CONTRA A PREVIDÊNCIA PRIVADA

Líderes sindicais chilenos preparam uma greve nacional para 4 de novembro

Mais de 200 líderes sindicais chilenos se reuniram essa semana para preparar uma greve nacional dia 4 de novembro, com o objetivo de acabar com o sistema de previdência privada.

sexta-feira 30 de setembro| Edição do dia

Com a presença de mais de 200 líderes sindicais de diversos setores da produção, foi realizada essa semana o Primeiro Encontro Sindical Nacional No +AFP para preparar a greve nacional de 4 de novembro.

A luta contra as Administradoras de Fundos de Pensão (AFP) vem crescendo em todo o país com marchas massivas. Uma nova mobilização é esperada para o dia 16 de outubro, preparatória para a greve nacional de 4 de novembro.

Acabar com as AFP agora e não amanhã

O porta-voz da coordenação nacional, Luis Mesina, presidente da Confederação de Trabalhadores Bancários, abriu a reunião com palavras que encorajavam os líderes sindicais a se sentirem responsáveis nessa importante luta contra o sistema de pensões que lança milhares de trabalhadores aposentados na miséria.

Ele também destacou a fragilidade do sistema financeiro, em particular a situação difícil do Chile, ao tratar da força que tem a organização e mobilização dos trabalhadores. Nesse sentido, destacou que “alguns insistem que isso deve ser gradual, nós sabemos que é possível fazer cair o sistema de pensões o quanto antes, mas nenhuma mudança virá da mão das autoridades financiadas pelos mesmos empresários, só devemos confiar em nossas próprias forças”.

Por último, Mesina destacou que “esta era uma das assembleias mais massivas dos últimos anos, composta por sindicatos genuínos, reais, e que propõem a avançar de uma vez por todas para acabar com as AFP agora e não amanhã!”, finalizou o dirigente.

Cheiro de pólvora

Era possível respirar a atmosfera de luta no ambiente. Em seguida, falou Edward Gallardo, líder sindical subcontratista da Frente de Trabalhadores da Mineração Nelson Quichillao e membro da agrupação Alternativa Obrera, que relembrou as palavras de Recabarren referindo-se ao período de sindicalismo ilegal, assinalando que “essa assembleia tem cheiro de pólvora”. Além disso, ele lembrou o papel que os dirigentes tem de entrar na linha de frente na preparação das próximas mobilizações e que lhes cabe a responsabilidade de garantir que o país pare efetivamente em 4 de novembro.

Finalmente, chamou à unidade ativa com os estudantes, com quem aponta para uma aliança para fazer cair o sistema de pensões imediatamente, mas que não se acabe no 4 de novembro, mas que esse seja um ponto de paio para derrubar outros pilares como a educação de mercado e os subcontratos. A sala se encheu de aplausos.

As centenas de dirigentes de sindicatos de diversas atividades produtivas como de cobre, portos, comércio, bancários, transporte, farmácias, saúde, varejo, serviços, pescadores, bibliotecas e museus, para citar alguns, tomaram a palavra, debatendo sobre a preparação da greve nacional para acabar com as AFP como um objetivo alcançável.

É importante ressaltar algumas intervenções que apontavam o papel que os dirigentes sindicais podem cumprir nas cidades e bairros onde estão inseridos para que sejam dirigidos os trabalhadores que ainda não estão organizados mas se sentem chamados para a causa, além de suas famílias. O chamado à participação das coordenadoras de zonas foi enfatizado, para que se coordenem as iniciativas por setor produtivo e para levantar comitês de greve com o objetivo de agitação e preparação prévia.

Em destaque, a presença dos dirigentes dos trabalhadores contratistas da Anglo American que se encontram, nesse momento, em um processo de negociação coletiva contra a principal para ratificar e melhorar o Acuerdo Marco que conseguiram em 2014, reivindicaram a paralisação das tarefas de El Soldado, Las Tórtolas, Chagres e Los Bronces. Também esteve presente o Sindicato de Aseo y Jardines de Usach, que também estão em processo de negociação coletiva, entre outros sindicatos, que recentemente estiveram mobilizados ou estarão em breve.

A próximas convocações nacionais da Coordenadora NO+ AFP são a marcha de domingo, 16 de outubro, no qual os organizadores esperam que a presença de sindicatos dê um novo impulso, e a greve nacional de sexta-feira, 4 de novembro, para o qual eles já estão trabalhando em um cronograma que envolva toda a jornada.




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