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Libertação do socialismo e ataque aos trabalhadores marcam segundo discurso de posse de Bolsonaro

terça-feira 1º de janeiro| Edição do dia

Em seu segundo discurso como presidente no Palácio do Planalto, já com a faixa presidencial, Jair Bolsonaro deixou de vez o tom mais institucional que teve no primeiro discurso no Congresso Nacional -no qual reivindicou a Constituição e a necessidade de unidade dos três poderes e do apoio dos congressistas. O discurso para seus apoiadores foi marcado por enorme ofensividade reacionária, o presidente iniciou dizendo: “[hoje é] o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

O presidente seguiu dizendo que a eleição deu voz a quem não era ouvido, que a voz das ruas e das urnas foi muito clara e que foi eleito com a campanha mais barata da história. Vale lembrar que as eleições de 2018 foram marcadas pelo autoritarismo do judiciário, pela manipulação para que a população não votasse em quem quisesse e pelo acobertamento da investigação do escândalo de Caixa 2 na campanha de Bolsonaro com empresas especializadas em pacotes de mensagens de WhatsApp.

O presidente recém-empossado conhecido por suas posições abertamente homofóbicas, racistas e machistas, além de enfatizar a perseguição a esquerda no seu segundo discurso, também chamou sua base reacionária a se movimentar, dizendo que “não podemos deixar que ideologias nefastas venham dividir nossos brasileiros, destruir nossos valores e tradições, nossas famílias. Podemos eu, você e nossas famílias recolocar padrões éticos e morais que irão restaurar o nosso Brasil”. Ao final, ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro disse, segurando a bandeira do Brasil, que sua bandeira jamais será vermelha, e só será vermelha se for necessário nosso sangue para mantê-la verde e amarela.

Além disso, alinhado com o discurso do mercado e da escola ultra liberal da Universidade de Chicago do Paulo Guedes, Bolsonaro reafirmou mais uma vez seu compromisso com o ataque aos trabalhadores, em promover as reformas estruturantes, ou seja, reforma da previdência (embora não tenha dito isto explicitamente, pela própria impopularidade do ataque em sua própria base de apoio), com a desburocratização, com a liberalização da economia e “o peso do governo em nossas vidas”. Reafirmou também suas posições reacionárias de campanha, como fez no primeiro discurso como o combate à ideologia de gênero, à “politização” do ensino e pela liberalização do porte de armas.




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