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Livia Tonelli: “Por que considero um grande erro o PSOL se coligar com o PT em Campinas?”

Livia Tonelli, professora da rede pública em Campinas e pré-candidata a vereadora do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), comenta a decisão do PSOL de Campinas de se aliar ao PT nas eleições municipais.

segunda-feira 20 de julho| Edição do dia

Em Campinas, o PSOL decidiu por uma votação apertada pelo estabelecimento de uma coligação eleitoral com o PT, seguindo uma orientação comum a diversas capitais, como denunciamos aqui, e deixando de lado a imprescindível independência de classe para construir uma alternativa dos trabalhadores. Frente a isso, despontaram críticas em diversos setores do partido. Lívia Tonelli, que é militante do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), comentou a decisão do partido - do qual o MRT não faz parte, pelo qual Lívia está como pré-candidata por filiação democrática. Sua postagem no Facebook repercutiu com uma série de comentários, inclusive de membros do PSOL, como pode ser visto aqui. Abaixo, reproduzimos a íntegra da postagem em que critica a decisão do PSOL de Campinas:

"Para os que não sabem, sou pré-candidata a vereadora pelo MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) na cidade de Campinas. Em função desse regime político cada vez mais fechado, onde as organizações dos trabalhadores encontram inúmeras barreiras para participar do pleito eleitoral, nós iremos participar dessas eleições em várias capitais do país a partir da legenda democrática concedida pelo PSOL.

Quero deixar aqui minha opinião a respeito de um debate fundamental e que inclusive já foi publicizado nas redes sociais por figuras do PSOL-Campinas. Acredito que essa discussão deva ser ampla e viva e não restrita às reuniões internas, ou de organizações, que apesar de importantes são insuficientes. Afinal, essa discussão diz respeito à vida de milhões, da nossa classe, das mulheres, das LGBT´s e do povo negro.

As eleições, que devem ocorrer esse ano, precisam apresentar uma alternativa real e independente à barbárie da fome aprofundada pela pandemia. Bolsonaro, ao lado do Mourão e dos militares, são responsáveis pela miséria que estamos vivendo. Mas, governadores, prefeitos e inclusive o STF, são também responsáveis uma vez que sustentam esse regime podre.

Doria (PSDB) e Jonas Donizette (PSB) são exemplos disso. Ambos aprovaram a Reforma da Previdência. O primeiro inclusive mediante o uso absurdo da repressão na ALESP contra, principalmente, as professoras e o segundo aprovou, em meio à pandemia, aproveitando da situação excepcional para atacar os trabalhadores.
O PT, que foi retirado do poder por meio do golpe institucional, nos estados onde governa também aprovou e está aplicando a Reforma da Previdência. Assim fez no Rio Grande do Norte retirando direitos, inclusive, dos trabalhadores da saúde que estão arriscando suas próprias vidas no combate ao coronavírus. Enquanto isso os lucros de bilionários e reacionários como o dono da Riachuelo, patrocinador das reformas, seguem intocados! Poderíamos aqui citar inúmeros outros ataques que o PT desferiu contra os trabalhadores durante seus 13 anos de governo. Assim como o fato de em Campinas ter integrado a gestão do Dr. Hélio (PDT), mas isso deixaria esse post muito extenso.

Dito disso, consideramos um grande erro o PSOL se aliar ao PT. O caminho deve ser exatamente o oposto. As velhas fórmulas, o velho reformismo, a conciliação, a burocratização dos sindicatos, já provaram inúmeras vezes o seus efeitos e como só podem nos levar a um lugar: a derrota! A política do PT foi e segue sendo impotente contra a extrema-direita. O PSOL deveria estar nos sindicatos exigindo das direções do PT e da CUT que rompam imediatamente sua trégua com o governo Bolsonaro, organize e unifique de fato os trabalhadores do Brasil para enfrentar essa situação.

Não é com o PT que devemos nos aliar, mas sim com a força dos de baixo, com a classe trabalhadora e setores oprimidos que tem dado inúmeras demonstrações de sua potência. As mobilizações antirracistas que se iniciaram no coração do imperialismo e se irradiaram pelo mundo e o levante dos milhares de trabalhadores de apps que ecoam a voz operária em meio ao caos econômico e sanitário evidenciam a força da nossa classe e dos setores oprimidos.

Nós do MRT batalhamos por esse caminho, apoiado nessa fortaleza, desde os nossos locais de trabalho e estudo. Precisamos responder aos problemas de fundo. Por isso colocamos a necessidade de unificação em um sistema de saúde público, um auxílio emergencial digno de 2 mil reais e o fim dessa polícia racista que assassina o povo negro e pobre. Inclusive dizemos em alto e bom som que queremos debater esses e todos os problemas da realidade nacional, queremos uma Assembleia Constituinte, Livre e Soberana que possa mudar o conjunto das regras do jogo, e não somente os jogadores. Essa é a posição que levantaremos em nossas pré-candidaturas em diversas capitais do país."




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