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Letalidade da covid-19 entre índios Xavantes é 160% maior que a média nacional

O impacto do Covid-19 segue cada vez mais intenso entre os indígenas, principalmente os de Mato Grosso. A taxa de letalidade na população Xavante alcançou 11,7%, índice 160% maior que a atual média da população brasileira (4,5%), segundo dados do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde atualizados até a última quinta-feira (25).

sábado 27 de junho| Edição do dia

Imagem: ADRIANO GAMBARINI/OPAN

A taxa, que reflete os 12 óbitos entre os 102 casos confirmados de coronavírus desde maio deste ano, mostra a alta disseminação na tribo de cerca de 22 mil índios, realidade que ainda pode ser ainda mais grave em função dos casos assintomáticos e da falta de testagem em massa.

Se comparado com o número de índios mortos em todo o país, o índice com Xavantes mostra um cenário ainda mais preocupante. De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a taxa de letalidade com indígenas, no Brasil, é de 6.8%. Os valores mostram, portanto, uma variação de 72%.

O descaso do governo Bolsonaro pelas vidas indígenas

A política anti-indígena de Bolsonaro já se manifestou em diferentes declarações e políticas, como a liberação de posse de arma no campo ou seu manifesto desejo de legalizar o garimpo em áreas indígenas. Agora em tempos de pandemia, se manifesta através da negligência pelas vidas indígenas. Dispondo de cerca de R$ 45 milhões em caixa, a pasta chefiada pela fanática religiosa Damares Alves direcionou um valor praticamente simbólico de R$1.059,00 para o combate às consequências da crise sanitária e econômica da pandemia entre as populações mais excluídas e vulneráveis como comunidades indígenas e quilombolas, entre outras. Além de historicamente excluídas e reprimidas, essas populações agora são esquecidas por um governo que prioriza o lucro dos capitalistas acima da vida dos trabalhadores e do povo pobre.

O impacto das viroses no genocídio da população indígena

Viroses respiratórias foram vetores do genocídio indígena em diversos momentos da história do país, com dezenas de casos provocados por epidemias registrados em documentos oficiais, como o relatório da Comissão Nacional da Verdade de 2014 e o relatório Figueiredo de 1967.

Entre 1987 e 1990, cerca de mil Yanomami morreram em consequência de epidemias trazidas por uma corrida do ouro que tomou conta do território Yanomami.

Em 1977, após ’contato’ com a Funai, a população arawaté foi reduzida quase pela metade pelas epidemias, indo de 200 para 120 pessoas. De várias aldeias na margem direita do Xingu, só sobrou uma.

Durante a construção da Perimetral Norte, entre 1974 e 1975, doenças infecciosas mataram 22% da população de quatro aldeias no caminho das obras (Ramos 1979). Dois anos depois, uma epidemia de sarampo matou metade da população de outras quatro comunidades. No rio Apiaú, leste do território Yanomami, estima-se que cerca de 100 índios teriam morrido na década de 1970, restando apenas 30 sobreviventes.

Com informações de Bruno Ribeiro/Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini




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