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Líder da Ku Klux Klan ameaçou queimar jornalista negra

A agressão e as ameaças do grupo neonazista correu durante uma entrevista ao líder no mês passado, nela que afirmou que “uma vez matamos seis milhões de judeus e podemos repetir”. A jornalista, Ilia Calderón, assinalou que estes grupos supremacistas “se sentem respaldados por Trump”. A ameaça ocorreu logo depois do ataque racista em Virginia, que Trump justificou nesta terça-feira.

quarta-feira 16 de agosto| Edição do dia

Um líder dos “leais cavaleiros brancos”, uma ramificação da Ku Klux Klan, ameaçou em queimar a jornalista afrocolombiana Ilia Calderón durante uma entrevista que deu em julho na Carolina do Norte para a cadeia de televisão Univisión.

O porta-voz da Univisión, José Zamora, afirmou que o feito ocorreu quando Calderón fizeram uma entrevista que sai ao ar este domingo no programa Aqui e Agora “na boca do lobo”, durante a entrevista, Chris Barker, líder da organização supremacista, afirmou a Calderón que era a primeira afrodescendente que pisava o lugar onde se agrupavam.

Barker, embandeirado da supremacia branca sobre todas as raças, lançou insultos e chegou a ameaçar a entrevistadora em queimá-la, detalhou Univisión. A apresentadora da edição noturna do Noticiário Univisión afirmou que “nunca havia experimentado uma agressão pessoal tão profunda”.

“Meu propósito principal era poder viver esta experiência e conta-la, para que as pessoas tratem de entender o que existe na cabeça deles e saibam ao que se podem expor lá fora”, explicou a jornalista, que se ofereceu a fazer a entrevista por sua “condição de mulher, hispana e negra”, segundo suas próprias palavras.

“Uma vez matamos seis milhões de judeus e podemos repetir”

A jornalista afirmou em uma entrevista da Rádio RCN da Colombia que este grupo expressou o ódio que sente às pessoas e às diferentes comunidades ao afirmar que “uma vez matamos seis milhões de judeus e podemos repetir”, diante da pergunta de se consideravam possível a expulsão de milhões de imigrantes dos EUA.

Ilia Calderón levantou que estes grupos se sentem “respaldados” por Trump, cuja “condenação” inicial aos fatos ocorridos no sábado foi pura hipocrisia, já que na terça-feira o presidente expressou uma “teoria dos dois demônios” racista, dizendo que houve um bando errado e outro “muito violento”, acusando a esquerda pelo sucedido.

A jornalista agregou que de 61 grupos supremacistas que havia nos EUA em 2014, o número cresceu a 130, mais que o dobro, e isso foi justamente o que os moveu a fazer a entrevista ao líder da KKK, ver o que está passando nos EUA sob a presidência Trump, que tem cultivado a violência racial.

No sábado passado outro supremacista branco, James Fields, matou a Heather Heyer, ao atropelar com seu veículo uma manifestação antirracista em Charlotteville. Essa manifestação rechaçava a presença na cidade de grupos de ultra direita que protestavam pela decisão do prefeito local de retirar uma estátua do general confederado Robert Lee, o general do exército dos Estados Confederados do sul que se opuseram a abolição da escravidão na guerra civil dos EUA entre 1861 e 1865, e cujas tropas foram derrotadas na batalha de Gettysburg em 29 de março de 1865.

Umas décadas depois começaram a levantar estátuas e monumentos ao chamados “heróis” confederados pelos escravistas do sul, hoje defendidos por grupos neonazistas que crescem dia a dia no país do norte, ao calor de um presidente que levanta seu racismo como estandarte.

O Black Lives Matter, as organizações de juventude e os movimentos sociais estadunidenses, em aliança com os trabalhadores negros e brancos, nativos e imigrantes, tem todo o interesse em organizar a mais completa frente única de autodefesa contra essa desprezível "poeira humana" neonazista, que como dizia Trotsky na década de 30, é o regurgito ideológico de um capitalismo em crise.




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