresta, como foi o caso de Bruno e Dom.

Isso tudo mostra que para derrotar Bolsonaro e defender o meio ambiente, é necessário apontar um caminho independente, apostando na força da classe trabalhadora aliada aos povos indígenas, sem conciliação com nossos inimigos como faz Lula encobertando os crimes de Belo Monte e se aliando à Alckmin. Não existe planeta b!

Pode ver a entrevista na íntegra neste link.




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