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Liberação imediata com salários garantidos de todos os funcionários da educação já!

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

A partir de hoje, dia 19 de março, o governo do estado de SP, sob comando de Doria, suspendeu definitivamente as atividades escolares regulares de toda a rede estadual, estendendo a orientação a todos os munícipios, acatada em nota da própria secretaria municipal de educação de São Paulo. No entanto, uma grande injustiça está impressa nessa decisão: os funcionários, com exceção dos professores, devem seguir trabalhando, enquanto os terceirizados sofrem com o anúncio de contratos suspensos, ou seja, demissões se avizinham.

Dentre estes, estão funcionários das secretarias, gerentes de organização escolar, inspetores e assistentes técnicos de educação, diretores e vice-diretores, professores-coordenadores e os trabalhadores terceirizados da limpeza, vigilância e da merenda – os mais negligenciados e vulneráveis a demissões.

Enquanto libera alunos e professores, Doria pretende que a “máquina” da escola continue girando com seus “zilhares” de documentos burocráticos, que sabemos que são impostos, sobrecarregando os trabalhadores, e que só servem a restringir e policiar as ações pedagógicas e sociais dentro da escola. E agora, em tempos de crise do coronavírus, para controlar o cotidiano da mesma comunidade escolar e assim impedir que qualquer iniciativa ocorra sem sua autorização.

Hipocritamente, o governo faz demagogia com o apelo à população de que fique em casa, ao mesmo tempo que obriga estes setores a continuarem trabalhando, e orienta inclusive a que se realizem reparos das estruturas dos prédios.

Como os próprios governantes demagogicamente declaram, é momento de cuidado com a saúde de todos. As escolas poderiam cumprir um papel, neste momento, organizando as comunidades e bairros para as emergências sanitárias e para sobrevivência dos trabalhadores e da comunidade escolar. Poderiam ser centros de organização e distribuição de kits de higiene, alimentação, remédios e informação, com trabalhadores e professores mais jovens à frente cumprindo o papel social que sabemos que podem cumprir. Mas à medida que o governo dispensa alunos e professores, sem que se forneça o mínimo para a população, a orientação deve valer para todos, sem separação e diferenciação entre funções e cargos, redes e regimes de trabalho.

Ainda que tenha liberado os funcionários pertencentes ao “grupo de risco” (pessoas com mais de 60 anos ou diagnosticadas com doenças imunodepressoras), os outros trabalhadores também podem sofrer as consequências mais graves da doença, além de que são possíveis vetores, o que mantém o risco de propagação do vírus, inclusive para seus próprios familiares do grupo de risco. Nenhum trabalho burocrático ou manutenção predial – que sequer são feitas em tempos normais – justifica tal exposição; e as reorientações básicas sobre funcionamento das escolas durante a crise podem muito bem ser organizadas através de comunicação virtual.
Quanto às terceirizadas da limpeza e da merenda, o governo as deixa à própria sorte. Hoje publicou em Diário Oficial a suspensão dos contratos com as empresas terceirizadas do transporte escolar e das cozinhas, e sabemos que isso significará que centenas de trabalhadoras serão demitidas, e enquanto isso seguem se expondo ao risco. Nada garante a manutenção de seus empregos, e depois da reforma trabalhista estão ainda mais desprotegidas. Como poderão sobreviver em meio à crise?

Por isso, exigimos que todos, sem exceção, sejam liberados do trabalho, com pagamento integral garantido e nenhuma demissão. Todos os professores devem se colocar lado a lado de seus colegas. Não pagaremos com nossas vidas a mais uma crise.




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