Política

JUDICIÁRIO

Lewandowski pede que os juízes não tenham medo de reivindicar aumento

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 4 de novembro| Edição do dia

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski defendeu que os juízes do país não tenham vergonha de reivindicar reajustes salariais, ao discursar na abertura do encontro nacional dos magistrados estaduais na noite desta quinta feira (03) em Porto Seguro. Quando falou das perdas salariais dos juízes, Lewandowski disse que "não há vergonha nenhuma nisso, porque os juízes, no fundo, são trabalhadores como outros quaisquer, e têm seus vencimentos corroídos pela inflação".

De acordo com o ministro: "Condomínio aumenta, IPTU aumenta, a escola aumenta, a gasolina aumenta, o supermercado aumenta, e o salário do juiz não aumenta? E reivindicar é feio? É antissocial isso? Absolutamente, não." Depois, Ricardo Lewandowski complementou: "para que possamos prestar um serviço digno, é preciso que tenhamos condições de trabalho dignas e vencimentos condizentes com o valor do serviço que prestamos para a sociedade brasileira".

O ministro também defendeu a aprovação da PEC 63/2013, que prevê a criação de um adicional por tempo de serviço aos magistrados.

Por trás deste discurso de Lewandowski, existe uma clara defesa do aumento dos privilégios e do alto salário para o Poder Judiciário. Mesmo com a crise econômica que o Brasil está passando, estamos vendo os membros do Judiciário mais caro do mundo aumentarem o seu salário de forma absurda. Além disso, sabemos que cerca de 10 mil juízes recebem salário acima do que é estabelecido pelo teto e um destes juízes é o Sergio Moro, que em abril de 2015, o seu super salário passou a média de 77 mil reais.

Enquanto isso, os trabalhadores veem o seu salário de fome sendo corroído pela inflação e o desemprego como uma ameaça constante, muito menos possui a mesma facilidade para pedir aumento salarial. Para impor a miséria absoluta contra a maioria da população, o Supremo Tribunal Federal seguindo o seu ritual de atuação arbitrária se coloca na linha de frente contra os direitos trabalhadores implementando a reforma trabalhista e aspectos da reforma da previdência de Temer, bem como defendendo a PEC do congelamento dos gastos e reformas de precarização dos serviços públicos.

Além disso, o Judiciário que Lewandowski diz merecer aumento é o mesmo que está criminalizando as ocupações de escolas, universidades e institutos federais, chegando a casos extremos onde um juiz determina que se pode usar de métodos de torturas contra jovens de menores de idade. Para que os salários dos senhores de toga cresçam, é preciso que a sucateamento da educação pública também cresça.

É preciso uma forte batalha para que os membros do Judiciário sejam eleitos, tenham o seu mandato revogável e ganhem o mesmo salário de uma professora da rede pública. Para isso, as batalhas que estão ocorrendo contra os ataques do governo de Temer, tem que ser um pontapé inicial para o questionamento do regime, regime este que o Judiciário faz parte.




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